Tirando a Chupeta… por partes

Há alguns meses fizemos uma tentativa de tirar a chupeta do Yuri, a qual foi frustrada! Não vou entrar em pormenores da forma que a decisão foi tomada, porque eu considero que foi meio atropelada. Mas a decisão foi, “a partir de hoje não usa mais chupeta”.

Foi ruim pra ele, foi ruim pra mim. Eu não estava preparada, e nessas situações acho que a mãe, o pai, o cuidador, seja ele quem for, estar preparado e seguro disso é o ponto de partida. Não foi o caso. E aí voltei atrás, e dei a chupeta de volta.

Imagem Pixabay

Só que se eu achava que ele passava muito tempo com a chupeta na boca, depois dessa tentativa o negócio se agravou. Era como se ele tivesse medo de que “tomassem” a chupeta dele de novo. Ele tirava para tomar o leite, por exemplo, e escondia debaixo da perna, atrás da almofada que estivesse apoiado, e ai de quem chegasse perto! Ele ficava muito bravo!

Eu de verdade entendo, e decidi desencanar. Não fiquei mais limitando o uso e deixei ele à vontade, para usar quando e quanto quisesse, até sentir que ele tivesse recuperado a confiança de que não “tomaríamos” esse objeto dele de novo, algo que considera tão importante. Foi um libertação, pra mim e pra ele.

Com o passar dos dias comecei a reparar que quando pegava o Luli na escola, a primeira coisa que ele fazia ao cruzar o portão era pedir pela chupeta e pelo paninho, que sempre estão juntos. Mas era um pedido meio desesperado, como se tivesse ficado o dia todo sem a chupeta. Bingo! Era exatamente isso que estava acontecendo. De forma muito natural, o combinado de que quando chega na escola guarda a chupeta e só pega para dormir, funcionava super bem e ele passava o dia todo de boa!

Não sei se de forma consciente ou não, um dia qualquer surgiu um assunto do papai noel e conversei com ele, dizendo que quando o papai noel chegasse, se ele daria as chupetas pra ele para ganhar um presente. Contei a história de que a Nina fez isso quando pequena e ele me surpreendeu dizendo que sim, e saiu pela casa chamando o papai noel. Ele entendeu para quem daria a chupeta, só não entendeu que não era naquele momento…rs.

Seguimos por dias com essa história, até que tive reunião na escolinha e a professora sugeriu se poderíamos tentar tirar a chupeta dele, pois ele tinha dado um avanço muito grande na comunicação verbal e a chupeta poderia atrapalhar.

E então as coisas começaram a fazer sentido e eu achei que poderíamos pensar no assunto, mas não da forma que foi anteriormente. Foi quando em um dia de manhã, em que ele estava mais receptivo, ou em outras palavras, mais bem humorado, conversei com ele dizendo que o dentinho dele estava ficando dodói com ele usando a chupeta o dia todo, que com chupeta mamãe não entende o que ele fala, que não precisa usar chupeta para brincar e assistir desenho, que na escola ele só usa para dormir, e sugeri: que tal se em casa o Luli só usar para dormir também?

Rapidamente ele captou, e foi sozinho guardar a chupeta no quarto.

E nesse momento eu internalizei para mim mesma: agora preciso ser firme, preciso estar disponível para os momentos em que ele fique mais irritado, o lembrando da nossa conversa, e mostrando a ele que ele é capaz, algo que me marcou muito quando tiramos a chupeta da Nina, mostrar para a criança que ela é capaz de superar essa dificuldade.

No primeiro dia ele teve alguns inícios de crises de nervos, quando pediu pela chupeta e eu o lembrei da conversa, mas como eu estava centrada e disposta a seguir, rapidamente contornei a situação o distraindo com coisas que ele gosta – brincadeiras, bolachinhas, me ajudar a abrir a janela, coisas do dia a dia mesmo.

Mas me preocupava o momento de buscar na escola, porque o comportamento de sair do colégio e pedir a chupeta era padrão! Então passamos a levar um “agradinho” para dar logo que ele nos encontrasse: uma fruta, uma bolachinha, um pedacinho de bolo, um pãozinho, um suquinho…. e deu certo! Ele se distrai com a surpresa e vai bem para a casa.

