Aceitando meu corpo depois de duas Gestações

Estava eu organizando as fotos da nossa viagem para Foz do Iguaçu e vejo uma série de lindos clicks feitos pela minha mãe. Eu brincava na piscina com as crianças, com uma alegria que me fazia sorrir a cada imagem, relembrando dos dias deliciosos que passamos em família. E entre sorrisos e mais sorrisos, estava lá uma barriga super dilatada, grande mesmo, que facilmente passaria por uma barriga de gestante na fila de prioridade.

Logo que bati o olho pensei: meu Deus, que barriga é essa que estou? Olha o tamanho disso!

Só que ao mesmo tempo não me veio nada em mente do tipo: preciso tomar uma providência, preciso parar de comer, preciso ir para a academia… vendo as imagens, achei que a barriga era algo tão pequeno diante dos momentos que as imagens registraram. Aí resolvi fazer piada e postei a foto no Instagram com o seguinte texto:

  • blog_mamiemais BOMBA BOMBA BOMBA 💣💣💣 Blogueira materna é flagrada brincando na piscina de um resort brasileiro. A imagem gerou preocupação, já que a mamãe fazia esforço ao girar sua filha mais velha dentro da água, enquanto aparentava estar grávida do terceiro bebê! 😱😱😱
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    Questionada sobre o assunto e o tempo de gestação, ela diz que a imprensa a pegou desprevenida com o abdômen relaxado 😬 e que não, não está grávida novamente, está apenas de férias, sem se importar muito com as formas do seu corpo, que por hora, terão que permanecer assim, pois dieta e malhação pesada estão fora de cogitação enquanto as crianças demandarem tanto de seu tempo e atenção ✌🏻😜
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    Direto da redação da revista Instagram News 💁🏻 #vidademae #barrigademae#TemQueFazerPiada #OuMalhar#OuFecharABoca #NoCaso#MeRestaAPiada 🐳🐳🐳

Gente, a foto teve muita repercussão! Muitas curtidas e muitos comentários, vários das pessoas se divertindo com a legenda, outros de pessoas se identificando, com algo que é tão comum na vida de tantas mulheres, mas que não é falado com naturalidade.

E por que? Porque o bonito é ser magrinha, é ter uma barriga sequinha, é colocar biquininho e desfilar com o corpo em forma no verão.

Quero deixar bem claro que não sou contra a vaidade, a fazer dieta, exercícios, a se cuidar, que não sou a favor do “já que virou mãe desencana minha filha, larga seu corpo pra lá que a vida é assim”. Não, não é mesmo o caso. Adoraria ter uma barriga sequinha e em forma, como a que tinha há anos atrás, que me permitia desfilar de biquini sem me preocupar em encolher a barriga na hora da foto. Vejam algumas imagens minhas de anos anteriores, antes e pós maternidade (Ninoca nasceu em 2012).

2008 em Los Roques – Venezuela.

2010 – em Los Roques de novo

2011 – dá-lhe celulite!!!! Na Lua de mel, no Tahiti

2014 – aquela lordose e a barriguinha da falsa magra super aparente. Em Fernando de Noronha, quando engravidei do Luleco (mas não estava grávida na foto ainda kkkkkk)

2015 – o mesmo maiô de hoje e a pancinha saliente dando o ar da graça, Luleco bebezico.

Só que a questão é que além do meu corpo ter mudado, porque sim, depois de duas gestações, diástase abdominal, uma cirurgia meio mal feita para tirar duas hérnias da barriga, o corpo muda, não tem como ser diferente (as fotos acima mostram que o corpo muda mesmo antes da gestação, com o passar dos anos), as ações que eu precisaria tomar para mudar as minhas formas, digamos assim, não fazem parte das minhas prioridades do momento.

Apesar de sim, quando me vejo nua, dependendo da roupa que coloco, não ficar satisfeita com a minha barriga (desde o nascimento do Yuri não uso mais biquini, não me sinto à vontade), não sofro por isso, não me cobro por estar diferente, não deixo de me divertir ou viver minha vida intensamente por conta disso.

Eu não considero que levo uma vida desregrada, que me alimento mal, que sou sedentária. Eu considero que dentro das minhas possibilidades do momento, com dois filhos pequenos, uma casa para administrar, uma empresa para fazer dar certo, um blog que quero que dê certo também, eu me preocupo e cuido de mim.

Me alimento de forma equilibrada, não gosto de radicalismos, de corta isso, corta aquilo. Gosto de comer pão no café da manhã, um pedaço de bolo caseiro praticamente todos os dias, um vinho e uma cervejinha de vez em quando, se dá vontade, esporadicamente um sanduíche com batata frita. Mas não como de me acabar, de ficar entupida, e em minha alimentação prevalecem frutas, verduras, legumes, cereais.

Não frequento a academia diariamente, mas me movimento sempre que possível, semanas com mais frequência, outras semanas com menos. Gosto de dançar, então sempre que consigo encaixo as aulas de dança na minha rotina.

