Três Dicas para tirar a chupeta e minha tentativa frustrada

Há aproximadamente um mês e meio tivemos uma tentativa – frustrada – de tirar a chupeta do Yuri. Foi logo depois de eu me desligar do meu emprego, quando ele e a Nina passaram por uma consulta com a Dra. Thelma Parada – Dentista de Criança, odontopediatra competentíssima que já indiquei para muita gente, e ela disse que, do ponto de vista odontológico, precisávamos tirar a chupeta do Yuri com urgência, pois a mordida dele estava bem aberta e ele estava estacionando a língua no meio dos dentes quando estava sem chupeta.

Não estava nos meus planos passar por essa etapa. Eu, particularmente, acho que qualquer transição é mais fácil de ser feita quando a criança já se comunica bem, o que não é o caso do Luli, que só falas a última sílaba de algumas palavras. Ele entende tudo que falamos, mas não consegue se expressar para entendermos o que ele quer.

Quando tiramos a chupeta da Nina eu me preparei psicologicamente, armamos um esquema de troca da chupeta por um presente com o Papai Noel e ainda assim o processo foi muito doloroso. Ela já falava, já se comunicava e mesmo assim não foi fácil. Mas eu tinha me preparado, eu estava disposta a passar por aquilo com ela.

Há algum tempo o Yuri vinha rasgando as chupetas com os dentes e escondendo em lugares que não encontrávamos mais. Em um sábado, restava apenas uma sobrevivente, que desapareceu durante o período da manhã. Sugeri ao meu marido de irmos comprar outra e ele sugeriu de aproveitarmos a oportunidade para tentar iniciar o processo.

Eu sinceramente não gostei da ideia. Sabia que não seria fácil e que por mais que ele me ajudasse, a maior carga iria cair sobre mim. Eu em período de adaptação da minha rotina, entendendo como a vida nova está funcionando, com diversos compromissos e afazeres para cumprir, não teria disponibilidade para acalentar o Yuri em todos os momentos que ele precisasse. Mas aceitei tentar, por que não? Poderia dar certo.

E então vem a primeira dica, esteja VOCÊ preparada(o) para dar esse passo. Dos casos que conheço, são raras as exceções em que a criança larga a chupeta sozinha. Ela dificilmente estará preparada para isso, então, é mais importante os pais estarem preparados para as dificuldades que vão enfrentar, para poder dar colo e atenção nesse momento, do que a própria criança.

Pois bem. Seguimos o processo, sem eu seguir a minha própria dica, e começou sendo até que mais fácil do que foi com a Nina. Nos primeiros dias, durante o dia ele até que ficava bem. Se estivesse distraído, brincando, vendo um desenho que goste, ele não lembrava, não pedia. O que pegava eram os horários da soneca e o sono noturno. Mas ainda estávamos gerenciando e eu estava feliz com o andar das coisas.

Até que o Luli ficou doentinho, logo depois eu fiquei bem doente, com uma infecção feia de garganta. E cansada, com compromissos a cumprir, o desgaste natural de um filho doente que fica com o apetite prejudicado, o negócio degringolou de vez! Eu não tinha a menor paciência e estrutura emocional para lidar com as crises de nervos que surgiam cada vez com mais frequência, já que eu não conseguia mais gerenciar cada crise que surgia. Foi virando uma bola de neve!

Ele chorava, eu chorava. Minha paciência também foi para as cucuias com a Nina. E não tem jeito, quando a mãe não está bem, isso reflete diretamente no comportamento das crianças e da casa como um todo.

A minha vontade era sair correndo na farmácia, comprar umas dez chupetas e dar para ele! Só que para mim, se eu tinha começado, e já estávamos há alguns dias sem a “bendita da chupeta”, eu não poderia voltar atrás. E aí vem a segunda dica, que é totalmente contrária ao que eu poderia sugerir há um tempo atrás que é: se a situação está insustentável, se você achou que estava preparada(o) e na verdade não está, volte atrás! Não há problema nenhum em recuarmos, em repensarmos, em tentarmos de novo depois.

