Coluna da Cari: Parto Natural Domiciliar do Lior

Hola mamis!! Faz um tempinho que não apareço por aqui, mas foi por um motivo muito bom, a chegada do meu príncipe Lior, há 3 meses.

Desde sua chegada meu tempo tem ficado muito curto, já que agora a rotina é com 3 filhos, sendo um recém nascido, por isso esse post está saindo meio tarde, mas não queria deixar de compartilhar com vocês a experiência maravilhosa que tive com meu parto natural domiciliar, na água.

A vontade de desfrutar desse tipo de parto já vinha desde o parto normal da Julia, se intensificou quando tive que induzir o parto da Jojo, e se aflorou depois de eu fazer um curso sobre gestação, parto e pós parto conscientes baseados nos princípios de Kundalini Yoga, onde conheci todas as pessoas que estiveram envolvidas direta e indiretamente no parto.

Para me preparar para o parto natural em casa, fiz durante toda a gestação yoga e ginástica pré-natal, cada um 2x na semana, além de nos últimos dias ter feito uma técnica chamada Hypno Birthing, que seria uma forma de auto-hipnose dedicada a obter um parto fácil e tranquilo. Essa é uma técnica muito conhecida em outros países, há um livro inteiro sobre a técnica, mas eu realmente só fiz a parte do relaxamento e escutar repetidamente as afirmações numa espécie mesmo de meditação, o que seria a auto-hipnose. O objetivo é deixar gravado no subconsciente todas as afirmações positivas para que o cérebro as ative no momento do parto.

Foi com 37 semanas, numa terça-feira, 26 de maio, que percebemos que Lior começou a dar sinais de que queria vir ao mundo. Nesse dia, logo depois do almoço, tive uma consulta com minha GO, que era também nosso suporte, caso precisássemos ir ao hospital em algum momento. Nessa consulta comentei que eu estava com um aumento da secreção vaginal e com um exame de toque ela logo detectou que eu já havia perdido o tampão e não havia dado conta. Estava com o colo do útero 50% apagado e já com 1 cm de dilatação. A partir desse dia comecei a fazer caminhadas diárias e alguns exercícios na bola de pilates para ir ativando as contrações. No fim de tarde tive uma reunião com a doula e a parteira, onde mostrei a elas toda a estrutura que eu tinha montado para o parto, que seria no meu quarto. Conversamos sobre vários pontos importantes, entreguei meu plano de parto e elas também puderam acompanhar um pouco das contrações que eu vinha sentindo desde uns dias antes. Essa noite tínhamos marcado um jantar com uns amigos, me arrumei e tive que parar várias vezes quando vinham algumas contrações. Saímos para comer e as continuei sentindo.

Na quinta, 28 de maio, tive um dia super corrido. Senti várias cólicas e contrações durante o dia todo, mas com o cansaço do fim do dia elas se intensificaram. Quase não consegui jantar e, depois de colocar as meninas na cama, voltei para a sala para tentar controlar o ritmo das contrações. Usei o aplicativo Dorap para ajudar a registrar os tempos. Vinham cada 5 minutos, então resolvi ligar para a parteira. Contei o que estava ocorrendo, disse que iria tomar um banho demorado e voltaria a ligar para ela, caso as contrações engrenassem. Depois do banho voltei a deitar no sofá mas, aos poucos, as contrações pareceram ir espaçando e então resolvi ir dormir. Foi alarme falso.

Os próximos dias se passaram, alguns tranquilos, quase sem movimentação, e outros com noites agitadas, cheios de cólicas e contrações. Comecei a sentir uma pressão na região do púbis. Resolvi escutar o conselho da doula e deixar a piscina já inflada.

No dia 02 de junho, 38 semanas e 1 dia de gestação, haveria mudança para lua cheia e todos ficaram ansiosos esperando se haveria alguma influência. Apesar de dizerem ser um mito, comigo já havia acontecido assim na gravidez da Julia. Dormi super mal essa noite, com muito receio de que a bolsa estourasse na madrugada e tudo coincidisse no mesmo dia, já que nesse dia a Julia teria uma festinha da escola para comemorar o dia da família e estava, há dias, super ansiosa para que todos a vissem atuando. Passei a noite toda olhando se o colchão se não estava molhado hahaha.

