E se fosse o seu filho?

Fiquei pensando se eu escrevia ou não esse post, porque acho que pode gerar certa polêmica, e não gosto de ficar abrindo certas discussões aqui. Mas como acredito que esse espaço tem que servir também para reflexões, principalmente para assuntos que ainda são um tabu, achei que valia a pena.

Na última sexta-feira deixamos as crianças em casa com uma pessoa de confiança, e fomos, eu e meu marido, comemorar o aniversário de um amigo.

Como não foi nem cogitada a possibilidade de não ir, já que o aniversariante é alguém querido e importante para nós, também nem nos importamos com o local. Somente no dia, com um pouco mais de 1 hora antes de sairmos de casa, acessei a internet para ver a fachada do local, me localizar, pensar com que roupa iria.

Quando vi a imagem do local, digamos que achei um lugar um tanto quanto alternativo e, sem hipocrisia, um local que eu não entraria se não fosse em uma circunstância como a que passei, ou agora, depois de já conhecer.

Achei que não precisava me preocupar muito com a roupa que iria usar, me arrumei mais ou menos e fomos.

No caminho, minha amiga foi descrevendo o local, as cenas e achei que seria uma noite, no mínimo, diferente…rs.

Imagem Pixabay

Chegando lá, eu não sabia nem como me comportar. Era realmente um lugar bem alternativo, com pessoas diferentes de mim, do meu estilo… um cara animado, com um cabelo bem peculiar, dançava levando ao pé da letra: dance como se ninguém tivesse vendo. Ele era o único dançando com tanto entusiasmo logo no início da noite, mas isso não parecia o abalar. Duas meninas abraçadas, conversando com um grupo de pessoas, olhavam uma para a outra quando, de repente, uma delas desce a mão e aperta o bumbum da outra… eu não sabia se eu olhava pra baixo, pra cima, pro outro lado… no fim eu ri, e acabei pensando que aquilo também poderia me deixar sem graça se estivesse acontecendo entre um homem e uma mulher. Tinha gente vestida de paetê, gente maquiada, gente que mal tinha penteado o cabelo, gente de chinelo havaiana.

Eu, que achei que tinha me arrumado de forma desencanada, estava me sentindo arrumada até de mais…rs.

Fomos pegar uma bebida, alguma coisa para comer e sentamos com nossos amigos em uma mesa. Era fato, nós éramos os mais “fora da casinha”, e aí, que o tempo foi passando, a música estava legal, levantamos para dançar, circulamos pelo local, e no fim das contas, algo que eu poderia torcer o nariz, que poderia me munir de diversos preconceitos, apesar de não me considerar preconceituosa com pessoas, mas sim, assumo que tenho certo preconceito com lugares, acabou sendo uma noite muito divertida.

Lá ninguém estava preocupado com o outro, com a roupa do outro, com o jeito que o outro dançava, com quem o outro estava se relacionando. As pessoas estavam ali se divertindo, dançando, cada um respeitando o espaço do outro, independente das escolhas feitas.

Não vem ao caso e nem me interessa saber o que aquelas pessoas fazem fora dali, mas ali, naquele momento, nada de errado, nada que pudesse chocar, nada de absurdo acontecia. Só que se eu tivesse só passado ali na frente, vendo aquele monte de gente diferente, ou até estranha, em um primeiro momento, teria com certeza imaginado que não seria o “tipo de lugar” que gostaria que meus filhos frequentassem.

E então vem a pergunta. E se fosse o seu filho? E se fossem os meus filhos?

Estávamos esperando o Uber para ir embora e meu marido me perguntou: será que a Nina e o Luli vão gostar de ir em lugares assim?

Fiquei pensando e disse que não sabia.

Só que essa pergunta e essa resposta ficaram “matutando” a minha cabeça depois. Porque no fim das contas, se eles gostarem, se eles se tornarem pessoas diferentes, aos olhos da sociedade, como eu lidaria com isso?

Sinceramente, eu não sei. É bem difícil dizer o que faríamos em x ou y situação quando não vivemos na pele. Mas posso dizer o que penso hoje, o que acho, que é o que considero a base de todos os meus valores e princípios que busco ensinar aos meus filhos. Não importa as escolhas feitas pelos outros, podemos ou não concordar, mas independente de qualquer coisa, temos que respeitar!

Não é a roupa que o outro veste, o jeito que fala, a orientação sexual que define o caráter de ninguém! O que define o caráter e o quão íntegro alguém é, muitas vezes não estará visível aos nossos olhos.

Há uns meses atrás, acompanhei um documentário no canal GNT sobre transexualidade. Estava assistindo um programa de receitas com a Nina e passou o comercial do documentário, com um rapaz, com barba, cabelo comprido e batom rosa na boca.

Logo a Nina falou: mamãe, olha esse moço! Ele tá de batom! Ele não pode usar batom, batom é mulher que usa.

Eu respondi que não, que se ele quisesse usar batom ele podia usar. Se ele se sentia bem assim, se ele não tivesse fazendo mal para as outras pessoas, que não tinha problema ele usar batom. Falei que é mais comum vermos mulheres usando batom, mas que alguns homens também gostam de usar, e isso não é um problema.

Ela prestou atenção e falou: mas isso não é um pouco estranho? E eu respondi dizendo que aquilo era diferente, não estranho, e que temos que respeitar as coisas que achamos diferentes.

Dias depois ela me perguntou sobre uma personagem de um desenho, que usava umas roupas “estranhas”… eu falei que achava aquela personagem meio estranha, que aquelas roupas eram malucas. Rapidamente ela me retrucou: mamãe, ela não é estranha, ela é diferente! Ela pode usar qualquer roupa que quiser.

Toma mamãe! rs

E voltando ao meu passeio, para conseguir fechar a minha linha de raciocínio e fechar o post, estava rodeada de pessoas de várias idades, provavelmente crenças, escolhas diferentes das minhas… eu gosto muito de observar pessoas e, provavelmente, dentre aqueles que ali estavam, muitos devem ser o “orgulho da mamãe”, enquanto outros devem ser “uma vergonha” aos seus entes mais próximos.

Então, se fosse meu filho, eu gostaria de estar no grupo das mães dos filhos que são o “orgulho da mamãe”.

É isso. Mais amor, menos julgamento, em qualquer situação… os exemplos que dei aqui foram de uma noite em São Paulo, mas já que o blog é sobre maternidade, apliquem à julgamentos maternos também, ou a qualquer outro tipo que julguem ser coerente.

Beijos – Mari

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