Estamos há mais de 1 semana assim, com chupeta só para dormir. Ele acorda e logo que entregamos a mamadeira ele nos entrega a chupeta. Todos os dias ele dá uma resistida, mas muito leve, e tem dias que chegou a passar o dia todo sem pedir.

Percebemos que ele realmente assimilou e as tentativas de solicitar e querer voltar atrás, nos primeiros dias, foram como um “teste” para ter certeza que o combinado estava valendo. Em poucos dias ele teve certeza que valia, e hoje, quando pede, é só relembrarmos que a chupeta é para dormir que ele desiste.

O próximo passo será tirar a chupeta da soneca da escola, pois existiram dias em que esqueci de mandar e, apesar de demorar mais um pouco, ele conseguiu dormir sem o seu acessório.

A última etapa será a chupeta da noite, que na realidade ele não usa durante toda a noite, já que antes de eu deitar, se ele ainda está segurando na boca, tiro com cuidado e ele não pega mais durante a madrugada.

Estou bem animada e acho que estamos no caminho!

Então, se eu pudesse fazer um resumo do que acho que tornou a estratégia dessa vez mais eficiente que a primeira foi:

* Eu estar preparada, tranquila emocionalmente, segura, estar ciente e disposta a estar com e para ele, e determinar isso como prioridade, nos momentos em que ele possa se demonstrar muito nervoso pela falta da chupeta.

* Escolher um momento em que a criança está tranquila para iniciar o processo. Ele vinha dormindo bem, comendo bem, brincando bastante. Sabemos que as crianças passam por fases de mais irritação, e quanto iniciamos esse processo novamente, Luli estava em um período tranquilo.

* Ele estar se comunicando melhor, principalmente compreendendo o que falamos. Percebemos em outras situações que isso estava acontecendo, e o combinado da chupeta só para dormir nos deu a certeza disso.

* Ter coerência no discurso e na ação. A partir do momento que dissemos que era só para dormir, não voltamos mais atrás, e ele entendeu que nossa palavra tem valor.

E vale dizer que essa é a estratégia que estamos adotando com o Yuri, que foi diferente da que adotamos com a Nina, e que é diferente da que foi escolhida para a Maria, para o João, para a Gabriela, para o José, e para crianças diversas.

Acho que esses assuntos (chupeta, mamadeira, desfralde…) não têm fórmula milagrosa. Tem a sensibilidade de compreender a personalidade de cada criança e tentar ajustar o que pode ou não funcionar pra ela. Se o meu relato puder ajudar, ótimo! Ficarei feliz :-)

Espero voltar logo para contar, também com sucesso, sobre a saga da chupeta noturna!

Beijos – Mari

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3 comentários

  1. Susana comentou:

    Oi Mari,
    Por aqui a história foi parecida. Para tirar a chupeta da noite usei a seguinte estratégia:
    meu filho sempre adorou os peixes da casa dos bisavós e sempre pediu pra ter em casa. Lembrei de lhe perguntar se estaria disposto (no dia que fez 3 anos) a oferecer suas chupetas para os peixes e em troca eles trariam pra casa dele um aquário com peixes.
    Fui preparando o terreno por 2 meses e no dia D ele próprio disse que queria dar as chupetas pros peixes! Sem drama, sem arrependimento. Chegou em casa e foi a alegria total com o presente!
    Foi tudo fácil? Não!!! A primeira noite arrependeu-se e foi quase em claro! Mas quando percebeu que não iria ceder se conformou. Durante a primeira semana foi pedindo e eu reforçava que ele já era grande que até tinha peixinho pra cuidar, e ele sentia-se importante e esquecia o assunto. Agora (6 meses mais tarde) já nem fala da chupeta!

    1. Esse período de adaptação é bem normal mesmo, a Nina passou por essa fase também. Espero que por aqui dê certo também! Beijos

  2. Vai dar certo Mari!!! Quando for minha vez vou seguir suas dicas porque por aqui a chupeta já faz parte dele kkkk bjo