Na quarta, 03 de junho, tive ultrassom e cardiotoco. Tudo OK, 2 contrações fortes foram detectadas nos 20 minutos em que fui monitorada e apesar de não ser algo que nos afligia, o médico reafirmou que não havia nenhuma circular de cordão.

À tarde tive consulta novamente com a GO. Estava ansiosa para ver se havia mudado alguma coisa desde a última consulta. Após um toque ela detectou que havia aumentado 1 cm mais de dilatação e o Lior havia descido mais 4 cm. Ela me perguntou se podia fazer uma massagenzinha no colo do útero para ver se ativava as contrações, que continuavam vindo, mas não engrenavam a um Trabalho de Parto (TP) ativo. Vejam bem, não conheço a técnica que ela usou, mas não foi o tal descolamento de bolsa não, ela tocou o colo do útero durante 1 segundo, juro, foi muito rápido, nem senti, até perguntei se ela realmente tinha feito algo. Perguntei a ela se o TP iniciaria de qualquer jeito depois disso e ela disse que não, que somente se o corpo estivesse preparado. Eu estava muito ansiosa e com receio de passar as 40 semanas e nada acontecer.

Saí da consulta e fui com o marido comer um lanche num café super gostoso que costumamos ir. Enquanto estivemos lá o Lior não parou de se mexer 1 segundo e de uma forma diferente de antes. Comentei com o marido que de duas uma: ou Lior não gostou que tocaram na casinha dele ou aquela era a última vez que estávamos saindo para comer fora antes dele nascer rsrs. E realmente não deu outra.

Quinta-feira, 04 de junho de 2015, 38 semanas e 3 dias de gestação. O grande dia chegava. Após algumas contrações na madrugada acordei super disposta. Depois de deixar a Jojo na escolinha, tomei um café da manhã reforçado e me preparei para caminhar. O dia estava lindo, um calorzinho super agradável. Esse dia resolvi caminhar um pouco mais, por quase 1 hora. Ao entrar em casa subi e desci as escadas propositalmente umas 8 vezes e fui fazer 10 minutinhos de exercícios na bola.

Um pouco mais tarde busquei a Jojo na escola e, enquanto almoçávamos, senti uma cólica muito forte. Depois subi me trocar para levar ela na pediatra e, enquanto isso, cheguei a sentir algumas contrações, mas foi só no carro, no caminho para a pediatra. Por voltas das 14h que pude perceber como aquelas contrações estavam intensas e diferentes. Aguardando no consultório até tentei contar o intervalo delas, mas eu não conseguia me concentrar, já não me sentia normal e mal consegui fazer isso. Eram algo em torno de 6 a 8 minutos.

Ao entrar na consulta a pediatra olha para minha barriga e diz: “Nossa sua barriga ainda está alta!” e lá no fundo pensei, mas não disse: “Pois é mas acho que estou em TP, Dra” rsrs. Ainda duvidava daquelas sensações, já que há uma semana antes, tinha tido aquele alarme falso.

Na volta para casa elas eram ainda mais fortes. 15h30, passei buscar a Julia na escola e as contrações não sessavam. Cruzei com a mãe de uma amiguinha dela que diz: “Cari! Você já está quase lá!” E novamente penso e não digo: “Acho que estou em TP ativo nesse momento, querida!”

Voltamos para casa e falei para as meninas irem brincar num parque aqui perto com as babás, assim eu ficaria mais tranquila, tomaria um banho quente e deitaria um pouco para controlar as contrações. Envio uma mensagem para o marido avisando das dores fortes e que voltaria a avisa-lo mais tarde. Ele se anima.

Fiquei na ducha uns 15 minutos deitada na bola. Depois fiquei caminhando no quarto tentando marcar o tempo, que pareciam ser de 3 a 4 minutos. Peguei o celular para ligar para a parteira e para a doula, mas desisti. Resolvi deitar do lado esquerdo para descansar um pouco e, por incrível que pareça, as contrações se espaçaram e vinham a cada 10 min. Isso me confundiu muito, já que acreditei que fosse ser alarme falso de novo. Então umas 18h20  escutei que as meninas chegaram e descio para fazer a tarefa com a Julia. Ao levantar já voltei a sentir as contrações mais curtas e, então, às 18h35 resolvi ligar para a parteira de vez e contar o que estava acontecendo. Disse a ela que não estava conseguindo medir o ritmo, já que, ao ativar meu racional para fazer isso, me perdia nas minhas sensações. Ela disse para eu não me preocupar com isso e se prontificou a vir já para casa, mas disse que voltaria a ligar novamente em 1 hora, para ela não dar a viagem como perdida.

