Trabalhar em Home Office e a Rotina das Crianças

A Nina e o Luli frequentam a escolinha desde os 6 e 7 meses de idade, respectivamente, quando chegaram ao fim as minhas licenças maternidade e, até eu deixar minha carreira corporativa, passavam um período de 10h na escola.

Com a nova rotina reduzimos o período escolar para 6h diárias. A ideia era passar o período da manhã COM eles e PARA eles, e ter o período da tarde para trabalhar. Pois bem, a ideia não se concretizou e, para início de conversa, eles estavam ficando efetivamente na escola por aproximadamente 5h, isso porque eu raramente conseguia deixá-los no horário de chegada que estava definido em nosso contrato.

A rotina não se encaixou. Por um período as coisas pareciam que estavam funcionando e que iria dar certo, mas não, não deu. Com o passar dos dias, cada vez eu encontrava mais dificuldade em manter uma rotina regrada para as crianças.

A Nina já há algum tempo não dorme mais durante o dia. São em situações bem esporádicas que isso acontece. Já o Yuri, sempre dormiu após o almoço na escola, por volta das 11h30. Em casa, para que eles estivessem prontos até 12h15, horário que eu deveria levá-los ao colégio, ele precisava dormir mais cedo, só que ele não tinha sono para dormir mais cedo. Nos primeiros dias foi tranquilo, provavelmente ele ainda estava cansado da rotina agitada e cheia de energia consumida na escola, e dormia entre 9h – 10h. Só que os dias foram passando e ele não queria dormir mais. Teve dias de eu ficar 40 – 50 minutos com ele no quarto, tentando fazê-lo dormir e nada!

Aí ele queria dormir depois do almoço, eu deixava até o horário limite do início das atividades pedagógicas, ele não dormia o suficiente, e acordava em um mal humor horroroso! Chegava na escola irritado, chorando, não queria descer do carro, não queria entrar, era um Deus nos acuda! Eu entrava no carro para voltar para casa e suspirava de alívio, porque aí, o choro e o mal humor de cansaço passavam a ser problemas das tias. Egoísta isso né? Mas quem nunca se sentiu assim?

Teve também os dias em que ele não dormia em casa, mesmo depois do almoço, e aí ele voltava da escola muito irritado, esgotado de cansaço!

Eu tentei dar o almoço mais cedo, mais tarde, colocar para dormir mais tarde, seguir à risca o horário de dormir. Nada pareceu dar muito resultado.

Além disso, a Nina começou a apresentar problemas de comportamento no colégio, coisa que nunca tinha acontecido antes. Eu me senti péssima! Pensava em como era possível eu ter revirado a minha vida, muito em função deles, e as coisas estarem tão confusas.

Nessa eu vinha trabalhando quase todos os dias à noite, depois que eles dormiam, e com uma frequência bem grande de madrugada. De início pensei, ok, estou começando um negócio, ajustando a rotina, isso será necessário. Mas meu marido foi percebendo as coisas, a forma com que tudo vinha acontecendo, e foi tendo a sua rotina prejudicada também.

Como eu acabava indo dormir muito tarde, ele ficava com dó de deixar eu acordar com as crianças no dia seguinte, que estavam levantando por volta das 6 – 6h30. Aí ele assumia o período da manhã e me deixava dormir até a hora de se arrumar para ir trabalhar. Nessa ele acabava assumindo a rotina das crianças de leite, fralda, banho, etc, tanto de manhã como de noite, e não estava mais conseguindo ajustar a sua própria rotina, para ter um tempo pra ele, de academia, respiro, descanso. Ok, eu também não tinha, mas isso não era uma desculpa, mas sim um alerta! Sem contar que se eu seguisse naquele ritmo, por mais feliz e realizada que estava (e que ainda estou), chegaria uma hora que eu iria pifar!

Foi então que ele me propôs a aumentar o período das crianças na escola, pois claramente o tempo que tinha para trabalhar, sem as crianças em casa, estava longe de ser suficiente.

De primeiro momento eu resisti, fui reativa. “Como? Eu mudo toda a minha vida, a minha rotina, para estar mais perto das crianças, e você quer que eu volte eles o dia todo na escola? Não tem sentido!”

E depois da primeira reação comecei a pensar mais racionalmente e, na verdade, a forma que eu estava levando a minha rotina e conduzindo as coisas é que não tinha sentido.

Eu estava acordando próximo do horário do lanchinho dos dois. Tomava café correndo (o que detesto), e já preparava o lanche. Aí tentava arrumar alguma bagunça, pensar no que iria fazer para o almoço, às vezes passava “uma eternidade” tentando fazer o Yuri dormir, enquanto a Nina ficava irritada e carente esperando, e dá-lhe manha e malcriação. Quando esse processo acabava, e às vezes nem acabava, eu precisava fazer almoço, lancheira, arrumar mochila.

Aí chegava a hora do almoço, muitas vezes o maior estresse com o Yuri que está naquela fase de selecionar, de reclamar, de não querer comer.

Quando os dois acabavam de comer, corria para trocar, escovar dentes, pentear cabelo, trocar fralda, engolia uma comida (quando dava), e acabou, era hora, ou já passada a hora, de levar os dois para a escola. Alguém se identifica com essa doideira?

E aí, e o sonhado tempo com eles? E o tempo de qualidade?

Sejamos sinceras, esse tempo não estava existindo quase nunca!

