Seu Filho Demorou para Andar? OS MEUS também

Aproximadamente três anos se passaram e exatamente a mesma história se repetiu. Seguindo, literalmente, os passos da irmã, Luleco andou, prestes a completar 18 meses.

Só que diferente da Nina, dessa vez eu estava diferente. Apesar desse assunto nunca ter sido algo que me deixou super preocupada, como muitas mães que vejo comentarem o post sobre o bebê demorar para andar, contando minha experiência com a Nina, seria mentira eu dizer que a ansiedade nunca passou por aqui. Eu nunca achei que a Nina tivesse algum problema ou atraso no desenvolvimento, assim como nunca achei que o Luli tivesse, mas eu ficava sim ansiosa pelo dia que ela tomaria coragem de soltar as mãozinhas e sair andando por aí. Principalmente porque os comentários de que o filho da fulana, da ciclana, da beltrana andou com 8, 10, 12 meses eram frequentes. Além das sugestões de que eu não estava estimulando, de que precisava fazer isso e aquilo para ajudar a criança a se sentir segura…

Com o Luli foi tudo igual. Os comentários e palpites os mesmos, com a diferença que, dessa vez, eu realmente estava bem despreocupada com tudo isso. Chegava a esquecer e nem associava a idade dele com o fato dele não estar andando.

Acho que também conta o fato de que tenho a sorte de ter uma pediatra em quem confio muito, me deixa muito tranquila e segura em relação ao desenvolvimento das crianças e à minha forma de criar meus filhos. Ela sempre me tranquilizou, dizendo que cada criança tem seu tempo, que se todo o resto está se desenvolvendo bem, peso, altura, fala, novas habilidades, não há com o que se preocupar, que a hora chega.

E assim foi.

Não tem criança que não curte comer, outras que têm dificuldade para dormir, uns que não conseguem mamar direito, e por aí vai? Pois bem, o Luli não se interessava por andar. Estava bem engatinhando. E estímulos não faltavam! Há uns dois meses ele mudou de turma no berçário, pois acharam que ele já não estava tão interessado nos estímulos que estava recebendo. Na turminha nova TODOS os amiguinhos andavam, com exceção dele. E o que ele fez com isso? Nada! Hahahahahahaha. Seguiu com sua forma de se locomover, engatinhando ou pedindo a mão para o professor, para a irmã, para mamãe e papai, vovó, dinda, dindo, titias… seguiu sendo feliz e sossegadão, como sempre foi.

Aí que veio um recado na agenda de que as tias haviam observado que ele estava pisando “torto” com o pé esquerdo, quando estava apoiado ou andando de mão dada com alguém. Eu nunca tinha reparado. Mas passaram-se uns 15 dias e uma amiga minha comentou a mesma coisa.

Observando, desde o aviso da agenda, notei que, de fato, ele estava pisando com o pezinho esquerdo bem aberto. Mostrei para a pediatra em uma consulta e ela me disse que muito provavelmente aquilo não era nada e que, enquanto ele não estivesse andando, não teria muito o que fazer. Mas para eu ficar mais tranquila eu poderia levar em um ortopedista.

Até peguei o contato do ortopedista mas desencanei do assunto. Não coloquei na minha lista de prioridades.

Logo na semana seguinte, a fisio que faz as sessões de fisioterapia respiratória me disse sobre o pezinho dele também. Aí parei de enrolar e marquei o ortopedista. Vai que era isso que estava “atrasando” o desenvolvimento dele né? Será que eu podia realmente não estar estimulando e estar atrasando o desenvolvimento do meu filho? Vai saber né?

Né nada. Papai o levou na consulta com o ortopedista e absolutamente nada foi identificado. Não existia problema algum. Ele pisava assim por pisar, porque não estava firme, talvez porque não queria andar e ponto.

E depois de nem uma semana após a consulta, com a ajuda da minha tia, ele foi. Caminhou um longo percurso, na casa da vovó, como se estivesse fazendo aquilo há meses! Caiu algumas vezes, mas foi, lindo, fofo, como um pinguim, meio desengonçado, com todo aquele remelexo dos primeiros passinhos.

Uma semana depois ele se levantou sem apoio, e já queria sair correndo. E assim está. Andando pela casa toda, feliz com a nova conquista, com a liberdade de ir e vir sozinho.

Foi no tempo dele. Não foi no tempo do livro, dos estudos científicos, dos padrões, da média. Como a pediatra das crianças sempre diz. Se eu como um pedaço de frango e você come cinco, na média comemos três! Mas você continuou comendo bem menos que eu. Desapega da média :-)

O post sobre a Nina ter demorado para andar é um dos mais acessados no blog e tem novos comentários diariamente, o que me fez ver que a média, nesse quesito, só serve para atormentar as mães dos bebês que demoram mais tempo para dar os primeiros passinhos, porque a quantidade de gente que vive essa realidade é tão grande, o que prova que isso é absolutamente normal!

