Coluna da RafaPsi: Nasce um Bebê, Nasce uma Mãe – Será?

O tema do puerpério sempre me foi interessante, mas a vivência dele me ensinou o que os livros não souberam me explicar. Engraçado,  porque agora leio os relatos com outros olhos. Escuto as mulheres falando e consigo, magicamente, ouvir as entrelinhas do que elas estão querendo me dizer.

Sim, o pós parto ainda é um tabu. Vivemos numa sociedade despreparada para lidar com os sentimentos da mulher que acabou de ganhar um bebê, e não importa se foi uma gestação planejada, desejada, se foi um susto ou descuido.  Chego realmente achar que antigamente tínhamos mais respeito pela puérpera. A tal “dieta” ou “quarentena”, que sua avó lhe fala, não era somente um período de proibições (“não pode lavar cabelo”, “não pode comer tal coisa”), mas também um momento em que a mulher ficava sob os cuidados de outra mulher (tia, avó, sogra…), e tinha a chance de realmente ter seu bebê como prioridade.

Mari, em seu puerpério. Registro de Karim Scharf, para o Projeto Seven Days of Life

E hoje?

Hoje você tem que lidar com um corpo que não é o mesmo de antes, com um cansaço que não acaba, com as emoções que estão mais a flor da pele do que nunca, e tudo isso SORRINDO? Não não meu bem, nem sempre isso é possível. Se você conseguiu, meus parabéns, mas me permita compartilhar minha vivência, talvez seja útil para você ou para uma conhecida, vizinha, amiga …

Eu desejei e planejei meu bebê.

Eu tive uma gestação sem intercorrências.

Eu pratiquei atividade física e dormi tudo o que precisava e podia.

Eu trabalhei e cuidei da casa sozinha durante todo esse período.

Li livros, assisti documentários, ouvi outras mães e …e estou aprendendo a amar meu filho a cada dia. Me condene sociedade. Rs*

Sabe aquela famosa frase “nasce um bebê e nasce uma mãe” ? Pois é, no meu caso não se aplica. E não me diagnostiquem, porque eu mesma passei alguns dias repetindo os mantras:  “isso não é depressão pós-parto”, “vai passar, é normal”.

Pois é mulher moderna, que trabalha, malha, não mora perto dos pais, É NORMAL E VAI PASSAR!

Então, se você teve bebê e chora sem motivo, toma banho pensando “o que eu fiz da minha vida”, amamenta chorando de dor das fissuras,  perdeu a vergonha de ficar andando com os peitos para fora dentro de casa, isso é MATERNIDADE.

E o amor? Você não ama seu filho? Claro que o amor existe, e ele se torna maior e melhor a cada dia, assim como eu vou descobrindo, diariamente, como ser mãe.

Conselho práticos:

Tenha uma rede de apoio e aceite ajuda.

Tome um bom banho.

Por minutos que seja, deixe o bebê com alguém (sim, você pode fazer isso e não irá para cadeira elétrica) e saia para ver o mundo.

Reze, ore, cante, dance.

Não se culpe tanto.

E se você considerar que nada melhora com o passar dos dias, procure ajuda. Não fique sozinha nessa empreitada.

Beijos – Rafa

Rafaela Weidmann – Psicóloga CRP 08/12462. Especialista em Saúde Mental / Especialista em Psicologia Corporal / Especialista em Terapia de Família e Casal.

Email de contato: rafananda84@gmail.com

Instagram: @rafanandapsi

Grupo do Facebook: Disciplina Positiva Londrina

Deixe seu comentário

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

3 comentários

  1. Carolina Spinetti comentou:

    Perfeito!!!!

  2. Aline amorim comentou:

    Você conseguiu definir exatamente o que sentia! Mas passou e hoje, se Deus me permitir, viver isso de novo vou viver de uma forma leve e tranquila! ?
    Ou ao menos tentar..