Mães: 7 perguntas que você deveria fazer antes de deixar sua carreira

Eu estou impressionada, diria que até um pouco chocada, com a repercussão que a minha decisão de deixar minha carreira no mundo corporativo (http://mamiemais.com/2017/03/14/mulher-e-mae-deixa-carreira-corporativa-para-empreender/para empreender, ter mais flexibilidade de tempo, e consequentemente poder acompanhar as crianças mais de perto tomou. Eu não passo um dia sem receber uma mensagem de alguém me perguntando sobre minha opinião, contando sua história, desabafando, elogiando, até se inspirando na minha coragem, porque sim, foi necessária uma boa dose de coragem!

A responsabilidade por isso acaba pesando, porque eu não quero ser responsável pela decisão de ninguém, só quero contar minha história, dividir as minhas experiências. Eu adoro receber os relatos e mensagens de vocês contando em como se inspiraram nisso e naquilo que fiz ou disse, mas entendem que às vezes isso envolve grandes escolhas na vida?

Por isso que a cada dia que passa, sinto mais e mais necessidade de falar sobre esse assunto mais a fundo. Cada história é uma história, e fiquei pensando de que forma poderia ajudar os outros, sem que a minha história fosse usada como a principal base e fator de decisão para mulheres e mães que pensam em deixar sua carreira.

Então listei 7 perguntas que fiz para mim mesma, e que acho que toda mãe, quando pensa em deixar sua carreira profissional, deveria se fazer. As respostas para essas perguntas são individuais, e elas sim vão traçar diferentes histórias, que não necessariamente serão como a minha.

Imagem Pixabay – https://pixabay.com/

1. POR QUE VOCÊ QUER TOMAR ESSA DECISÃO?

Por que? Para ficar mais com os filhos? Porque não está feliz no seu trabalho? Porque não tem perspectivas de carreira? Por que tem um monte de gente que você vê que faz isso e é feliz? Porque anda sem tempo? Porque quer mais tempo livre?

Acho que esse é o ponto de partida. Infelizmente a realidade não é tão romântica como vemos em muitas redes sociais. Cuidar de filho cansa pra caramba! Cuidar de casa cansa pra caramba! Não ter uma rotina estabelecida cansa pra caramba! Trabalhar em um negócio próprio cansa pra caramba!

No meu caso, eu tinha claro. Eu queria mais flexibilidade de tempo, queria estar mais perto das crianças, e tinha a perspectiva de um novo negócio para fazer.

Porém, eu NUNCA achei que eu teria mais tempo livre. E isso se confirma a cada dia. O meu tempo livre foi reduzido drasticamente! Estar e trabalhar em casa, sem ajuda diária, com crianças que têm demandas para serem atendidas, é não ter tempo livre praticamente NUNCA!

Não se iludam, se questionem sobre o que vocês esperam, sobre como imaginam a sua vida após essa mudança, e sejam racionais.

Outro ponto que acho importantíssimo citar é que, em alguns casos, os acontecimentos da vida acabam nos motivando a tomar algumas decisões. Porém, precisamos saber se queremos seguir por aquele caminho em função de um fato isolado, ou se é um desejo mais antigo, algo que no decorrer do tempo foi amadurecendo.

Na minha situação, o desejo inicial surgiu 4 anos antes de eu tomar a decisão. Apesar de alguns acontecimentos terem me forçado a refletir e aí sim a decidir que esse era o momento, foi muito tempo de reflexão, passando por altos e baixos, achando uma hora que sim e outra hora que não.

2. COMO SEU MARIDO E SUA FAMÍLIA ENCARAM ESSA DECISÃO?

Quando eu digo que o desejo inicial de mudar meu caminho profissional surgiu há 4 anos, levei isso para meu marido e ele foi completamente contra. Na época, eu queria simplesmente parar de trabalhar, ponto. Eu não tinha resposta clara para a primeira pergunta, e ele foi contra.

Fiquei chateada, achei que ele não me entendia, não me apoiava, mas na verdade eu teria feito uma grande burrada e teria colocado em risco, inclusive, o meu casamento, que é uma relação muito saudável. Era uma fase em que eu estava totalmente frágil emocionalmente, desmotivada, com falta de perspectivas. Um momento péssimo para tomar decisões importantes.

Por mais que possamos dizer que batemos no peito para assumir nossas escolhas, se temos uma relação saudável com o nosso marido, nossos pais, pessoas que nos amam e querem nosso bem, acho que a opinião deles conta muito. No meu caso contou, eles me apoiaram, eles me questionaram sobre coisas que eu não tinha pensado ainda. E eu levei isso tudo em consideração.

Imagino que sem o apoio deles eu não teria seguido. Mesmo porque, eu estar em casa, trabalhando em casa, não significaria que eu estaria ociosa, e isso precisava estar muito bem alinhado, pois as responsabilidades e obrigações como pai seriam mantidas, da mesma forma que quando eu trabalhava fora.

Isso é um ponto que precisa ser muito conversado e entendido entre o casal. Vejo muitos casais com mulheres que não trabalham fora, ou que fazem home office, e o marido não dá o suporte necessário, simplesmente porque a mulher está em casa. Não importa o quanto ela “se lascou” durante o dia por estar em casa, se está em casa, ficou fazendo o que?

Você vai precisar de ajuda, talvez de mais ajuda do que tinha quando trabalhava fora, é necessário para manter a sanidade mental. Então, entenda a visão do seu marido, da sua família e pessoas que te ajudam sobre isso.

