Irmãos… tudo para um TEM QUE SER igual para o outro?

Quem é mãe de mais de um filho, especialmente de dois, porque quem tem mais de dois diz que a partir do terceiro o negócio acontece meio que no “automático”, sabe que, apesar de no geral, nos tornarmos mais leves para conduzir a maternidade, tem momentos em que parece que vamos enlouquecer! Especialmente se a diferença de idade dos dois não é tão grande, é um conflito de demandas, de horários, de divisão de atenção

Me lembro que logo nos primeiros dias de vida do Yuri, eu ainda de cinta, com certo desconforto da cesárea, tentando ser a melhor mãe possível para ele e também para a Nina, decidi sair sozinha com ela para um passeio, afinal, coitadinha, ela precisava de atenção exclusiva! Ela tinha atenção exclusiva até uns dias atrás, e agora tinha que dividir a atenção com o irmão. Eu precisava mostrar para ela que ela continuava sendo amada, ela precisava acreditar nisso.

Fomos ao teatro com as amiguinhas dela, foi gostoso, mas fiquei super cansada, bateu até aquela ponta de arrependimento de ter ido sabe? Achei que passei um pouco do limite que deveria naquele momento, em relação ao meu conforto e disposição.

Na volta para casa, mesmo depois de ter me dedicado exclusivamente a ela, ela se comportou de uma forma que me deixou nervosa, para chamar minha atenção, e como se ela fosse uma terapeuta, eu desabei a chorar! Eu chorava, chorava, chorava, como se suplicasse para que ela tivesse compreensão e dó de mim! Eu me sentia uma mãe fracassada, que não conseguiria dar conta da demanda de dois filhos. Que sempre estaria devendo para um. E esse sentimento, cenas como essas, aconteceram outras vezes.

Se identificou? Já passou por isso? Está passando por isso?

Acho que a principal questão que gera o desgaste, especialmente emocional, de uma mãe de dois ou mais filhos, além de, claro, as crianças para cuidar, criar, educar, é a auto cobrança. É esse sentimento de querer ser sempre justa com os dois, de querer sempre que tudo seja igual para os dois, de se um tem, o outro precisa ter também.

Ainda grávida do Yuri, a minha maior preocupação, em praticamente toda a gestação, era a Marina. Como preparar a Nina, qual o melhor tipo de quarto na maternidade caso ela quisesse estar conosco, como não fazer ela se sentir abandonada, como não mudar sua rotina, como fazer com que ela ame o irmão?

Eu não acho que essas questões sejam banais, ou mesmo que não devam fazer parte das preocupações de uma mãe que, até então, tinha um filho só. Mas eu acho que, em alguns momentos, nos perdemos em tantas preocupações e tantas cobranças.

Próximo ao dia do parto do Yuri, em uma consulta com minha GO, ela me deu um “chacoalhão”. Ela me disse: Mari, você precisa se conectar com o Yuri. Esse momento é o momento dele! Você não pode tomar as suas decisões baseadas, primeiramente, no conforto da Nina, mas no que é melhor para você e para ele! A Nina vai ganhar um irmão, a vida dela vai mudar, ela vai se adaptar, pode ter mais ou menos dificuldades, mas isso será a nova realidade familiar de vocês. E você vai conseguir lidar com isso, você vai saber conduzir. Deixe as coisas acontecerem mais naturalmente, e viva esse momento, viva o momento do Yuri.

Essa foi uma conversa que me marcou muito, muito mesmo. E hoje, quando eu reflito, lá atrás, ainda grávida, eu estava sendo justa e equilibrando as necessidades dos dois? Não, eu não estava! Nesse momento eu estava sendo muito mais “egoísta” com o Luli, e muito mais preocupada com a Nina.

Não me sinto culpada por isso, isso é normal, é um sentimento que acomete toda mãe de segunda viagem. Faz parte viver esse sentimento. E com o passar do tempo vamos nos pegar vivendo esses dilemas e essas questões diariamente.

Então vem a reflexão que quero propor. Não tem como ser justa sempre. E esse ser justa ou injusta vai ter interferência de diversos fatores, bem como vai ser visto de formas diferentes por quem está olhando de fora.

Por exemplo, hoje de manhã, enquanto colocava o Yuri na cadeirinha para tomarmos café da manhã, a Nina começou a chorar reclamando que eu sempre colocava o Yuri na cadeira, logo depois que lavava as mãos dele. Ela estava claramente com ciúmes, já que ele estava se sentando antes dela. Eu a disse que não, que ela estava enganada, pois depois que ele lavou as mãos, eu fui para a cozinha pegar as coisas para colocar na mesa, e só depois de um tempo que o coloquei na cadeira. Ou seja, na visão dela, eu estava sendo injusta, eu estava dando preferência pra ele. Coisa que ela criou!

