Ele pode comer doce?

“Ele pode comer doce?”… não deveria ser uma pergunta óbvia que TODAS as pessoas do universo deveriam fazer à mãe, ao pai ou sei lá a quem que acompanha a criança, antes de oferecer um doce?

Antes de ter filhos eu não achava essa pergunta tão óbvia assim, e devo ter sido meio sem noção e oferecido doces para crianças em alguns momentos sem consultar ninguém. Quando a Marina nasceu, eu passei a achar que é claro que a pergunta deveria ser muito óbvia, e ai de quem não perguntasse! Hoje em dia, eu já acho que a pergunta é de muito bom tom, mas que não é tão óbvia não. Isso porque, muitas pessoas oferecem doce para uma criança, única e exclusivamente com o intuito de agradar essa criança.

Na semana passada eu postei no Instagram – https://www.instagram.com/blog_mamiemais/ – a foto desse pirulito semi comido, que estava sendo devorado com o maior gosto pelo Luli, às 7h30 da manhã, em plena quarta-feira! O coração de muita gente palpita né? kkkkkkkk. O meu deu um palpite sim, mas foi leve, mesmo porque rapidamente ele aceitou trocar o pirulito por um biscoito água e sal, que eu considerei menos mal né…rs.

No dia anterior o garçom, muito gentil, do restaurante que fomos almoçar, deu esse presentinho para as crianças. Ele chegou a perguntar se podia dar e eu falei que para a Nina sim – ela nem gosta de pirulito, bala e chiclete, então não ligo porque sei que ela só gosta do ato de receber e depois deixa encostado –  mas que o Yuri não comia ainda. Aí ele insistiu perguntando se podia dar a embalagem fechada só para ele brincar. Ó Céus! Ok, eu aceitei e pensei, logo jogo no lixo, como normalmente faço. Não quis ser “chata”, implicante, e queria ir embora logo porque estava com horário. No fim eu esqueci de jogar no lixo, Luli conseguiu acessar o pirulito e sei lá se abriu sozinho ou se a Nina ajudou.

A questão é que achei que esse assunto renderia um post.

Quando a Nina era bebê, uma bebê com uma mãe cheia de regras, de crenças em teorias, que queria acertar sempre, eu já travei muitas batalhas, já fui bem mal educada, já chateei muita gente por conta de um doce e de outras coisas, digamos que impróprias para bebês e crianças muito pequenas comerem.

Com a Nina, se o garçom tivesse aparecido com aquele pirulito na mão, antes mesmo dele fazer qualquer pergunta eu já teria dito direto e reto: ela não come doce tá? não precisa dar, obrigada!

E até aí, quando você está lidando com estranhos, não importa muito o que vão pensar de você. Só que tem uma outra vertente, que é a vertente das pessoas próximas, dos amigos, dos parentes, dos familiares, dos avós!

Lembro bem de quando viajei para um hotel fazenda com o Rodrigo e as crianças ficaram com meus pais. O Luli devia ter um pouco mais de um ano e quando eu estava voltando liguei para saber como estavam as coisas e meu pai disse na maior naturalidade do mundo: tá tudo ótimo filha! Luli comeu dois danoninhos de lanche!

Dei aquela suspirada e só disse que ele ainda não comia essas coisas. Meu pai ainda disse: nossa, mas ele adorou!

Ah vá? Jura? Naquela época a criança comia até ameixa azeda e não ia comer danoninho achando a melhor maravilha do mundo? rs. Pois bem, com a Nina esse episódio teria virado uma discussão infindável! Toda a ajuda e dedicação que meus pais tinham despendido durante o final de semana, cuidando das crianças, enquanto eu namorava e descansava com meu marido teriam sido esquecidas, e o foco seria dois potes de danoninho para um criança com um pouco mais de 1 ano.

Vale a pena?

É essa a reflexão que quero propor. Meu pai sempre soube da rotina alimentar da minha casa, de que as crianças comem alimentos saudáveis, não consomem doce com frequência, naquela época Luli não consumia praticamente nunca. Mas hoje em dia eu sei que a base, que a educação alimentar que dou para eles em casa, no dia a dia, na nossa rotina, não vai ser abalada por um dia ou outro que eles aceitarem e comerem uns doces por aí.

Eu não gosto, preferia que não comessem, mas hoje em dia isso já não é mais um motivo de estresse pra mim. Ainda mais quando se tem mais de um filho. O(s) mais novo(s) sempre vai ter umas regalias, já que, no meu ponto de vista, é humanamente impossível evitar que ele queria copiar o irmão mais velho em muitas coisas, inclusive nas escolhas alimentares, principalmente quando as escolhas são opções que não gostaríamos que fossem escolhidas.

É a vida.

É claro que em situações onde isso acontece diariamente, com muita frequência, quando passa a fazer parte da rotina, tem que ter uma conversa, sem acusações, mas um pedido de: poxa, respeita a minha forma de educar? não importa que você não vê nada errado nisso, eu não quero que seja assim.

E essas conversas normalmente são desgastantes. Sempre um lado sai chateado, quando não são os dois, porque poxa vida, o que tem de errado em um danoninho? Qual o problema de umas balinhas, um chocolatinho, um sorvetinho, um brigadeirinho? Tadinho, vai deixar passar vontade? Vai ficar com verme, com lombriga… ai como você é extremista! Quem nunca? rs

Há um tempo atrás meu pai me questionou porque ele não podia dar a quinta fatia de peito de peru para a Nina, que ela ama! E eu falei: porque isso é embutido pai, é cheio de coisas industrializadas, corantes, conservantes, não precisa comer cinco fatias de uma vez. E ele ficou chocado e respondeu: mas filha! as pessoas de dieta comem peito de peru!

E desde quando quem faz dieta necessariamente come de forma saudável e equilibrada? Tem dieta bem loucona por aí!

Vocês entendem o que quero dizer? Para quem se interessa e lê sobre o assunto, um docinho é um alimento do mal, que não deve ser consumido com frequência, que de preferência deve ser evitado sempre, abolido da geladeira e da despensa de casa. Para quem não tem tanto interesse ou às vezes até acesso limitado à informação, um docinho é um alimento feito para criança, com apelo para a criança e não há nada de errado em ser consumido.

Como eu citei, eu já discuti com muita gente por oferecer coisas para a Nina, principalmente sem meu consentimento. E quando falava eu ainda era tachada de grossa, de chata, de mal educada. Mas sabe gente? Eu acho que fui tudo isso em diversos momentos mesmo.

Talvez por insegurança, por medo de errar, por medo de que tudo que eu estava fazendo pudesse ser arruinado por aquele momento.

Então, achei que seria importante compartilhar minha visão de hoje. Vivemos muito presas à regras, a conceitos, e esquecemos às vezes de que fugir um pouco da regra e fazer umas coisinhas impróprias, tipo comer um doce antes do almoço, é algo que sim, vai afetar o apetite da criança e ela pode não almoçar ou jantar direito, mas se isso não acontece rotineiramente, a saúde da criança não estará abalada.

Isso tudo não quer dizer que eu não tô nem aí, que acho super fofo e de boa quando essas situações acontecem comigo. Não mesmo, tem momentos que me contorço por dentro. Mas respiro fundo, deixo passar, abstraio, abstraio de verdade, e deixo as crianças curtirem aquele momento com os que elas amam. Se falta compreensão e às vezes até mais respeito do outro lado, vamos colocar na balança as brigas que valem a pena serem compradas.

Fica a reflexão, e fica o espaço aberto para vocês expressarem suas opiniões também.

Beijos – Mari

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