Gente, eu não queria acreditar meeeesmo que estava em TP kkkk. 19h liguei para o marido, que depois do trabalho, como eu não havia avisado nada de novo, tinha ido ver uns amigos de SP que haviam acabado de chegar, e falei para ele vir para casa. Também liguei para a doula ficar de sobre aviso e fiquei de voltar a ligar, se tudo continuasse igual.

Fiz a tarefa com a Julia e já tive que parar e respirar a cada contração. Minha mãe apareceu e tirou algumas fotos minhas. Pelo horário das fotos percebemos que as contrações estavam bem próximas e ela me aconselhou a ligar de volta para a parteira. Eram 19h30.

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Peço para minha ajudante um caqui para comer, já que não havia comido nada desde o almoço. Tenho que parar enquanto como quando as contrações vinham. O marido chega, fico brava, pois para mim ele demorou muito para chegar rsrs e falo para ele ir tomar banho para arrumarmos as coisas. Pego o celular, tomo água, paro com as contrações, respiro, e falo para as babás que eu já não desceria mais, que era para elas cuidarem das meninas para mim e dormir com elas. Eu não sabia quanto tempo aquilo tudo que estava por vir duraria, mas disse que o colégio estava liberado no dia seguinte, que podiam até fazer festa do pijama, se quisessem.

Subo as escadas e ligo novamente para a doula vir também, somente pela minha voz ela já entende tudo. Entro no quarto e saio preparando tudo. Paro durante as contrações que me levam looonge e me trazem de volta. Em algumas delas me agacho, em outras apenas me balanço de um lado para outro enquanto respiro profundo. O marido sai do banho e briga comigo que eu estou levantando coisas. Ele se troca e começa a me ajudar. Deixamos o quarto pronto e ele desceu para preparar a mangueira, que viria encher a piscina. 20h10 a doula chega e acompanha algumas contrações. Olho para ela e digo: “menos uma” e sorrio. Ela termina de me ajudar em alguns detalhes. Vou para o banheiro e tiro as últimas fotos da barriga na frente do espelho e me despeço dela. Escuto que a parteira chegou, por volta das 20h30. Sinto que agora já não consigo fazer mais nada e preciso me concentrar. Pego a bola, subo na cama e me ajoelho nela.

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Fico ali durante algumas contrações enquanto a parteira subia as coisas dela. Ela se acerca e diz que precisa me fazer um toque para ver como estava evoluindo. Foi o primeiro e único toque. Ela diz que desceria para dizer tchau para a filha que a havia trazido e que ela podia ir embora. Sobe de volta e diz que vai preparar o antibiótico para aplicar porque eu já estava com 6 cm (meu Streptococus havia dado positivo).  Enquanto isso, continuo na bola. Ela volta e me sento na bola mesmo, no chão. Chamo a doula para me dar a mão, temendo aquela aplicação. A parteira fala para já preparar a piscina. O marido começa a encher enquanto ela aplica o antibiótico intravenoso, que por sinal não sinto nada, nem a picada.

Ela termina e entro na piscina. Já não sei mais que horas são. Agora as contrações começam a vir fortes. Não luto contra elas. Me debruço na borda da piscina e me deixo levar. A cada uma vocalizo “AAAAA”, tratando de relaxar e focalizo uma luz brilhante na região do terceiro olho. Foram técnicas que aprendi no curso. Fico ali disfrutando de tudo. A doula faz uma massagem deliciosa em 8 na região da lombar em cada contração. Nos intervalos observo tudo, mas sinto que estou longe. A água começa a esfriar então o marido começa a encher com baldes de água da ducha do banheiro. Ele trabalha duro e transpira muito. Foi um parceirão!! Papai nota 1000! Temperatura da água OK ele vem junto a mim. Me da a mão e ficamos juntos. Com o uso da ducha o vaporzinho do banheiro ajuda a esquentar o quarto. Lembro que me ofereceram suco, tomei um golinho, mas não me caia bem, então pedi somente água mesmo.

