Independência Infantil – Como estimular determinando limites

De uns tempos pra cá a Nina vem cada vez mais solicitando e se interessando por fazer algumas tarefas com mais independência. Ela sempre foi uma criança que demonstrou gostar de ser independente, diferente do Yuri, que gosta de fazer uma ou outra atividade sozinho, mas que aceita muito mais a ajuda e participação de um adulto, quando comparo em como a Nina se comportava na mesma idade.

Hoje, com com quase 5 anos e 4 meses, a Nina sabe se vestir sozinha, vai ao banheiro para fazer xixi sozinha, toma banho sozinha, escova os dentes, monta seu prato de comida, come, coloca a mesa, tira a mesa, organiza seus brinquedos e mochila da escola, seleciona os canais no controle remoto… não que faça todas essas atividades da mesma forma que eu faço por ela, mas ela gosta e pede muito para fazer muitas coisas sozinha.

Eu fico orgulhosa, feliz, em muitos momentos boquiaberta, em ver como ela é desenvolta, madura e independente, sem fazer comparações com outras crianças da mesma idade, mas olhando para ela, como um indivíduo único.

Só que considero que essa independência, em alguns momentos, pode gerar situações de perigo, arriscadas. E aí, com mais frequência do que há um tempo atrás, eu me questiono como estimular esse perfil, essa característica que é inerente ao comportamento dela, mas com limites, porque não é tudo que ela quer fazer sozinha, ou mesmo acompanhada, que ela pode fazer. E vale lembrar, ela só tem 5 anos, e eu acho muito importante ela entender que pode chegar até um determinado ponto, que passando dali pode ser excesso.

Vou dar alguns exemplos práticos para tentar exemplificar.

Ela adora me ajudar a cozinhar e tem muita vontade de mexer na faca e no fogão. Pois bem, faca e fogão são claramente coisas perigosas já para um adulto, imagine para uma criança. Então nosso combinado é que ela pode me ajudar a cozinhar, pode me ajudar a virar e apertar o botão para ascendermos a chama do fogão, pode usar faca sem ponta no momento da refeição, mas não, não pode mexer em panela no fogo, não pode cortar nada com faca de adulto, com faca afiada. Procuro nessas situações, em que ela tenta insistir, distrair dando outras atividades que ela também ache bacanas, como quebrar os ovos, mesmo que vários pedaços de casca vão cair junto no pote e eu vou ter que retirar depois, lavar a salada, mesmo que isso me custe ter que passar pano no chão da cozinha, colocar a mesa, que é algo que ela faz muito bem, e envolve levar a faca da refeição, uma por uma, sem correr.

Outra situação. Ela já vai ao banheiro sozinha para fazer xixi, se limpa, dá descarga, lava as mãos. Mas há um tempo começou a querer usar o banheiro de porta fechada e trancada. Negociamos que primeiro, ela precisa avisar quando vai no banheiro, porque precisamos saber sempre onde ela está. Segundo, sabendo que ela está no banheiro, ela pode encostar a porta, porque acho importante respeitarmos a privacidade dela, mas não fechar e muito menos trancar. Explicamos que se ela precisar de algo e a porta estiver, principalmente trancada, não temos como ajudá-la. Inicialmente ela reagiu, dizendo que só fechar então ela podia, mas aí apelei para o: Filha, mamãe sabe o que é melhor para você e não quer que você use o banheiro de porta fechada.

Está certo? Pode não estar. Mas eu acredito que o diálogo é sempre a melhor opção, mas que em alguns momentos, nós, como adultos, precisamos encerrar o assunto, senão as crianças nos levam para uma discussão sem fim.

Outro ponto relacionado ao banheiro. Ela quer se limpar sozinha quando faz o número 2, e eu acho que ela ainda não sabe fazer isso corretamente. Porém ela pede muito, diz que alguns amigos já o fazem, e que ela pode e sabe fazer isso. Nesse cenário, primeiro expliquei a maneira correta de uma menina se limpar, depois negociamos que ok, ela pode se limpar sozinha, mas não pode vestir a roupa e sair do banheiro, antes de checarmos se está tudo ok, se não ficou vestígios que possam deixá-la com coceira, com cheiro ruim na roupa, o que podem deixá-la desconfortável.

Esses foram apenas alguns exemplos, os mais recentes e que mais me marcam nessa fase dela. Mas sei que cada vez mais ela vai querer fazer as coisas por si só, e eu acho muito bacana esse interesse partir dela. Vejo a Nina crescendo uma menina segura de si, com personalidade, que respeita o outro. Mas confesso que os passos de independência que ela vem dando, ao mesmo tempo que me deixam felizes, vão me deixando apreensivas, já que cada vez fica mais claro, que não tenho controle sobre ela, seus desejos, seu crescimento, que não é por nada não, tá acontecendo muito rápido…rs.

Dizem que criamos filhos para o mundo. Eu discordo, acho que preparamos filhos para viverem no mundo e saberem enfrentá-lo! Hoje estamos falando do desejo de ir ao banheiro sozinha, de mexer com faca, no fogão, mas isso é apenas um “treino” para situações muito mais complexas que ainda virão. Quero criar uma filha independente, forte, mas o desejo de sempre a proteger pode me sabotar nessa tarefa, confesso…rs.

Como diria Nigel Latta, em “Pais Inteligentes Criam Filhas Felizes”, “Se vamos dizer às nossas meninas que elas são capazes de fazer qualquer coisa, precisamos demonstrar isso na prática”.

Difícil né? Mas a gente se esforça para chegar lá!

Beijos – Mari

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