Coluna da RafaPsi: O Pai

Podia escrever sobre a função paterna segundo a Psicanálise, ou a paternidade para a teoria
sistêmica. Podia escrever textos e mais textos sobre a importância do pai na vida das crianças segundo alguns teóricos, mas quer saber… quero hoje falar do dia-dia, da vida real, da paternidade segundo eu mesma. Rs*

Infelizmente vivemos em uma sociedade que muitos valores e conceitos estão em processo de transformação e muita, muita coisa mesmo, está “incrustada” em nossos pensamentos e
vocabulários. Incrustada para mim é igual “craca”, daquelas que a gente batalha para tirar e
sempre acha que não ficou bom. Vou então listar algumas dessas “cracas”que atrapalham a
relação dos pais com os filhos:

1- O pai que ajuda

Mas Rafaela o pai não tem que ajudar? Negativo! Ajuda é quando você tem uma
responsabilidade só sua e vem alguém e dá uma mão. Pai tem que participar, acredite
em mim, tal mudança de palavras causa um efeito imenso internamente, uma vez que
não é tão somente uma mudança de palavras. Quando você como mãe, aceita que o
pai te ajude, te dê uma “mãozinha”, você assume para si todo o processo de
desenvolvimento e educação de uma criança, e vamos conversar, sozinha é tão mais
difícil. Então pense, o pai do seu filho participa ou ajuda?

2- O jeito do pai

E a segunda “craca” está muitíssimo ligada à primeira. Para aceitar a participação você
precisa ter consciência de que o pai tem o seu jeito próprio (por vezes, meio torto) de
fazer as coisas, e isso é bom. Normalmente as mães acham que o seu jeito é o correto
(e realmente pode ser) e não admitem muitas mudanças. Estamos criando pontes ou
barreiras no tempo entre pai e filho?

3- O pai como “corretor”

“ Você vai ver quando seu pai chegar”, “Se o seu pai sabe disso…”, “ Eu vou contar
tudo para o seu pai”. Carrasco esse pai né? Muitas vezes, no desespero de algumas
situações, usamos a figura paterna como referência de autoridade. Não vejo problema
nisso, mas como estamos fazendo é o que me incomoda. A criança tem medo ou
respeito pelo pai?

4- O pai separado

Pais separados requerem o dobro, o triplo de cuidado. Fazer uma criança entender
que as diferenças entre o pai e mãe como casal, não tem nada a ver com a relação
deles com a criança, é uma tarefa árdua que exige muita maturidade de ambos. Dá
para ser pai separado e ser um ótimo pai, basta querer e batalhar para isso (papai e
mamãe).

Poderia listar tantas outras dificuldades, mas quero dar ênfase no que eu considero como uma solução. A relação entre pai e filho é uma CONSTRUÇÃO, independente de quantos anos tenha seu filho. Agora use sua imaginação: como é uma construção de uma casa? Começa pelo acabamento? Dá para morar nela sem telhado? É fácil começar uma obra? Se constrói uma casa sozinho, ou com apoio fica mais fácil? A CONSTRUÇÃO da relação entre pai e filho é igual.

Demora, exige planejamento, pode ter vários empecilhos. Por vezes, os apoiadores constroem mais que o próprio construtor. Mas cada etapa tem sua alegria quando concluída, cada fase nos leva a evoluir e compreender melhor todo o processo, por isso NÃO DESISTA. Persista.

Rafaela Weidmann – Psicóloga CRP 08/12462. Especialista em Saúde Mental / Especialista em Psicologia Corporal / Especialista em Terapia de Família e Casal.

Email de contato: rafananda84@gmail.com

Instagram: @rafanandapsi

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