Coluna da Nutri: Como Saber se a Criança está Satisfeita

A alimentação é a principal questão das mães nas consultas com os pediatras. Sendo “meu filho não come” a queixa mais usual. O problema está, como sempre, na expectativa. As mães acham que seus filhos devem comer determinada quantidade, e quando seu filho não come tudo aquilo que foi julgado como necessário, a criança comeu mal.

Isso está errado. Os bebês nascem com uma ótima percepção de fome e saciedade. Quando estão no peito, por exemplo, não é possível medir a quantidade que foi mamada. São eles que decidem quando estão satisfeitos e quando estão com fome. O aleitamento materno é recomendado em livre demanda, ou seja, quando e quanto o bebê quiser.

Quando começa a alimentação complementar, as mães estipulam uma quantidade ou um número de colheradas ideal para o seu filho, e se frustram quando a criança não ‘raspa o prato’. Outro ponto importante, que às vezes é esquecido, é que o bebê chega a aumentar 50% do seu tamanho no primeiro ano de vida e demora até 4 anos para aumentar os outros 50%, dobrando o tamanho de nascimento. Pensem comigo, se a velocidade de crescimento diminui, é normal que a necessidade de energia (calorias) a ser consumida diminua também. Essa velocidade de crescimento só volta a aumentar na puberdade, época que acontece o famoso estirão.

Aí o bebê, que estava se alimentando até que bem no primeiro ano, começa a diminuir as quantidades ingeridas, para o desespero das mamães. Elas até insistem pro pequeno, que já está satisfeito, comer mais um pouquinho. O problema é que, com isso, estão incentivando a criança a comer mais do que o que julga necessário. Como se falassem: filho, você não sabe quando você está satisfeito. Quem sabe é a mamãe. Pode comer mais um pouquinho.

E é aí que o problema começa.

Para tentar amenizar um pouco esses problemas em casa, vou repassar aqui pra vocês a “divisão das responsabilidades na alimentação” desenvolvida pela top nutricionista norte americana, Ellyn Satter.

ATRIBUIÇÕES DOS PAIS:

  • Decidir o que, quando e onde será oferecida a alimentação;
  • Escolher e preparar as refeições;
  • Providenciar refeições e lanches regulares e adequados;
  • Fazer com que os momentos de se alimentar sejam agradáveis;
  • Ensinar aos filhos o que eles precisam aprender sobre comida e comportamento alimentar;
  • Ser um bom modelo para o filho sobre o que e como comer;
  • Evitar categorizar os alimentos em aqueles que o filho gosta e os que o filho desgosta;
  • Evitar que os filhos ‘belisquem’ e bebam (exceto água) entre as refeições e lanches;
  • Aceitar que os filhos cresçam de acordo com seu biótipo.

ATRIBUIÇÕES DAS CRIANÇAS:

  • Decidir o quanto vai comer e se vai comer;
  • Comer a quantidade que precisam;
  • Aprender a comer o que os pais comem;
  • Aceitar que estão crescendo conforme o esperado;
  • Aprender a se comportar nas refeições – sentar à mesa, usar os talheres de maneira adequada, mastigar de boca fechada, não falar enquanto come.

E aí, mamães, o que vocês acham dessa divisão de atribuições? Será que dá pra relaxar um pouco e deixar uma parte pras crianças decidirem? Se a criança estiver ganhando peso e crescendo, não tem porque se preocupar.

Este texto foi reproduzido, com autorização da autora, do Blog O que Houve com a Couve

Luiza Mattar é Nutricionista Comportamental especializada em pediatria e em transtornos alimentares. Acredita que o equilíbrio é a base de uma alimentação saudável. Comer de tudo para poder comer tudo- sem culpa, sem neuras e com muito prazer. Criou esse blog para ajudar as mamães com suas dúvidas, medos e aflições no que diz respeito à alimentação e nutrição.

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