A Vida de Casal depois dos Filhos

Começa uma linda história de amor, a paixão, o desejo, a sensação de que o tempo que está junto da pessoa amada não é o suficiente para viver aquele sentimento com toda a intensidade que ele tem. Tem olho no olho, tem promessas de amor eterno, tem planos para o futuro. Tem sempre um jeitinho para fazer o que o corpo deseja quando não existe um lugar ou um momento tão apropriado. Tem preparativos para o encontro, planejamento, que roupa vou vestir?, preciso fazer as unhas, preciso me depilar, vou passar um batom mais suave para não borrar toda a boca do rapaz (rs), vou colocar uma lingerie bonita, vai que…  e normalmente vai!

Tem risada das piadas bobas, tem tolerância para alguns defeitos… tem tornar o estar junto parte das prioridades da vida!

O tempo passa, o casamento chega, a convivência passa a mostrar coisas que não percebíamos, ou talvez percebíamos, mas tolerávamos. Os defeitos, muitas vezes passam a se sobressair em relação às qualidades. A toalha molhada na cama, a roupa suja jogada pela casa, os pingos de xixi no vaso, a louça que amanheceu na pia, o jogo de futebol na hora que você queria conversar, as peças de roupa que não combinam entre si na hora do passeio, a distração que te faz repetir dez, vinte, trinta vezes a mesma coisa!

Meu Deus, foi por esse homem mesmo que me apaixonei?

Vocês seguem a vida juntos, apesar das diferenças, vão aprendendo a conviver e a entenderem esse negócio complicado que é o casamento, a vida a dois, o dormir e acordar juntos todos os dias, até mesmo naqueles dias que sua vontade era virar as costas depois de uma discussão e ir dormir na sua cama, na casa da sua mãe.

E chega o momento que vocês decidem que chegou a hora da família crescer (vamos pensar quando é planejado ok?), e você fica grávida!

Querida, no dia que essa notícia é dada está dada a largada para uma nova vida, que nada terá a ver com a relação dos namorados apaixonados, bem como a relação do início do casamento, seja ele formal ou não (o juntar os trapinhos para viver sob o mesmo teto…rs).

É inevitável. Por melhor que o seu casamento seja, por mais saudável que seja a sua relação, essa relação passa a ter mudanças!

Não entrarei nos pormenores do período da gestação, se quiserem faço outro post sobre o tema. Vamos direto à chega do primeiro filho.

Guardadas as peculiaridades de cada família e estilo de vida, a rotina e todo aquele ciclo de mama, arrota, caga (desculpe a falta de sutileza), troca fralda, faz dormir, acalma, alivia cólica, etc etc etc, parece não ter mais fim, e esse ciclo parece começar a engolir a relação do casal.

A mulher, com inúmeras alterações hormonais, noites de sono picadas, o corpo ao se olhar no espelho mudado, passa a ser menos tolerante, quer ajuda, quer participação, muitas vezes não consegue expressar o que sente, se faz de orgulhosa: deixa que eu mesma faço!

O marido “perde a vez”. A mulher é do bebê, de corpo e alma! O banho fica pra depois, o cabelo fica pra depois, a unha fica pra depois, a depilação fica pra depois… o que ela quer é dormir, é ter a possibilidade de alguns minutos fora desse ciclo, por mais que tenha desejado e que ame tudo aquilo. A solidão bate forte, mesmo com o dia 100% tomado de afazeres e obrigações na companhia daquele lindo e saudável bebê.

A companhia do outro em muitos momentos parece mais irritar do que agradar, vocês mal se olham, as promessas passam a ser de quem vai jurar que vai levantar naquela madrugada ou vai trocar a próxima fralda de cocô, os planos do futuro é o dia da escolha do berçário. Sexo? Como assim? Com o bebê do lado, no quarto do lado, com meu peito jorrando leite, com minha barriga que segue grávida de uns três meses? Nem pensar! Qualquer momento ou lugar é risco, e o risco não é mais excitante, o risco é irritante!

No meio de tudo isso, de tantas tarefas e obrigações, a mulher não quer pensar em agradar o marido, talvez se torne um pouco egoísta, e não se importe muito com o que aquele cara que ela tando admirou e desejou estar junto esteja sentindo no meio daquilo tudo. Afinal, só ela sabe o que é carregar um novo ser na barriga, o que é uma hora estar radiante de alegria e outra com vontade de chorar compulsivamente!!!!

O tempo vai passando, a rotina com as crianças vai se ajustando, infelizmente muitos casamentos não resistem, mas os que têm maturidade para passar por esse novo modelo familiar, podem ficar muito melhores do que eram!

Nós, mulheres, temos a incrível capacidade da inteligência emocional, muito mais difícil de ser encontrada nos homens. E se você está se perguntando: “onde MEU casamento foi parar no meio disso tudo?”, eu sugeriria de fazer essa pergunta ao seu marido e vocês procurarem a resposta para “onde NOSSO casamento foi parar no meio disso tudo?”.

Um casamento é feito de duas pessoas, e ouvir um ao outro deveria ser regra, por mais que o que for dito machuque o outro. Pensem, muitas vezes o que não é dito machuca muito também!

