Coluna da RafaPsi: Um Caso de “Desempatia” Materna

Farmácia de shopping, sábado a tarde:  entra uma mãe vestida de “mãe”= olheiras, coque, roupa que tinha na hora. No carrinho sua bela filha de 6 meses. Na fila do caixa a “mãe” encontra uma velha conhecida. Segue o diálogo:

– Oi “fulana” quanto tempo?! Nossa que linda tá sua bebê.
– Oi… É, tá linda né? Está com 6 meses.
– Nossa que maravilha. É muito bom né?  Muito prazeroso.
– É né. É bem cansativo.
– Imagina, é muito prazeroso. Passa muito rápido.
– Nossa eu tô tão cansada…
– O que é isso? Logo você vai sentir saudade.
E continuou essa “desempatia”.
Imagem Pixabay
De um lado a mãe querendo falar dos seus sentimentos, e de outro a “colega” não ouvindo. Povo e pova de meu Deus: “Deixe a mãe falar!!”
Muitas vezes a maternidade se torna ainda mais solitária por conta desses diálogos,  ou seja, de um lado você quer colocar pra fora as suas angústias e de outro a pessoa fica tentando te convencer que “isso não é nada”, “tem gente pior”, “você tem que agradecer por seu bebê ser saudável…” e etc. Isso eu chamo de “desempatia”!
Abram os ouvidos. Ouçamos mais. Falemos menos.
Eu sei que muitas vezes essas conversas acontecem sem tom algum de maldade. Falamos porque imaginamos que sempre temos que “consolar” o outro ou oferecer algo que faça a pessoa mudar de postura. Infelizmente isso acaba afastando. Cria abismos. A pessoa vai se silenciando porque não encontra abertura para falar.
“Deixe a mãe falar!” Não sabe o que dizer diante do que ouviu? Diga isso! Mas ofereça sua ajuda. Vamos recriar aquele encontro trágico da farmácia. Segue um possível e empático diálogo:
– Oi “fulana” quanto tempo?! Nossa que linda tá sua bebê.
– Oi… É tá linda né? Está com 6 meses.
– Nossa que maravilha. É muito bom né? É muito prazeroso.
– É né. É bem cansativo.
– Tem se sentido muito cansada?
– Ah bastante.
– Faz assim, eu te ajudo a carregar ela agora, enquanto você paga. Assim eu mato a saudade dessa fase.
Simples. Aberto. Empático.
“Deixe a mãe falar!” muitas vezes é não compartilhar o que foi a maternidade para você. Você terá oportunidade para contar a sua história, trocar experiências. Mas existem momentos e momentos. Tenha sensibilidade.
“Deixe a mãe falar!” é não condenar. É abrir portas. E pode ser que o que venha dessa abertura não seja tão “fofinho”, mas imagina se isso fica guardado? O tamanho do estrago?
Empatia é aproximar.
Rafaela Weidmann – Psicóloga CRP 08/12462. Especialista em Saúde Mental / Especialista em Psicologia Corporal / Especialista em Terapia de Família e Casal.

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1 comentário

  1. Mariana Meireles comentou:

    É assim msm…que nem quando eu falo q sinto falta de ter outro bebê em casa, mas daí olho pra minha filha de quase três anos e ela tá aprontando e eu desisto! O quanto q eu recebo de críticas! Como se a maternidade fosse só flores!! Eu amo a minha filha, mas não tenho paciência para muitas crianças!! Então, outra dica, quando uma mãe diz q só um filho basta, pra vc pode ser q não, mas pra ela basta sim! Por mil motivos! Mas o principal é q as vezes nós não queremos dar conta de mais uma cria e tá tudo bem…😎😉