Crianças se comportam como Crianças

Há alguns dias vi essa imagem no Instagram da Elizabeth Monteiro (@bettymonteiropsicologiaoficial) e fiquei intrigada… na verdade fiquei reflexiva. Ela dizia na legenda o seguinte: “Recebo muitas e muitas queixas em meu consultório, com respeito aos comportamentos infantis. Vou te dizer uma coisa: Na maioria das vezes, não existe nada de errado com a criança, mas sim com os adultos que a cercam e o ambiente em que ela vive. Adultos que não têm paciência e disponibilidade para deixar a criança ser criança”.

Quantas vezes você não se pegou (eu já fiz isso várias vezes) chamando a atenção de seus filhos com frases do tipo: não corre, fala baixo, pára de gritar, cuidado que você vai se sujar, chega de falar… e coisas do tipo.

É fato que existem situações e momentos que acho que não cabe correr e gritar, por exemplo, e cabe aos pais ou cuidadores ensinarem isso às crianças.

Mas será que não temos momentos em que não compreendemos, ou não queremos compreender, que crianças são crianças, e por isso se comportam como tais?

No último sábado eu precisei passar o dia cuidando dos afazeres domésticos. Minha diarista está de férias e optei por fazer tudo, ao invés de contratar uma empresa de limpeza, que já usei em outras situações, por fatores que não cabem para o tema do post…rs.

Aí eu precisava da ajuda do meu marido, para que ele cuidasse das crianças enquanto eu cuidada de limpar, arrumar, lavar, guardar, limpar… eu queria terminar logo as minhas tarefas, meu marido gostaria de descansar, afinal, os finais de semana não são para isso? Para descansar?

Bem, aí começa o ponto. Diferente de nós, os adultos, as crianças querem sabe o que no final de semana? Querem correr, querem brincar, querem gritar, querem se divertir, querem gastar aquela energia que parece que nunca tem fim. E elas querem tudo isso durante a semana também.

Elas não estão interessadas nos nossos afazeres, nem mesmo se fomos dormir tarde na noite anterior e queremos tirar um cochilo no meio do dia. E não, elas não vão dar sossego, elas não vão ser os seres mais compreensivos da terra e pensar: “ah, coitada da mamãe, tem tanta coisa para fazer, vou deixar ela lá concentrada. E papai então, olha que cara de cansado. Vou ficar bem quietinho aqui para ele poder dormir um pouco”.

Além de quererem passar o dia como crianças, que são o que são, ainda vão nos demandar para gastar essa energia com elas. A Nina já verbaliza claramente coisas do tipo: mamãe, é tão legal o final de semana para ficarmos bem juntinhos né? Você vem aqui para brincar comigo? Vamos no parquinho? Posso te ajudar a fazer isso?

E poxa vida, não é sempre que tenho essa disposição não. Porque eu não sou mais criança né? E não são essas as minhas vontades.

Já Yuri não verbaliza, mas se não é atendido passa o dia chamando mãe, mãe, mãe, e pedindo colo. Tem um tanto de manha aí? Pode ser que sim, pode ser que não… depende da situação, depende do momento, depende de como estamos interpretando essas necessidades.

E porque insistimos em não entender isso? Por que nos enfiamos em nossos afazeres, vontades, responsabilidades e obrigações, sem pensar no que pode ser deixado para depois? Por que, em diversos momentos, não conseguimos priorizar as coisas? Por que não paramos, por trinta minutos, por uma hora, para dar atenção exclusiva para quem está nessa sede de querer atenção, de querer explorar, de querer brincar.

Se você me responder que consegue fazer isso sempre bem, priorizar, parar, não colocar as suas responsabilidades e afazeres na frente disso tudo, parabéns! Eu não consigo sempre não, e estou aqui, confessando de peito aberto.

Não estou dizendo que devemos atender a todos os pedidos, sempre, a qualquer hora, mas precisamos sim refletir um pouco e pensar que, em muitos momentos, o comportamento de nossos filhos é um reflexo direto do nosso comportamento. Essas situações que estou propondo a reflexão, são situações em que tudo poderia estar sob controle, mas nós, os pais, deixamos que as coisas saiam do controle.

E também não é para refletirmos sobre isso e colocar um saco de culpa em cada ombro. A questão é refletir, é parar para pensar que crianças são crianças, vão se comportar como crianças. Na nossa casa, no restaurante, na farmácia, no hospital… em qualquer lugar. E que olhem torto os que não compreendem isso, paciência, eles também foram crianças um dia.

Eu posso enumerar infindáveis situações onde errei, onde não compreendi que o comportamento dos meus filhos era absolutamente normal e inerente à crianças da idade deles. E também posso me orgulhar de muitas situações onde acertei, onde tive discernimento e racionalidade para compreender que meus filhos estavam sendo somente crianças, e que algumas guerras não precisariam ser nem iniciadas.

Apesar dos erros, que com certeza cometo, tenho tentado deixar meus filhos serem livres na forma de se expressarem, em suas escolhas, em suas brincadeiras. Explicar que algumas coisas, apesar de serem muito legais, não são adequadas em qualquer momento ou lugar. Tenho tentado ainda a interpretar seus desejos, seus anseios, e entender que essa fase vai passar, que preciso aproveitar enquanto eu sou interessante para eles, porque chegará o momento em que minha companhia não será a mais legal.

Tenho tentado racionalizar que existem coisas que podem ser feitas depois, e que as horas de sono perdidas não serão mais recuperadas… como disse a Nina para mim um dia, quando desabafei sobre minha incredibilidade em como duas crianças conseguiam fazer tanta bagunça, de forma certeira ela me disse: “ué mamãe, você que quis ter dois filhos!”

E continuou a brincar.

É Nina, você é sábia! Fui eu mesma quem quis ter dois filhos. E sabe filha? Eu não poderia ter feito escolha melhor!

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2 comentários

  1. Nagela Cardoso comentou:

    E eu me acabando no choro gente, que post, que palavras. Mari minha amiga, tudo que eu precisava ouvir.

    Forte a parte que diz, aproveitemos agora, pois pode ser que mais pra frente, não sejamos mais interessante para eles, mil vezes verdade.

    me culpo muito pois não sei e também não tenho criatividade para brincar com o gu!!

    1. Na, lembra daquele post sobre cada um criar suas memórias? não importa que vc não tenha criatividade para brincar, você certamente está construindo memórias de outras formas. Beijos! Xô culpa!