Me lembro bem, eu grávida do Yuri, em um momento que deveria ser de sintonia, de alegria no meu casamento, e passamos por uma fase bem difícil. Tivemos uma conversa mais difícil que o momento, e jogamos claro um para o outro quando dissemos que não estávamos felizes, e que sim, o motivo de nossa infelicidade parecia sermos nós mesmos. Ele infeliz comigo, eu infeliz com ele. Provavelmente minhas expectativas de atenção e carinho eram altas, porque eu queria que fosse como foi quando estive grávida da Nina. Mas não, dessa vez a Nina já existia, e Rodrigo também estava divido entre ela, eu e o Luli. Ele também não era só mais meu.

Mas conseguimos pensar, conversar, relembrar: o que nos trouxe até aqui? o que fez nos apaixonarmos? quais as qualidades que tínhamos lá atrás que nos encantaram? elas não existem mais, ou deixaram de ter valor?

A minha forma de amar o Rodrigo, desde que ele se tornou pai dos meus filhos, mudou! Eu passei a olha-lo com outros olhos, com os olhos do incrível pai que ele é!

Isso é lindo, isso é ótimo! Mas o que acontece na maioria das vezes é que passamos a olhar para nossos maridos como pais, somente, e esquecemos deles como homens. E o inverso também acontece. Passamos a ser vistas como mães, e aquela mulher atraente e interessante vai sendo esquecida.

E sempre ouvimos a história: tem que sair da rotina, tem que ter momentos a dois, tem que, tem que, tem que… mas muita gente sabe o quanto esse “tem que” é difícil de ser praticado quando temos crianças pequenas em casa. Só que amigas leitoras, não tem milagre, esse tem que, tem que mesmo (rs), e isso depende de nós, de mim, de você e dos nossos maridos!

E por isso volto a bater na tecla da conversa! Seu marido te cobra? Exponha a ele os seus motivos, jogue limpo e diga que também precisa ser surpreendida. Você também precisa de delicadezas e gestos que eram praticados no passado, que não terá, com tudo que envolve sua nova rotina, vontade de colocar uma linda lingerie e sair o seduzindo. Não, não, não. É uma via de mão dupla!

Alguns casais lidam melhor com isso, outros não.

Por aqui encaramos esses primeiros anos das crianças (sim, você leu bem, anos), como um tempo que nos deixaria de fato desgastados. Rodrigo é muito participativo, parceiro, e entende bem isso. Conversamos e entendemos que isso era uma fase, e que não precisaríamos nos desesperar para viver tudo que vivíamos quando éramos só nós dois, pois nosso propósito é seguir a vida juntos, e as crianças irão crescer, e teremos muito tempo para isso ainda.

Mas entendo, boa parte dos homens não encara assim. E se esse é seu caso, são necessárias alternativas.

Primeiro de tudo, reflita, pense, relembre como foi o encontro de vocês, o que ele tinha que parece hoje não ter mais, ou será que só está adormecido. Dê o primeiro passo, diga o que você quer, do que sente falta, e ouça o que seu parceiro tem a dizer também. Se algumas verdades doerem, ouça, fale, depois absorvam e pensem no que cada um pode se esforçar para ser melhor para o outro. Lembre-se sempre, o que um não quer, dois não fazem! E a cobrança não irá ajudar em nada.

Por aqui, quando a Nina tinha pouco mais de dois anos sentimos nosso casamento começar a reascender de novo, foi quando fizemos nossa primeira viagem sozinhos, e logo voltei grávida do Yuri…rs.

O ciclo recomeçou, dessa vez ainda mais intenso que da primeira vez, porque sim, pode ser mais fácil, mas a rotina com mais de um filho é mais cansativa, é o que acho. E agora, com Yuri com um pouco mais de dois anos, que passei a me preocupar de verdade de novo com meu casamento novamente.

Coincidência ou não, esse estalo aconteceu na mesma fase, com os dois filhos. Mas não estou dizendo que isso é regra. Talvez você precise dessa reconexão antes!

E o que fizemos em relação a isso? O ponto de partida veio de mim, tem que partir de alguém, e sinceramente, pra mim não importa de quem seja, que seja de alguém!

Sugeri ao Rodrigo de estipularmos todos os meses um dia do mês para termos um encontro nosso, só nós dois, sem as crianças. Agendar esse dia é meu primeiro compromisso do mês na minha agenda. Não importa se existem ou não planos do que fazer, é prioridade eu definir essa data. Não precisa ser a noite, de final de semana, pode ser qualquer dia, qualquer momento, mas tem que existir.

O segundo passo, com a ajuda da minha coach, foi que esses encontros não teriam como pauta o tema filhos, em nenhum momento. Nossa Mari, mas que horror! Que radical.