3. VOCÊ TEM ALGUMA HABILIDADE, EMPREENDERIA EM ALGO, CONSEGUIRIA GERAR RENDA?

Para mim essa pergunta era crucial. Eu não me imagino tendo que pedir dinheiro para meu marido para, por exemplo, ir ao salão fazer as unhas. Eu não acho isso errado, não tenho absolutamente nada contra quem vive assim, nada mesmo. Mas, para mim, que tive minha independência financeira muito cedo, é algo que não tenho habilidade emocional para lidar, a não ser que fosse em uma situação de necessidade.

Por isso que digo que cada história é uma história. Muitas mulheres vivem com seus maridos com conta corrente conjunta e pouco importa de onde vem o dinheiro que está entrando. Por aqui, sempre tivemos nossa individualidade e particularidades financeiras, então, eu precisava ter uma outra fonte de renda que não fosse o meu trabalho.

E sim, eu tinha, existia um projeto que foi concretizado (Panela de Duas), e que tinha boas perspectivas de gerar renda.

4. VOCÊ TEM RESPALDO FINANCEIRO?

Quando eu falo em respaldo financeiro é alguém para segurar a barra, pagar as contas, as necessárias e que não podem ser deixadas de lado: luz, água, gás, supermercado, convênio médico (faz muita diferença para quem tem esse benefício na hora de pesar na balança), escola, etc etc etc. Além disso, e um possível imprevisto que necessite de recursos financeiros? Concerto de um carro, um problema médico que demande a compra de medicamentos, uma manutenção inesperada e necessário na casa, são apenas alguns exemplos.

As despesas que podem ser cortadas ou evitadas não entram aqui. Você parar de trabalhar fora e contar somente com uma possível reserva, se ela existir, na minha opinião é um grande erro. Se o seu salário conta nas despesas mensais da casa então, essa questão precisa ser ainda mais bem avaliada.

5. VOCÊ TEM UMA RESERVA FINANCEIRA?

Aqui entra uma reserva sua, uma reserva própria, para algo que queira fazer para você, e que lembre-se, será finita! Recursos financeiros não são infinitos.

É muito difícil você estar trabalhando, ganhando seu dinheiro, comprando não loucamente e sem responsabilidade, mas se dando o luxo de certos consumos, e de repente ter que abolir e cortar drasticamente tudo isso. É algo que mexe muito com o emocional, com a auto estima, com o humor de uma mulher independente.

Acho que uma reserva financeira própria é necessária para manter a auto estima, o bem estar, para, apesar de estar mais dependente financeiramente do seu parceiro, ainda assim ter o mínimo de independência para, se estiver montando um negócio, enquanto o dinheiro não entra, ter condições de pagar despesas pessoais como o cartão de crédito, um almoço esporádico com as amigas, um presente para o próprio marido, por que não?

6. O QUE VOCÊ VAI PRECISAR MUDAR EM SEUS HÁBITOS E PADRÕES DE CONSUMO?

E para muita gente, me incluindo no bolo, mesmo tendo um respaldo e uma reserva, há necessidade de mudança de hábitos e padrões de consumo. Isso precisa ser colocado na ponta do lápis para que você veja o que não gostaria de abrir mão, porque de alguma coisa, no geral, você vai ter que abrir, e entender de que forma que essas mudanças podem te afetar.

No meu caso, reduzi plano do celular, cortei personal e passei a ir em uma academia comum, cortei unhas no salão e tenho feito em casa, participei ativamente na redução de gastos domésticos (http://mamiemais.com/2017/05/03/5-dicas-de-economia-domestica/), acordei com meu marido que a frequência de viagens seria reduzida, assim como deliveries e almoços fora de casa.

Foram coisas que me afetaram? Não, de verdade não. Fizeram sim uma grande diferença no orçamento familiar, já que eu não estaria mais ajudando mensalmente, em termos financeiros, como fazia até então. Mas não mudaram em nada o meu bem estar. Eram custos que eu tinha porque podia ter, e agora não são mais necessários.

Agora, se eu tivesse que mudar as crianças de escola, ficar sem plano de saúde, vender carro, mudar de casa e outras atitudes de grande impacto, provavelmente minha decisão não iria pra frente. Não tem jeito, tem que colocar na ponta do lápis e sim, mudar hábitos.

7. E SE TUDO DER ERRADO?

E essa é a pergunta crucial que eu não tinha feito pra mim mesma, mas que o meu marido me questionou? E se der errado? E se você se arrepender? E se você não estiver mais feliz com essa decisão? O que você vai fazer?

Nós precisamos ter uma resposta para essa pergunta. Para mim, eu imaginei que me arrepender, não seria algo que aconteceria em um prazo longo o suficiente, que não me permitisse eu me recolocar no mercado de trabalho.

Então a minha resposta foi: eu me recoloco no mercado de trabalho. E aí vem o grande ponto. Ninguém te garante que você vai se recolocar. E se você se recolocar, provavelmente pagará o pedágio do tempo que esteve afastada. Então, a grande questão é: você está preparada para isso?

O risco existe, mas também não tem como viver sem assumir riscos. A sua vontade e o seu desejo é maior do que algo que não dê certo lá na frente? Não sabemos se algo errado acontecer, se estaremos preparados para lidar.

Para mim, a minha decisão envolveu alma, envolveu coração, envolveu amor, e passando por cada uma dessas perguntas, eu encontrava respostas que me deixavam mais segura e confiante de que estava escolhendo o caminho certo.

Se quando fizer essas perguntas para você bater a insegurança, é normal. Ela faz parte. Mas se ela for forte o suficiente para não te deixar seguir ao questionamento seguinte, pare, pense, reflita se esse é realmente o caminho.

Qualquer escolha tem o ônus e tem o bônus. O que é bom para mim pode não ser para você. Espero ter ajudado.

Beijos – Mari

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