Ao invés de me desgastar com isso, só a abracei e perguntei, quer se sentar do meu lado hoje? (a cadeira dela normalmente fica ao lado do Yuri, que fica ao meu lado). Ela aceitou, limpou as lágrimas, e pronto, na visão dela, agora eu estava sendo justa. Na minha visão, em nenhum momento fui injusta.

Outra situação. Comprei algumas roupas para ela, não encontrei nada que valesse a pena para o Yuri, ou seja, só ela ganhou roupa nova. E ela viu que só ela ganhou.

Dias depois comprei uma escova de dentes para o Yuri, pois a dele estava velha. A dela estava em bom estado, ou seja, ela não precisava de uma escova nova. Aí ela veio me questionar o porque só ele estava ganhando uma escova nova e ela não. Eu expliquei que ele estava precisando, mas ela não. Que quando a dela estragasse, ela também ganharia uma nova. O que não era o caso, naquele momento.

Eu poderia ter comprado uma escova de dentes nova para os dois? Claro que poderia! Mas eu não preciso fazer tudo igual para os dois sempre! Eu acho que eu não devo fazer tudo igual para os dois sempre, pois eles são indivíduos diferentes um do outro, com necessidades e desejos diferentes e, mesmo considerando coisas materiais, não é sempre que um vai ter tudo que o outro tem.

Claro, vamos prezar pelo equilíbrio. Mas é algo que vai acontecer.

Tento ao máximo me desdobrar para dar atenção aos dois, muitas vezes ao mesmo tempo. Mas, se um estiver doente, por exemplo, naquele momento é quem vai precisar mais de mim, e quem vai ter mais atenção. Não posso carregar o peso nas minhas costas, de a todo momento sempre me desdobrar ao mesmo tempo pelos dois.

A Nina faz muito mais passeios sozinha comigo do que o Yuri, que quase não faz passeios só comigo. Estou sendo injusta com ele? Não, eu acho que não, porque muitos passeios não cabem na rotina dele, que precisa de uma soneca durante o dia, muitos passeios não são adequados para a idade dele. Então a Nina acaba passeando mais que ele. Mesmo porque, na idade dele, ela não fazia tantos passeios como faz hoje. O momento dele ainda vai chegar.

Vocês entendem onde quero chegar? Nós nos cobramos, nós nos deixamos envolver pelos sentimentos de injustiça dos nossos filhos, no geral, dos mais velhos, quando temos o mais novo ainda muito pequeno, como no caso do Luli, e ao invés de refletirmos se aquilo faz ou não sentido, nos afundamos no poço de culpa e fazemos das tripas coração para atender, muitas vezes, necessidades que não existem.

Eu já fiz isso, eu faço isso, e eu ainda vou fazer isso. O objetivo não é dizer: faça assim ou assado, como eu faço amigas!

Não, o objetivo é trazer a reflexão, para todas nós.

Vivemos uma época de maternidade de culpa, de cobrança, de busca por uma perfeição que não existe!

Eu tenho certeza do amor que sinto pelos menus filhos, pelos dois, com a mesma intensidade, e também sei que eles sabem de todo esse amor. Precisamos obviamente estar atentas aos sinais que as crianças nos dão, à mudanças de comportamento, pode ser sim que sejamos injustas em diversas situações, mas se isso não for um padrão de comportamento, não há porque nos cobrarmos tanto.

Beijos – Mari

Deixe seu comentário

4 comentários

  1. Dani comentou:

    Me identifiquei 100%!!! Obrigada pelo texto!

  2. Gigliane comentou:

    Parabéns pelo texto Mari, super oportuno pra mim no momento…estou com 37 semanas de gestaçao do segundinho e me cobro demais por nem sempre conseguir atender todas as necessidades da minha mais velha, pelo cansaço desse final de gestaçao mesmo…e tb percebo que não me conectei tanto com o bebê também…parece que não da tempo sabe. Fico pensando nisso depois que ele nascer…enfim, muito obrigada por partilhar esse assunto, to mais leve!😘

  3. Gigliane comentou:

    Parabéns pelo texto Mari, super oportuno pra mim no momento…estou com 37 semanas de gestaçao do segundinho e me cobro demais por nem sempre conseguir atender todas as necessidades da minha mais velha, pelo cansaço desse final de gestaçao mesmo…e percebo que não me conectei tanto com o bebê também…parece que não da tempo sabe. Fico pensando nisso depois que ele nascer…enfim, muito obrigada por partilhar esse assunto, to mais leve!😘