A Volta ao Trabalho, a Amamentação e o Desmame do Yuri

Quem me acompanha assiduamente (rs) sabe que uma das minhas angústias, quando minha licença maternidade chegasse ao fim, era a amamentação. Eu desmamei a Nina aos seis meses, então, quando ela começou a frequentar o berçário, e quando voltei a trabalhar, ela já não mamava mais no peito.

Hoje, com 9 meses, o Luli está desmamado, e o processo foi bem tranquilo. Muito melhor do que eu esperava.

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Eu sou TOTALMENTE A FAVOR DA AMAMENTAÇÃO, que fique claro, mas não sou a favor de determinados sacrifícios, que afetam a saúde física e emocional da mãe, e consequentemente afetam também o bebê, em função da amamentação. Estou dizendo isso porque nunca determinei um tempo mínimo para amamentar o Luli. Para mim a questão era, vou amamentar enquanto estiver bom para os dois. E foi assim que as coisas aconteceram. Eu sempre tive certo que amamentar era um desejo forte! E sei que se não tivesse conseguido me frustraria, acho que não tem como dizer que não bate a frustração, mesmo quando sabemos que existem fatores que não dependem de nós. Mas enfim, amamentei, por quase 9 meses completos, e me sinto muito feliz em ter conseguido!

O fato é que eu achei que conseguiria fazer um bom estoque de leite materno para mandar para a escolinha, quando o Luli começasse a introdução alimentar. Isso porque quando o lanchinho começou a substituir uma mamada, o meu peito ficava explodindo, e eu precisava extrair todos os dias. Então, eu achei que quando ele começasse almoçar, e ficasse umas cinco horas sem mamar, o peito ia bombar de leite. Mas não, o corpo é muito inteligente e logo percebeu que podia reduzir a produção, pois o Luli já não estava mais precisando de tudo aquilo.

No fim das contas eu não precisava extrair nada nos horários das refeições, e aí eu tinha o suficiente para as três mamadas do dia: quando ele acordava, depois do almoço, e antes de dormir.

Quinze dias antes de eu voltar a trabalhar, o Luli já fazia todas as refeições, mamava três vezes por dia, eu sabia que ele tomaria uma mamadeira depois do almoço, e queria que fosse com o leite materno. Aí comecei a dar o estoque que eu tinha na mamadeira (que era suficiente para uns 5 dias, porque precisava descongelar duas porções de 120 ml, que era o que eu extraía, para cada mamada) e a ideia era extrair todas as manhãs, depois que ele mamasse. Eu não queria extrair o leite depois do almoço, pois quase nunca eu conseguiria parar nesse horário para fazer isso no escritório. E a verdade é que eu não estava disposta a fazer isso também.

Aí não rolou. Uma semana antes de voltar da licença comecei a organizar a rotina de horários que precisaria seguir na semana seguinte e me enrolava toda tendo que tirar leite. Aí decidi que tentaria a fórmula e o Yuri continuaria mamando no peito quando acordasse e antes de dormir.

Chegou o fim da licença e, em uma semana, só consegui amamentar o Luli antes de sair de casa em um dia. Os horários não casavam, se eu esperasse ele acordar eu chegaria muito tarde no trabalho e os horários das aulas com o personal também estavam impactando.

Aí que vem a questão de escolhas gente. Eu poderia ter parado as aulas com o personal até desmamar o Luli, poderia tentar reorganizar meus horários no trabalho, ou sei lá mais o que. Mas a questão é que eu acho que as coisas precisam estar em equilíbrio e foi uma ESCOLHA minha eu trabalhar fora e ser mãe, então, preciso achar o melhor equilíbrio para estar bem e deixar meus filhos bem também.

Optei então por manter somente a mamada de antes de dormir, sem tempo definido para acabar. Todos os dias estava chegando do trabalho, ficava um pouco com as crianças, preparava o Luli, amamentava e ele dormia.

E aí começou o processo de desmame. Eu não achava que aconteceria logo. Sinceramente achei que amamentaria até o Luli completar 1 ano, pelo menos. Mas o bom é que foi muito tranquilo. O Luli passou a mamar cada vez mais rápido e a ficar irritado quando estava perto de terminar. Mamava os dois seios em menos de 10 minutos e quando terminava balançava a cabeça para frente e para trás e começava a chorar.

Aí demorava para pegar no sono, coisa que não acontecia antes. Foi quando tentei oferecer uma mamadeira depois do peito, ele secou o leite, e dormiu mega rápido! Então achei que o peito já não estava mais sendo suficiente. Mas até aí, ofereceria o peito e a fórmula para complementar.

Só que o meu peito virou brinquedo. O Luli mamava uns dois minutos, mordia, puxava o bico com as pontas dos dedinhos, batia, apertava, fazia de estilingue. Ou seja, não estava mais mamando coisa nenhuma, estava brincando e se divertindo, e depois se saciava com a fórmula. Eu poderia ter insistido mais, estimulado mais, ou feito algo mais? Talvez sim… mas refleti e achei que o ciclo da amamentação podia ser encerrado.

E foi assim que o desmame aconteceu. Sem neuras, sem estresse, sem cobranças, de forma tranquila. E estou muito feliz em saber que estou fazendo o melhor que EU posso fazer pelos meus filhos. Porque também existe muito amor na mamadeira que preparamos todos os dias para meu pituco :-)

Beijos – Mari

 

 

 

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5 comentários

  1. flávia comentou:

    está certíssima! Eu comecei a ler e já estava me questionando porque você não continuou dando de mamar antes de dormir e de manhã… Eu fiz isso com minha filha até ela desmamar naturalmente aos dois anos e dois meses (eu já grávida do meu bebê que hoje está com sete meses), e pretendo fazer do mesmo jeito com ele. Também trabalho o dia todo fora e nunca tirei leite pra mandar pra escolinha depois que voltei ao trabalho (tive 6 meses de licença e mando fórmula pra escola). Massss, li seu relato e achei perfeito pra vcs! Cada um precisa achar seu equilíbrio, concordo!
    Eu, recentemente, mudei meus horários no trabalho e também não conseguiria esperar que o bebê acordasse pra mamar, então tenho tirado ele dormindo do berço antes de sair, amamento, e coloco de volta no berço dormindo. tem dado certo, mas confesso que fico sempre com receio dele despertar..rs
    Enfim, também sou a favor da amamentação, mas, da mesma maneira, acho que alguns sacrifícios não valem…
    Parabéns pelos lindos filhos e adoro seu jeitinho de nos contar suas experiências!
    beijos!

    1. Adorei seu relato Flavia!!!! Muito obrigada por compartilhar também :-) Realmente a forma de encontrar o equilíbrio de cada um é muito particular. Beijos e obrigada pelo carinho

  2. Thaisa comentou:

    Muito reconfortante ler seu post mari! Minha filha é um pouco mais velha que o Luli e desmamou agora também, com 9 meses e meio! Mas ao contrário de você me culpei um pouco pelo meu leite ter diminuído e eu ter que parar a amamentação. Aos poucos estou me conformando que foi no tempo que era pra ser e que como você disse numa mamadeira também pode ter muito amor! Obrigada por dividir suas experiências e acalmar o coração dessa mãe de primeira viagem aqui!!! Parabéns pelos filhos lindos! Beijos

    1. Thaisa, é comum esse sentimento, mas tenha certeza que você fez o melhor que podia. Beijos com carinho