Coluna da RafaPsi: O que não é dito é imaginado

O que não é dito é imaginado! Desde que ouvi essa frase pela primeira vez, ela nunca mais saiu do meu vocabulário, chego mesmo a afirmar que usava ela diariamente nos meus atendimentos (lembrando que estou “mãe” por 6 meses).

Vale para crianças ? Sim, com certeza!!!

Vale para adultos? Sim, mais certeza ainda!!!

Hoje vou focar no mundo infantil, mas fica a promessa de falarmos sobre isso e sua aplicação na vida do casal, ok?

Imagem Pixabay
Que a criança tem uma capacidade imaginativa que vai “ao infinito e além” nós já sabemos né? Mas o que não valorizamos é que isso não é utilizado somente em relação às brincadeiras e diversão, muitas vezes a criança solta a criatividade para lidar com aqueles assuntos, aqueles sabe, que você adulto evita falar ou insiste em esconder.
Claro, tudo precisa ser analisado com cautela, existem temas e problemas que são do mundo dos adultos e lá devem permanecer. Isso significa que aquela D.R. entre o papai e mamãe, enquanto a criança vê seu desenho na TV, está acontecendo no local e na hora errada. Seu filho é capaz de ligar o “radar” em situações que você nem sonha. Porém, existem outras circunstâncias familiares, sociais e emocionais que envolvem diretamente o pequeno e que precisam ser ditas, traduzidas, explicadas e expressadas. Vou exemplificar com situações que vivi em consultório:
1- Vovô morreu, mamãe achou que o filho não saberia lidar com o tema, logo, inventou uma viagem para o vovô. A criança começou apresentar comportamentos agressivos, em sessão individual o tal “vô viajante” aparece na seguinte fala da criança: ” eu gostava muito do meu vovô, mas ele foi embora e nem falou comigo, ele não gosta de mim, não me liga”.
2- Pais separados que se “perdem” nos próprios sentimentos para explicar o que está acontecendo, daí já ouvi muitos absurdos: “papai não gosta de você e foi embora” “mamãe te trocou por outra família”…
Morte, separação, doença, desemprego, mudanças são SIM temas difíceis e, justamente por serem complexos para os adultos, que temos tanta dificuldade para explicá-los aos filhos.
A minha sugestão não vai aliviar sua angústia de “como eu faço”, mas talvez sejam os primeiros passos:
Esteja bem resolvido com o que você tem a dizer. Isso não significa que você é um bloco de gele insensível e irracional, mas que diante da criança você precisa ter um pouco mais de maturidade com determinadas situações e emoções.
Quando a criança quiser conversar ou perguntar, não invente desculpas, não tente despistar ou distrair, esteja preparado (se não estiver em local e horário apropriado para o assunto, prometa (e cumpra) que a conversa será depois).
Explique, re-explique, traduza a situação uma, duas…dez vezes. Alguns processamentos demoram para ser elaborados tanto para adultos quanto para crianças.
Acredite, fica mais fácil quando estamos lidando com a verdade.
Rafaela Weidmann – Psicóloga CRP 08/12462. Especialista em Saúde Mental / Especialista em Psicologia Corporal / Especialista em Terapia de Família e Casal.

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