Não tem ninguém além dos pais que poderá avaliar o momento certo para algumas mudanças. Principalmente quando se tem mais de um filho em casa, a realidade é muito diferente do que encontramos nos livros. Eu desde o começo sabia que EU não queria aquela mudança, que EU não estava preparada, e contrariando o que eu mesma acreditava, eu aceitei seguir em frente. Sim, sem problema nenhum em dizer isso, a responsabilidade foi minha em aceitar seguir em frente.

Passaram-se 6 ou 7 dias sem chupeta, e em uma sexta-feira de manhã a minha irmã me ligou no auge de gritos e choros desesperados do Yuri, que não conseguia dormir a sua soneca da manhã sem a chupeta. Ela me perguntou se eu estava bem e eu desabei! Logo ela veio para minha casa, quando chegou e viu a situação sugeriu: não é melhor dar uma chupeta pra ele? Eu relutei por alguns minutos, mas logo que Yuri acordou, depois de 10 minutos dormindo, desesperado, gritando, se debatendo, em uma crise de nervos horrorosa, eu implorei para que minha irmã fosse buscar uma chupeta para ele.

Coincidentemente meu marido, que estava viajando, me ligou nesse momento, e eu descarreguei toda a minha angústia naquela ligação.

A chupeta chegou e eu me senti muito culpada, por tanto “sofrimento” que fiz o Yuri passar. Eu o abracei muito e pedi desculpas, porque a minha limitação física e emocional fez tudo se tornar mais pesado do que era. Quando demos a chupeta para o Yuri ele ficou muito aliviado, mas ainda assim, por alguns dias, permaneceu com o humor muito alterado.

Eu tenho certeza que a minha insegurança refletiu nele, e que essa tentativa desestruturou o equilíbrio das coisas aqui em casa. Logo em seguida viajamos e com bastante diversão e distração ele foi se acalmando e voltou outra criança, graças a Deus!

Hoje, o que acho, para qualquer mudança, é que precisamos estar preparados e que precisamos observar os sinais da criança. Para uma mudança como essa, que é deixar um objeto que é conforto para diversos momentos de medo, tristeza, cansaço, nervoso, pode ser que os sinais não venham, mas acho que poder se comunicar de forma clara com a criança, fazer com que ela se faça entender, seria a terceira dica. Ela poder expressar o que está sentindo, você saber que ela está compreendendo quando você diz que está ali para ajudá-la a passar por isso faz toda a diferença!

Pode ser que na próxima tentativa, que eu não tenho ideia de quando vai ser, me frustre de novo. Mas que vou tentar seguir os meus próprios conselhos, aqui registrados, isso eu vou…rs.

Beijos – Mari

 

 

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2 comentários

  1. Susana comentou:

    Os Mari, aqui em casa acabamos de passar por esse processo! O pequeno não largava a chupeta o dia todo… (3 anos) mas com essa idade estava na hora… Resolvi aplicar uma ideia da minha mãe que resultou super bem. Durante duas semanas antes do aniversario fui explicando que depois de 3 anos os meninos eram grandes de mais para usar chupeta. E que poderíamos dar a chupeta para os peixes do lago que tinham bebés e que em troca os peixes iriam oferecer a ele um aquário cá pra casa…. Todos os dias ia falando do assunto e no dia d foi ele próprio que quis ir dar a chupeta prós peixes. Na primeira noite chorou pedindo de volta, mas depois disso nunca mais… As suas dicas acrescentaria apenas mais uma, ter trmpo . decidi fazer isso numa altura em que estava de FÉRIAS Porque as duas primeiras noites ele não dormiu muito bem ;)

    1. Adorei a “estratégia”. Aqui o Luli ainda não entende direito. Muito pequenininho. E sim, com certeza ter tempo é muito necessário, acho que entra em os pais estarem preparados, incluindo diversas variáveis. Beijão