As Finanças do Empreendedor

Na semana passada eu falei para vocês sobre como ficou a minha relação com a família depois que deixei a carreira no mundo corporativo e me tornei uma empreendedora. E hoje vou falar sobre um outro tema que as seguidoras me pediram, que é sobre as finanças do empreendedor, no caso, dessa empreendedora que vos escreve…rs. Porque eu não sei a realidade de cada um que vive essa #vidaloka de empreender nesse país afora, mas sei da que estou vivendo né?

E eita assuntinho para deixar a gente de cabelo em pé, finanças!

Imagem Pixabay

Pois bem, esse foi um dos principais pontos que pesaram na minha escolha. Na verdade foi o ponto que mais dificultou a minha escolha, já que eu tinha um salário garantido todos os meses, benefícios, férias, décimo terceiro, bônus. A vida de um profissional com carteira assinada, guardados os fatos e problemas que a crise econômica trouxe ao nosso país, é uma vida com certa segurança, tranquilidade em relação ao pagamento das contas.

Aí que, em pleno momento de crise, a pessoa decide ir no caminho totalmente inverso do que boa parte da população faria. Resolve largar tudo e ir empreender, ir procurar outra forma de gerar renda. Seria uma ilusão, uma loucura, uma insanidade mental (rs)? Para muitos pode ser que sim, para mim não.

Em nenhum momento eu imaginei que ganharia alguma coisa logo de cara. Não criei essa ilusão, não criei essa expectativa. Durante anos eu poupei, um aprendizado que meu marido trouxe pra mim, mesmo sem imaginar que minha vida seguiria esse caminho.

Quando comecei a pensar nessa possibilidade a primeira coisa que comecei a fazer foram contas! Contas, contas, infindáveis contas! O que gasto hoje? O que posso deixar de gastar? O que não tenho como deixar de gastar? Quanto tenho guardado? Quanto tempo UMA PARTE do que tenho guardado pode manter minhas despesas básicas (porque eu não queria ter que mexer em todas as minhas reservas)? Quanto das minhas reservas estou disposta a usar até ter lucro com um novo negócio? Quanto tempo, em dados estatísticos, uma pequena empresa começa a dar lucros para seus sócios? Esse tempo é algo aceitável, caso eu não tenha nada de lucro? E se eu precisar colocar dinheiro do meu bolso na empresa para recuperar depois?

Ou seja, foram muitas perguntas, foram dias e dias de planilhas de Excel calculando e recalculando, pensando que poderia ser muito arriscado, em outros momentos pensando que eu acreditava no que estava imaginando.

As perguntas e respostas para tomar uma decisão como essa vão variar de pessoa para pessoa, mas não dá para sair se jogando sem pensar, racionalmente, por um período.

Depois de fazer minhas contas individualmente, o marido entrou no jogo também, afinal, eu não teria mais como contribuir com as despesas da casa como vinha fazendo, até que minha empresa começasse a ser lucrativa, e ele precisaria segurar as pontas sozinho. Então veio mais uma pergunta, esse é um momento tranquilo para a nossa família? Temos dívidas em aberto, temos gastos familiares que conseguimos reduzir ou cortar?

Conversamos, nos entendemos, ajustamos algumas arestas e a decisão foi tomada.

Eu pedi demissão, não tive acordo, não fui demitida, ou seja, não recebi nada além do que o salário, décimo terceiro e férias proporcionais.

Mas e agora, com quase seis meses de Panela de Duas, como as coisas estão?

As coisas estão com eu mexendo nas minhas reservas, como eu já previa que iria acontecer. Cada caso é um caso, cada empresa é uma empresa e, no nosso caso, estamos conseguindo pagar os investimentos com o que temos de entrada, porém, o que sobra ainda não é suficiente, pois todos os meses há novos investimentos que precisam ser feitos, além de novos investimentos se fazerem necessários para os meses que virão.

A empresa vem se mostrando saudável financeiramente, mas o que ela gera de receita, boa parte é mantida para ela pagar novos investimentos, para que, como sócias, evitarmos ao máximo, ter que colocar dinheiro do nosso bolso. O que, se fosse necessário, principalmente nesse início, não pode ser encarado como um problema. Teve mês em que isso aconteceu, e depois recuperamos… estamos ainda entendendo essa variação de um mês dar mais e outro dar menos. Faz parte do jogo.

E aí vem um ponto que acho importantíssimo para quem vai começar um negócio: as suas finanças pessoais não podem estar no mesmo controle que as finanças da sua empresa. Não comece assim, não siga por esse caminho, uma hora isso não vai dar certo. A empresa precisa ter suas finanças e seus controles totalmente individualizados da sua vida pessoal. Ou seja, se eu preciso pagar o meu cartão de crédito e tem saldo na conta da empresa, eu JAMAIS irei usar esse dinheiro. Não importa se a empresa é só minha, se é com a minha sócia, isso está errado, você perde o controle, você começa a misturar, você não tem a verdadeira noção se o seu negócio está sendo lucrativo ou não.

Então é inevitável, eu venho mexendo sim nas minhas reservas. E o que acontece é que tenho tido cada vez uma consciência de consumo maior, porque sei que minhas reservas são finitas, assim como acredito que minha empresa irá gerar lucro, que terei uma retirada. E também sei que para chegar a ganhar o que eu ganhava no meu emprego com carteira assinada, se somar o meu salário com todos os benefícios que tinha, vai demorar muito!

O céu é o limite para um empreendedor, e isso é um cuidado que eu e minha sócia temos, já que escolhemos essa vida não para enriquecer (se acontecer, ótimo, mas não é o objetivo principal…rs), mas para viver essa vida com mais qualidade, então precisamos de limites, não queremos, pelo menos por enquanto, chegar no céu. Esse equilíbrio é bem difícil de conseguir.

Um empreendedor também precisa ter paciência. Se você não tem uma reserva ou um pai rico (rs), que vai investir para seu negócio já começar com toda a estrutura necessária, o crescimento dessa empresa virá com o trabalho de formiguinha. A cada mês você analisa se é possível investir em mais uma coisinha aqui, no outro mais um pouquinho, e aos poucos você vai construindo a sua história, vai se estruturando, a necessidade de compras e grandes investimentos vai diminuindo, e aí sim os lucros começam a vir.

Mas demora, não é de um dia para o outro, e muitas pessoas não resistem a um novo negócio porque não se planejaram ou não exercitam a paciência de que, um mês fechar no negativo não significa que você está fadada ao fracasso.

Tenho percebido que o tema empreendedorismo materno é algo que interessa muita gente, então, deixem nos comentários de que forma podemos abordar esse assunto em novos posts. Vocês me ajudam a criar conteúdo e eu ajudo vocês com minhas experiências e relatos.

Beijos – Mari

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