Ciúmes do irmão mais novo, mudanças de rotina e seus impactos

Quem acompanha os posts do blog e das redes sociais (links diretos à direta da tela), sabe o quanto estou realizada com a escolha que fiz em deixar a carreira no mundo corporativo e ter a possibilidade de estar mais próxima das crianças. Há quase quatro meses dessa decisão, não teve um segundo em que tenha me arrependido.

Porém, como em qualquer escolha da vida, existe o ônus e o bônus. E como aqui sempre compartilho minhas experiências reais, sejam elas positivas ou não, hoje vou falar um pouco do ônus, ou de uma das dificuldades que venho encontrando com essa mudança de rotina, que é o comportamento da Nina.

A Nina está passando por uma fase, que parece ser natural da idade dela (ela completará 5 anos no dia 8 de julho), de me enfrentar e me desafiar constantemente. É como uma mini adolescente. Ela testa meus limites em um nível absurdo, dá risada quando é chamada a atenção, finge não se importar com os privilégios ou direitos que vai perder, demora para dar o braço a torcer e pedir desculpas, apesar de em 100% das vezes reconhecer os erros e se desculpar e, o pior, é que esse comportamento se repete com o pai, algumas pessoas do nosso convívio e também na escola.

Hoje tive uma reunião com a professora dela e esse comportamento foi confirmado. Para mim, o motivo mais evidente é o desejo de chamar atenção, especialmente por ciúmes do irmão. Mas hoje, conversando com a professora, refleti, e juntas chegamos à conclusão de que a mudança de rotina, com a redução do tempo na escola para meio período, pode ter tido um impacto direto nisso tudo também.

No fim das contas, acredito que seja a soma de três fatores: 1. a idade, ou fase de desenvolvimento, 2. ciúmes do irmão e 3. a mudança de rotina.

Deixando de lado observações específicas sobre a idade, que mães com filhos nessa faixa etária, sem os outros fatores podem me dizer se vivem isso também, a Nina é enlouquecida pelo irmão, desde o primeiro dia em que o viu. São raros os momentos em que ela o “agride” diretamente. Mas constantemente ela quer ser aceita, ser percebida, estar em evidência, e quando isso não acontece, ela tem dificuldade em lidar.

Exemplos práticos de frases típicas por aqui:

  • Quem é o seu filho mais lindo? não pode ser o menino é mais lindo e a menina é mais linda, tem que escolher um só.
  • Quem você acha que vai ganhar o troféu joinha primeiro por comer tudo do prato?
  • Quem está mais de parabéns?
  • Você acha que eu estou bem linda? Mais linda que o Luli?
  • Você acha que eu sou mais esperta porque sei fazer isso sozinha?

Esses são apenas alguns exemplos, e são frases e perguntas que ouço diariamente. O que tento fazê-la entender é que não importa quem é mais ou menos. O que importa é que ela é bem linda sim, que está de parabéns, que é uma menina esperta… na maioria das vezes ela aceita, mas em alguns momentos ela quer a minha aprovação, quer ser o destaque, e aí se frustra.

E mesmo em situações em que os questionamentos não surgem, ela se frustra. Porque não consegue colocar o sapato, porque não consegue montar o quebra cabeça, porque a internet travou e o desenho parou de rodar. E essas frustrações vem seguidas de um comportamento em que ela procura alguém para descarregar a raiva, e se transforma em uma menina mal educada e respondona. Eu fico triste com isso, fico mesmo.

Fora isso, qualquer elogio feito ao irmão precisa ser feito a ela também, caso contrário, é clara a decepção em seu olhar, de não ter agradado, de não ter sido bonitinha e fofa como o irmão foi.

Como é difícil gente!

Ela é uma menina muito doce, carinhosa, melosa, amável, e quer muita atenção, o tempo todo, quer ter companhia o tempo todo. Se frustra se o irmão se levanta porque não quer mais aquela brincadeira, se frustra se quer dar um abraço nele e naquele momento ele não quer, se frustra se quer falar alguma coisa pra mim em um momento que não tenho como ouvir com atenção.

É frustração atrás de frustração.

E ao mesmo tempo que o mal comportamento vem com essas frustrações, ela reconhece seus erros e não tem problema em pedir desculpas, e reconhece o que fez de errado, demonstra ter se arrependido mesmo. Então acho que é uma dificuldade de lidar com os sentimentos mesmo.

Só que a questão é que os sentimentos afloram com frequência, e eu também tenho dificuldade em lidar e ajudá-la a entender como essa máquina que é nosso corpo e nossa cabeça funcionam. Sou ser humano, tem horas que estou mais cansada, com menos paciência, que suspiro, que conto até 10 para não explodir também.