Além disso, as informações disponíveis são bem desesperadoras para quem vive essa realidade. Todos os artigos sobre o assunto que encontrei na internet dizem que, se não andar até uns 15, 18 meses, pode sim ter algo errado. Mas peraí gente! Pode não ter nada errado também. Essa informação atormenta a cabeça das mães!!!!! Tem pediatra por aí pedindo ressonância para crianças com desenvolvimento absolutamente normal. Pra que expor crianças tão pequenas a esse tipo de exame? Porque no livro diz que até idade X tem que estar andando cheio de habilidade?

Por favor, vamos ponderar e relevar essas informações e olhar para o que acontece dentro de casa. Acho que esse post é importante para confortar o coração de algumas mamães.

Então, se o seu filho ainda não anda ou demorou para andar, não se sinta só, comigo foi assim também. E foi assim duas vezes!!!! E os dois seguem crianças absolutamente normais, inteligentes e saudáveis.

lulinina

Agora Luleco anda pela garagem para entrar e depois de sair do carro, de mãos dadas com a irmã. Tá muito mocinho!!!!!

Beijos – Mari

 

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8 comentários

  1. Rose Poli comentou:

    Isso mesmo adorei o post e o recadinho… Isso de rotular nossos filhos tb ja me cansou e me tira do serio.. comparaçoes… Falta de noçao e o que fazer.. ficar dando pitacos nos filhos alheios kkkkkkk deixem nossos pequenos se desenvolverem no tempo deles ne.. Adori bjos..

  2. Vanessa comentou:

    Minha primeira filha andou com 10 meses e tive a impressão de que perdi minha bebê muito rápido, talvez eu tenha estimulado muito… agora minha segunda filha está com 14 meses e está longe de andar, só QUER engatinhar e assim ela vai para todo canto… E Eu não forço nada e nem estímulo tanto (Na verdade ESTOU QUERENDO TER UM BEBE POR MAIS TEMPO…) e em nenhum momento fiquei preocupada, acho que cada crianca tem seu tempo E ESSES PADRÕES DE DESENVOLVIMENTO SÃO AS PRÓPRIAS MÃES QUE IMPÕEM… SEM NEURA ESPERO O DIA QUE ELA VAI DESCOBRIR ESTE MUNDO COM SUAS PRÓPRIAS PERNAS…

  3. neima comentou:

    Mari, a parte do texto que vc falou sobre ressonância me lembrou de um momento bem difícil com o Gu. Desde a gestação sabíamos da sua questão renal e que teríamos de acompanhar de perto. Ainda na maternidade foram feitos os primeiros exames e já na primeira consulta com a minha então pediatra, ela nos encaminhou pra um nefro Super autoridade no assunto. E adivinhe o que ele sugeriu?? Exames de imagem com contraste e tudo, assim que o Gu completasse 30 dias de vida. Quase morri na época e graças a Deus fomos atrás de outra especialista (recomendada pelo meu atual pediatra). O exame não foi feito até hoje, o acompanhamento que fazemos não é nada invasivo e seguimos bem assim.
    A lição que fica é sempre ir atrás de uma segunda opinião (e acho que isso vale pra tudo na vida, rs). Não podemos viver com a faca no pescoço só por causa de “parâmetros”:)

  4. Diuli comentou:

    Minha filha tem 17 meses e começou a dar uns passinhos a poucos dias. ela engatinha muito rápido, então não tem paciência para desenvolver habilidade de caminhar. confesso que fiquei muito preocupada, fazendo comparações e ouvindo comentários de outras pessoas, mas suas experiências me deixaram mais tranquila.
    a gente acaba se cobrando muito como mãe, pessoas fazem comentários como se você não estivesse exercendo sua função como deveria (não estimulando o filho a caminhar), e as vezes você acredita nisso, tanto que muitas vezes, acabei forçando a minha filha a caminhar, mesmo chorando, o que me causa remorso e arrependimento.

    1. A opinião dos outros acabam nos afetando mesmo. Mas fica tranquila, cada criança é uma, e o importante é o que você acredita. Beijos

  5. Camila comentou:

    Adorei seu post, veio para me acalmar um pouco, sábado minha bebê fez 17 meses e no domingo fomos em uma festa dá família, nossa ouvi todos os tipos de absurdo por minha filha não andar, e isso nos mágoa, mas mãe sente e eu sei que ela só não anda porque ainda não se sente segura!
    Cheguei até a cogitar A HIPÓTESE de não ir em festas que estejam essas pessoas, para não ficarem falando de minha filha!
    Obrigada!