Cada um lida com isso de um jeito, mas aqui já fizemos esses encontros outras vezes, e não tem jeito, por mais que falemos de diversos outros assuntos e que o encontro seja prazeroso, os filhos sempre estão presentes nas conversas, sempre, e tomam boa parte do nosso tempo. E porque isso não é legal? Exatamente porque falando de filhos, seguimos nos vendo como pai e mãe, e não como homem e mulher, e esses encontros têm o propósito de nos reconectarmos, de nos reencontrarmos, de procurarmos viver como no passado, com paixão, com desejo, com vontade de estarmos juntos, com vontade daquele momento não acabar!

Tivemos nosso primeiro encontro do ano nesse final de semana, com esse propósito, e foi INCRÍVEL! Eu tomei um banho, arrumei o cabelo, me maquiei, escolhi a dedo minha roupa, coloquei um salto alto. Ele me viu arrumada e não deixou por menos! Estava lindo, cheiroso, atraente!!!! Nos divertimos, conversamos, jantamos sem pressa, vivemos horas maravilhosas que certamente no reconectaram. Aquele era o homem por quem me apaixonei, mas em uma versão ainda bem melhor do que a do passado!!!!!!

A rotina já voltou ao normal, mal temos tempo de conversarmos direito, mas o que me deixa tranquila é que teremos esse momento de novo, com frequência, com data marcada, que seja, não importa! Mas teremos. E eu confesso que estou ansiosa pelo próximo!

Espero que esse texto (gigante), expondo um pouco da minha intimidade, da minha vida, possa ajudar quem esteja perdida, chateada, achando que tudo está desmoronando!!!!

E gosto sempre de relembrar as palavras ditas pelo Rodrigo em nosso casamento, durante seus votos, que acredito que devam valer para qualquer casal: “quando as coisas não estiverem muito bem, eu quero me lembrar desse momento, para saber o quanto vale a pena estar do seu lado!”.

É isso, relembre o que faz valer a pena estar do lado de quem escolheu para dividir sua vida!

Beijos – Mari

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17 comentários

  1. Alice Ravagnani comentou:

    Amei…muito bom!😍😊👍😘

  2. Cláudia comentou:

    Muito bom o texto aquele chacoalhão básico kkkk…o que mais me admira é q sabemos mas não fazemos caímos no costume e deixamos de nos cuidar de cuidar do casamento entramos no automático ate o cuidado com as crianças estamos com eles sem estar acho q ficamos perdida ate alguém da um toque ou a gente se tocar sozinha kkkk…é difícil …que bom Vc dividir um pouco de suas experiências com nós bjs

    1. É isso mesmo Claudia, a rotina nos engole e às vezes é difícil pararmos para pensar. Fico feliz com sua mensagem!!!!

  3. marilza dos santos de Oliveira comentou:

    Que lindo eu tenho 9 anos de casada e com certeza vou ter como aprendizado esse texto lindo 😍😍😍😍ainda mas grávida do segundo filho 👶

  4. Flavia comentou:

    Aiii amei tanto!!! Incrível como as estórias se repetem com a maioria dos casais. O amor, respeito e diálogo continuam sendo a solução para não desmoronar. Parabéns pelo texto! Bjão

  5. Fabiana comentou:

    Fato é lindo
    Sem mais
    Aqui tbm saímos quando da só nos 2 .

  6. Adorei o texto Mari! Até repostei no face para fazer outros casais refletirem. Além do fator de nos enxergarmos como somente pais, em muitos momentos, algumas questões pessoais não trabalhadas podem prejudicar a relação. O buraco pode ser mais fundo do que parece e dá mais trabalho para colocar a relação nos eixos. É válida a reflexão para cada casal.

  7. Bruna comentou:

    Mari,

    Sempre que possível, expresso minha admiração pela sua forma de encarar as coisas..

    Casamento é maravilhoso e requer muita dedicação de ambos os lados. Vivo, atualmente, um empasse no meu: gostaria muito de ter o segundo filho e meu marido não quer de jeito nenhum. É sempre uma conversa de embate aqui em casa. Já conversei bastante sobre os motivos que me fazem querer e ele sempre expõe, com bastar convicção, os motivos pelos quais ele não quer. O que você acha? Devo ter mesmo assim? Fico com medo de o tempo passar e a diferença entre os dois serem muito grande (o meu tá com 4anos).
    Bjs

    1. Oi Bruna, eu não sei quais são os seus motivos e quais são os motivos dele. É uma questão muito pessoal sabe? Sobre o tempo passar e a diferença ser grande, acho que não deveria ser o ponto. Mas talvez a forma que é conduzida a rotina com somente um filho? Já chegou a conversar nesse sentido. O que mudou depois que o primeiro filho chegou, será que existe algum medo da parte dele, será que esses receios fazem sentido?

  8. Bruna Higa comentou:

    Amei o texto !
    Estou passando por isso. Minha filha está com 2 anos e realmente precisamos de um tempo para nós ! Vou repensar minhas atitudes ! 👏🏻👏🏻👏🏻

    1. Fico feliz que de alguma forma o texto possa ter feito você refletir Bruna. Beijos

  9. JUCIMARA ALVES BRUGNOLA comentou:

    Vou ter meu primeiro filho agora e esse assunto me interessou já que pretendo ter dois filhos tb, muito bom de verdade!! Obrigada por compartilhar.