Aí vem o outro ponto, que é a mudança de rotina.

Eles chegavam na escola por volta das 8h30 da manhã e, até a hora do almoço, passavam o tempo todo brincando, correndo, pulando, gastando energia. Em casa não é assim. Eles acabam mais curtindo o ócio, a preguiça, brincando de coisas mais tranquilas, do que gastando essa energia toda guardada. Chegando na escola vão direto para as atividades pedagógicas, que são lúdicas, com brincadeiras, mas muito mais direcionadas do que uma recreação livre, com brincadeiras uma atrás da outra.

Na escola ela também passava a manhã inteira com companhia e atenção, ou dos amigos, ou das recreadoras. Em casa não é o tempo todo que ela tem atenção e companhia, minha ou do irmão. Isso com certeza mexeu com a cabeça dela, mesmo que de forma inconsciente.

Com tudo que relatei e tentei resumir, cheguei à conclusão de que, da minha parte, vale tentar dar mais atenção, estar mais atenta para os motivos que estão gerando as frustrações, para tentar ajudá-la a lidar de uma forma mais tranquila. Procurar momentos exclusivos com ela, pois no desejo de otimizar o tempo e fazer sempre tudo junto com o irmão, ela sente falta de momentos de atenção mais focada nela.

Enquanto troco a fralda do Luli, ela faz xixi sozinha. Enquanto o troco, ela se troca sozinha. Enquanto dou comida pra ele, ela come sozinha. Enquanto escovo os dentes dele, ela escova sozinha. É uma independência que ela adquiriu, que eu compreendo que em alguns momentos gera uma carência, e acho que é possível minimizar isso.

Vou procurar também me reorganizar para que eu possa, pelo menos alguns dias na semana, levá-los para gastarem energia no período da manhã, para correr, pular, fazerem atividades ao ar livre. As férias estão chegando e eles só participarão do curso de férias durante uma semana. Mas semana que vem ainda serão dias letivos, e combinei com a professora que observaremos o comportamento dela diariamente, observando os impactos que algumas mudanças de atitude da minha parte podem refletir de forma positiva ou não nas atitudes dela.

Da parte da escola, a professora está muito disposta a ajudar com atividades e alguns pequenos ajustes na rotina, que levem o grupo a brincar mais, pois não é toda a turma que fica o período integral no colégio.

Teremos também a nossa primeira experiência de férias fora do curso de férias, e eu terei a oportunidade de aproveitar esses momentos com eles e observar como ela vai reagir a tudo isso, durante as férias e no retorno às aulas.

Veremos como será a evolução.

Acho válido dizer que com tudo que vem acontecendo eu não me sinto culpada. Acho que dou o meu melhor para os meus filhos, mas reconheço que posso ser melhor do que estava sendo. Acho que cometi algumas falhas, mas que me fazem refletir e tentar fazer diferente, tentar outras alternativas.

Tudo é muito novo para nossa família, apesar de achar que tudo está se encaixando, ainda não encontrei o modelo ideal de rotina. Se enquanto trabalhava fora tinha dificuldade em encontrar mais tempo para estar com as crianças, hoje tenho dificuldade de encontrar tempo para trabalhar. Os papeis se inverteram.

Ainda assim continuo feliz com minhas escolhas, e com esperança de que é mais uma fase que vai passar.

Estou ansiosa pelos comentários e pelas experiências que espero que vocês compartilhem também. Acho que ninguém melhor que outra mãe que esteja passando pela mesma fase, para acalmar o coração de uma mãe com conflitos e angústias.

Te amo minha menina! Vamos conseguir superar essas angústias em seu coraçãozinho juntas!

Beijos – Mari

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14 comentários

  1. Ana Paula comentou:

    Lindo relato Mari.
    Só não faço minhas as suas palavras pois minha Cecilia não tem um irmão, pois do restante aconteceu tudo muito parecido. Os 5 anos, eu comecei a trabalhar integralmente em casa, mudei o horário da escola dela e tb tenho sentido tudo isso. Mas acredito mais na fase. Boa sorte à nós.
    O novo blog está lindo!