Chegou o mês de julho e eles frequentaram o curso de férias, durante uma semana, em um horário prolongado ao que estavam durante às aulas. BINGO! Foi uma semana de MUITO trabalho na Panela de Duas, mas extremamente produtiva, de tempo de QUALIDADE com os dois, onde, mesmo quando eu não acordava tão cedo, acordava com eles, passava as primeiras horas da manhã com eles, brincávamos, nem que fosse 20, 30 minutinhos juntos, eles tomavam o lanche, eu os arrumava, sem estresse, sem sono atormentando o Yuri, e iam os dois para a escola.

Lá tinham um tempo para brincar com os amiguinhos, antes do almoço, algo que a Nina vinha sentindo muita falta e vinha reclamando, pois chegava na escola já no horário pedagógico e não tinha aquele tempo livre de recreação, que sempre teve.

Depois do almoço o Luli dormiu todos os dias, descansou, chegavam mais tranquilos em casa.

Foi aí que eu me desarmei, pensei, refleti. Eu deixei a minha carreira corporativa, mas eu não parei de trabalhar. Pelo contrário, eu trabalho muito mais do que eu trabalhava! O que muda é que eu trabalho em casa, eu tenho mais FLEXIBILIDADE de horários, mas eu não tenho tempo livre e disponível para estar durante horas do meu dia brincando e satisfazendo as necessidades das crianças.

Não ter que levantar e fazer tudo de forma “atropelada” pela manhã, fazendo com que as crianças cumpram os meus horários, que é o que acontecia até um tempo atrás, enquanto tinha obrigações a cumprir no escritório, já é um ganho e uma melhora na qualidade de vida da minha família incalculável. Eu passar uma manhã inteira com eles, não se encaixava na minha nova rotina. Mas eu me dedicar algumas horas na manhã para eles, mesmo que poucas horas, podia sim fazer uma diferença muito maior do que estar perdida entre afazeres e demandas dos dois, por 5 ou 6 horas seguidas.

E então ampliamos o horário das crianças na escola para 8 horas diárias. Há 15 dias é essa a nossa rotina, com alguns contratempos que aconteceram, mas a que está funcionando!

Há 15 dias não trabalho uma madrugada sequer, não trabalho até altas horas da noite. Alguns dias tenho manhãs mais corridas, outras totalmente livres para eles, e não fazer nada em relação ao trabalho ou à casa até eles irem para a escola não me preocupa, porque sei que terei, de fato, 8 horas diárias para estar resolvendo as minhas coisas pessoais e do trabalho com eles na escola. Isso tem feito toda a diferença, tornou tudo mais tranquilo.

Luli tem descansado diariamente, Nina tem seu tempinho para brincar livre com as amigas, temos o nosso tempo juntos, tenho tempo para trabalhar e um tempinho, bem curtinho, ainda pra mim.

As metas que estabeleci para o segundo semestre eu venho cumprindo e também estão me ajudando muito! Mas eu assumo, sem qualquer problema, que errei na forma de conduzir minha rotina nos primeiros meses da minha nova vida.

Não me arrependi em qualquer momento da decisão que tomei, isso nunca nem passou pela minha cabeça, mas acertar os pontos desse novo dia a dia não é algo tão simples. Talvez eu tenha subestimado todo esse processo.

O bom é que parece que as coisas estão entrando nos eixos, que os ponteiros estão se acertando, que o equilíbrio, aos poucos, vem vindo.

E se daqui um tempo achar que não está funcionado, e novas adaptações tiverem que ser feitas, qual é o problema?

A gente vai lá e ajusta de novo ;-)

Beijos – Mari

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6 comentários

  1. Cy comentou:

    Mari, desde sempre acompanho seu blog com a convicção de seguir alguém real, que vive a maternidade real, com os atropelos da mesma vida real que muitos tentam esconder na rede! Parabéns por tentar! Vamos acertando juntas nossas rotinas sem incorporarmos a culpa que faz sofrer, mas as pequenas vitórias da vida de mamães, trabalhadoras, esposas … que somos! Bjs

  2. Vanessa comentou:

    Mari, pra quem é “mãe em tempo integral”, digo que não tem outro trabalho além de ser mãe, já é uma correria o dia a dia. Ter que conciliar ficar em casa cuidadando das crianças e ainda trabalhar, mesmo que seja pra você, deve ser impossível.
    Fiquei super feliz quando você falou que tinha diminuído o número de horas que as crianças ficam na escola, afinal eu sou daquelas maes que morre de dó de deixar bebe na escola, de dar rotina de adulto para as crianças. Eu escolhi parar de trabalhar é viver minha vida em função da minha bebe nesses primeiros anos. Mas entendo tudo que escreveu e o motivo da mudança, e também seus filhos estão tão acostumados em ficar muitas horas na escola que deve ter sido um impacto grande para eles também. Que essa nova rotina se encaixe para vocês e sejam muuuuito felizes. Eu tenho achado você meio “down”, doente com mais frequência. Se cuida mulher e volta com todo aquele animo e disposição que você sempre teve. Você sempre foi uma inspiração pra mim!!!! Beijos. Vanessa

    1. Muito obrigada pelo carinho Van!!! Tudo está caminhando bem sim, graças a Deus. Obrigada pelo preocupação. Beijos

  3. Tatiane comentou:

    Muito bom!!! Adoro seus textos, muito reais!! Continue sempre a nos contagiar com textos fantásticos da rotina diária de quase todas as famílias!! Bjos! Taty