Só que esses hábitos não farão com que a minha barriga saliente desapareça…rs. Para isso eu precisaria fazer uma dieta, tirar algumas coisas da minha alimentação, fazer exercício físico com regularidade. Ou seja, eu sei o que preciso fazer, mas eu não estou disposta a fazer NESTE momento. Eu não acho desnecessário, eu só não quero me cobrar por isso agora entendem?

Vejo essas imagens e sim, vejo um corpo não muito atraente, que pode sim ser mudado e ficar mais bonito, especialmente aos olhos dos outros. Mas vejo principalmente uma mulher realizada, feliz, saudável, com todos os exames em dia e com resultados satisfatórios.

Acho que depois que as crianças crescerem, demandarem menos de mim, tomar providências em relação a isso será algo natural, porque eu sempre fui vaidosa, sempre gostei de me alimentar direito, por muitos anos pratiquei exercícios físicos diariamente que deixavam meu corpo com uma aparência que me deixava muito satisfeita.

Só que nesse momento não dá, não quero, não estou de verdade disposta a encaixar esses esforços na minha rotina. Então me cuido sim, com o que está dentro das minhas possibilidades, e procuro viver uma rotina com equilíbrio. Barriga sequinha exige mais do que posso fazer nesse momento de vida.

Achei que seria legal dividir meu ponto de vista com vocês, para que possamos refletir no que fazemos para satisfazer o outro, os olhos do outro, e o que fazemos para nos satisfazer. Se para você é importante, se mexe com sua auto estima, se te deixa pra baixo, faça o que tem que ser feito, isso tem que fazer parte das suas prioridades. Mas se isso faz sentido para VOCÊ!

Pense nisso.

Beijos – Mari

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4 comentários

  1. Kelly Dias comentou:

    Bom dia!
    Me chamo Kelly, tenho 39 anos e 3 lindos filhos: André 6 anos, Filipe 3 anos e Maísa 3 meses.
    No pós parto da Maísa, preocupada com possíveis complicações não só com o comportamento dos irmãos em relação ao nascimento, mas também com o meu, se saberia lidar com tudo isso, resolvi pesquisar em alguns blogs sobre o assunto. Assim cheguei até o seu blog.
    Confesso que me encantei já no primeiro post. Não me lembro o nome agora, mas falava sobre o seu 2° pós parto, haviam fotos bem verdadeiras e ainda algo sobre o falecimento de um parente próximo em um momento extremamente delicado de sua vida.
    Passei a ler todos os dias um, dois, três posts seu, já que estava (ou melhor, ainda estou) de licença maternidade.
    Gosto muito da sinceridade no que você escreve. Me identifico com muita coisa.
    Hoje senti vontade de te escrever. Parabenizar pelo belo trabalho. Não deve ser fácil. Percebo que às vezes você parece desabafar algo que está intalado. Mas é um desabafo de muitas nós leitoras.
    Obrigada por me proporcionar momentos de boa leitura, de me fazer sentir normal e pensar que não sou apenas mais uma mãe que sofre com tantos sentimentos confusos e sim mais uma mãe feliz…. que vive independentemente do que muitas outras pessoas irão pensar e/ou falar.
    Sou grata a você por me fazer uma pessoa mais feliz…. mais crítica….. e mais NORMAL.
    Um granse abraço.

  2. Amanda comentou:

    Mari,
    Após 5 anos de pós parto da primeira gestação não aceitava a minha barriga, faço dieta (sem radicalismo) e atividade física quase que diariamente. Depois de anos sem conseguir resultado absoluto, resolvi consultar um cirurgião plástico na semana passada. E ele me explicou a questão da diástase abdominal. De certa forma me senti aliviada porque o que eu vinha buscando seria impossível de se conquistar sem uma abdomenplastia.

    Desde então venho refletindo sobre este assunto: “ Fazer ou não fazer a cirurgia eis a questão?”

    Em seguida, vem o seu Post….Adorei a forma tão natural e de certa forma engraçada que você colocou sobre esse assunto.

    Um dia quero ser leve como você.

    Parabéns pelo ótimo trabalho!

    Abraço,
    Amanda

  3. nagela cardoso comentou:

    Incansavelmente eu vou lhe dizer isso: Como é sensacional!
    Eu também morro de saudade do meu corpo de “solteira”, uma barriguinha sequinha, bumbum durinho, seios redondos….mas não troco aquele corpo pela vida plena e feliz que tenho hoje. Claro que não me sinto feliz quando me olho no espelho MAS, me olho por dentro e me sinto a mulher mais incrível do mundo!! a prioridade AGORA é outra. Me pego em conversar entre amigas no trabalho, onde ELAS são machistas, se sacrificam pelo corpo perfeito com o discurso de que se o marido não ver um corpo em dia em casa, olham as da rua. Tem relação(sexo) com seus esposos mesmo que cansadas ou até doente com o pensamento de que se não der conta em casa, na rua alguém da. Acho tão absurdo, mas me calo. A vida, um casal é MUITO MAIS QUE ISSO. Já vejo um tema de post rsrsrs

  4. nagela cardoso comentou:

    Como VC É SENSACIONAL