    1. Obrigada pelo carinho Ana!!!!! Olha, depois desse post eu refleti muito e tenho repensado muita coisa por aqui. provavelmente teremos algumas mudanças de rotina no volta às aulas. beijos

  2. Mari, se nós adultos temos desafios com nossas emoções, imagine os pequenos. Já vale de lição para quando o Luli chegar em suas fases. A cabecinha gera frustrações por si só, seja criança, ou seja adulto. Aprendi ano passado isso. Num curso que fiz, aprendi que o cérebro quer defender-nos a qualquer custo e que todo comportamento tem uma intenção positiva. Você já sacou uma delas que é chamar a atenção, e eu ressalto que deve ter havido um gatilho, uma situação que deu início a tais comportamentos independente da fase de idade dela. Tente lembrar quando tudo isso começou e analise a situação como se estivesse vendo a cena de fora. Algumas coisas podem clarear na sua mente.
    Se quiser conversar sobre esses desafios, vamos marcar um papo sólido qualquer dia! Fico à disposição para conversarmos quando quiser e puder. Beijos no ❤️

    1. Van, vc tem toda razão! Refleti bastante e estamos ajustando algumas coisas para que isso melhore. Aliás, já melhorou!!! Graças a Deus. Beijão

  3. Lindo texto Mari!!! Me identifico muito, muita força aí para vc
    Aqui tbm tenho um mini adolescente e vem chegando uma princesa!! Que Deus me ajude nessa nova etapa 🙏🏻
    Bjs 😘

  4. Vanessa comentou:

    Ma, que fase complicada é um pouco difícil senti em suas palavras… Mas tenho certeza que tudo vai se encaixar, ainda não estou nesta fase mas já fico imaginando pq a Alana é um furacão imagina com crise de adolescente aos 5 rsrs.
    Suas histórias sempre tão detalhadas e carinhosas nos faz até imaginar cenas..
    Bom eu desejo q esta fase logo passe é que a Nina possa acalmar seu coraçãozinho, espero que a nova rotina possa fazer ela se sentir melhor. Boa sorte!

  5. SIMONE MORAN LEITE comentou:

    Oi Mari!

    Minha Lara completou 5 anos no dia 17 de junho, o Arthur tem um ano e dois meses. Me identifiquei demais na parte das perguntas da Nina, ao se comparar com o Luli. Aqui em casa, já ouvi: Quem vc ama mais, eu o o Arthur? Não pode responder que ama igual.
    Levei a Lara pra assistir o poderoso chefinho, que mostra muito a chegada do bebê pelos olhos do irmão mais velho, ela chorou, se identificou e voltou mais carinhosa e receptiva com o irmão.
    Também me sinto conversando com uma mini adolescente, às vezes!

    Beijos,

    Simone

    1. Eles começaram assistir esse filme a acredita que deu pau na net? rs vou alugar de novo. Beijão

  6. Kennya comentou:

    Em casa o ciúmes é o contrário… Lucas não quer deixar em nem chegar perto e preciso ficar brava com ele por isso… sinto que a Juju fica muito mais tempo se virando sozinho… que dou mais atenção pro pequeno que exige mais… e tb sei que poderia ser melhor do que estou sendo…juju nao mudou comportamento mas percebo a carinha de carente e isso me mata! me cobro e me polícia bastante até porque fico mais com eles no final de semana. O que eu acho é que falta ter mais tempo de mãe e filha e “esquecer” os pequenos com o pai… elas ficam carentes e eu tb ficaria… o tempo ocioso em casa é péssimo… eles ficam preguiçosos sendo que estão cheios de energia…. fica chato ficar em casa… priorizando mais os deveres de casa do que deixar a louça na pia e sair com eles… morar em apartamento tb acho ruim… um casa com quintal grande é meu sonho… facilita muito as coisas… antes a gente só precisava de espaço e era feliz… hj vivemos em um quadrado cheios brinquedos… TV e energia guardada. Imagino sua tristeza e sua cobrança… tb fico assim… mas com o sempre digo filho nao vem com manual de instrução então o jeito é ir testando. E nisso tudo precisamos achar tempo só pra gente… como?

    1. Nossa Kennya, eu tenho muitaaaaaaaaaa vontade de morar em casa também viu! Aos poucos vamos achando o equilíbrio. Beijos

  7. Mari,

    Eu ainda não cheguei nessa fase da maternidade, mas eu vivi isso pessoalmente!! Eu e minha irmã temos quase a mesma diferença de idade que o Luli e a Nina.

    Recordo-me que próximo aos 06 anos minha mãe começou a me levar a um psicologo pois eu não estava sabendo lidar com as minhas emoções de irmã mais velha. Até então eu era filha única, neta única, sobrinha única… Quando minha irmã chegou aos 2 anos e eu aos 6 passei a competir com ela, o que só melhorou com a ajuda do psicologo!

    Mas diferente da sua rotina, minha mãe trabalhava em tempo integral e não tinha como intercalar a atenção, pois o tempo que estava em casa era pouco e tinha que ser para as duas filhas, por isso precisamos do auxilio de um profissional.

    1. Oi Anna, obrigada pela sua mensagem. Refletimos e tivemos algumas mudanças no nosso comportamento como pais, que refletiram positivamente no comportamento da Nina. Mais mudanças virão no volta às aulas e espero que tudo se encaixe. Beijos