Seven Days of Life – por Karim Scharf (Day 4)

O quarto dia do projeto “Seven Days of Life” foi, sem dúvidas, o que teve a maior carga emocional.

Chegamos em casa com o Yuri em uma sexta-feira, era sábado e amanhecemos com a notícia de que meu padrinho, que já estava há um tempo doente, havia falecido. Apesar de sabermos que ele não estava bem, não esperávamos por isso. Meus pais estavam em casa e obviamente iriam dar o suporte necessário para minha tia e primos. O Rodrigo ficou comigo e liguei para uma amiga minha, a Livia, que já estava planejando vir me visitar, perguntando se ela poderia ficar em casa até alguém voltar, pois, em recuperação da cesárea, com um RN em casa e a Nina, não teria possibilidade de estar sozinha.

Eu fiquei muito abalada com a notícia e, principalmente, por não poder estar perto da minha família neste momento. Não poder estar perto da minha madrinha e dos primos, com quem tenho uma relação muito próxima me deixou mal. Mas eu não achei prudente sair nas condições que estava com um bebê de 4 dias de vida.

Logo que a Livia chegou em casa o Rodrigo foi para o velório. Ela me ajudou muito! Deixou seu marido e filho em casa e veio cuidar da minha família. Aquelas gestos que você terá eterna gratidão, independentemente do que possa acontecer.

A Livia ficou o tempo todo com a Nina, brincando, cantando, estendeu as roupinhas do Luli que estavam na máquina, me distraiu conversando, eu pude dar banho no Luli, amamenta-lo e coloca-lo para dormir.

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Meus pais chegaram e eu estava me sentindo sugada. Física e emocionalmente. Fora essa perda, tinha o fato dos hormônios estarem no ápice, pois neste dia, o leite desceu para valer. Era a dor física misturada com a dor emocional e eu tentando segurar a onda. Não consegui. Quando a Karim chegou e me perguntou como eu estava, eu não respondi. Eu só chorei, um choro doído, um choro que você não sabe exatamente o motivo, mas eu não estava bem.

A Livia, minha mãe e até a Nina me confortaram e a Karim sugeriu que eu fosse tomar um banho. Meus seios estavam gigantes, era uma sensação de que eles poderiam explodir a qualquer momento. Eles latejavam e doíam muito!

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Quando eu e a Karim conversamos sobre o projeto, antes do Luli nascer, ela falou para mim sobre a vontade de fotografar o momento do meu banho. Aquele momento em que nos encontramos com nós mesmas, onde temos um tempo nosso, para respirar, para desabafar, para mandar embora qualquer angústia e aflição. Não deixamos nada combinado, mas, naturalmente, esse momento chegou e a Karim pôde registrar essas imagens. Eu de verdade, nem senti a presença dela ali, mas olhando as fotos, me lembro o quanto eu precisava daquele momento, o quanto aquele banho me renovou, me trouxe alívio e calma. Não me lembro em que momento a Karim foi embora, só sei que ela me respeitou, como em todos os momentos, e me deu de presente essas lembranças.

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E no dia seguinte tudo já estava mais tranquilo. Vou contar no post do quinto dia.

Beijos – Mari

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2 comentários

  1. Daiane comentou:

    Não TEVE COMO não se emocionar COM ESSE POST. QUANTA emoção NAS fotos E NO relato! Parabéns! !

  2. Cy comentou:

    Lindas fotos! Emocionante! Vivi com muita intensidade meu puerpério também!