As contrações eram curtas mas muito efetivas e após uma um pouco mais forte e demorada que as outras sinto um ‘ploft’ dentro de mim. Ajoelho-me e digo à parteira que algo tinha acontecido. Ela me acalma e diz que foi a bolsa que estourou. Revisa a água para ver se havia presença de mecônio e diz que não, que estava limpinho. Fico apreensiva de não saber ao certo quanto ainda faltava para o expulsivo e, pela bolsa ter estourado, começar a sentir as contrações mais fortes. Mas não, apenas algumas contrações depois dessa sinto uma grande vontade que parecia de fazer cocô rsrs. Levanto e já com um pé para fora da piscina, grito: “Acho que quero fazer cocô!”. Minha mãe manda alguém trazer o penico das meninas hahaha, mas na maior tranquilidade de quem já deve ter ouvido muito isso, a parteira me olha e diz: “Calma, Carina, é seu filho que está nascendo.” Então volto o pé de volta para a piscina, tiro a calcinha e me coloco em posição semi sentada para o expulsivo.

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Contrações vêm e a vontade agora é de fazer força. Meu marido me ajuda colocando o braço por baixo e eleva minha pélvis. Dou a mão para minha mãe para conseguir focar melhor a força. Após algumas tentativas começo a sentir o círculo de fogo. A parteira me recomenda tomar ar e fazer força com a boca fechada. Tento mais uma vez e a cabeça ainda não sai inteira. A parteira percebe que a minha cicatriz das episiotomias anteriores é que está dificultando, já que a pele nessa região é fibrosa e não cede tão facilmente. Ela pergunta se quero que ela abra um pouquinho com o bisturi e dou um belo grito: “Não!”.

Uma nova contração vem e agora sim, faço uma força enorme. Urro como uma ursa, como uma leoa protegendo o filhote. Urro a dor de vida que tanto havia lido e escutado em outros relatos de parto. É um boom de ocitocina nesse momento. E com ajuda das mãos mais experientes que já conheci, a parteira abre um pouco o canal de parto com os dedos e Lior vem ao mundo. Da água para a água, diretamente para meus braços, às 21h55. O abracei e ficamos ali, eu , ele e o papai. Rindo, chorando, amando, curtindo cada segundo desse parto, onde nós fomos os protagonistas. “Eu consegui!” sussurrava ainda sem acreditar. Cantei para ele ‘El eterno sol’. Ofereci o peito e ele pegou direitinho. Esperamos o cordão parar de pulsar. Aliás, que sensação mais indescritível sentir o cordão latindo as batidas da ligação entre nossos dois corações. O papai fez uma oração linda e então o cortou. E somente então nos separamos por uns poucos minutos.

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A parteira pegou o Lior no colo e o levou para a cama para fazer o clampeamento do cordão e para que eu pudesse me levantar e sair da piscina para esperar o alumbramento da placenta. Deitamos na minha cama todos juntos e fiquei observando enquanto ela o pesava e media: 3.180kg – 51 cm. O trouxe para mamar e ai sim ele pegou com tudo!! Enquanto isso, ela me revisa e disse que o períneo estava íntegro!! Apenas precisaria de 1 pontinho para não ficar sangrando e não me incomodar. Meu pai entrou no quarto para conhecer o neto. Esperamos o Lior mamar os dois lados e então nasce a placenta. A guardo em um recipiente na geladeira para plantar depois no jardim. Papai fica com o Lior enquanto a parteira me faz o pontinho. Não dói nada.

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Trocamos o Lior e ele dormiu. Infelizmente, por ser muito tarde, as meninas já dormiam. Gostaria que elas viessem o conhecer e ajudassem a vestir a primeira roupinha do irmão. Enquanto eu espero deitada, o papai e a vovó começam a arrumar o quarto. A parteira fica em um cantinho anotando todos os detalhes. A doula fica comigo mais um tempo e depois se despede.

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Sinto vontade de fazer xixi e peço para levantar. Impressionante como não sinto nada, nenhuma dor, e vou caminhando até o banheiro. Ao voltar para a cama sinto fome e peço uma banana.

A parteira fica conosco até umas 2hs da madrugada e depois também vai embora. A vovó traz um prato de sopa para mim e para o papai. Como ali mesmo, namorando a minha cria. Depois de arrumar tudo, papai toma banho e finalmente deitamos os três juntos. Papai capota de sono (até hoje ele agradece não precisar ter dormido no sofá duro de um hospital haha). Já minha adrenalina, não me deixa dormir. Fico ali admirando meu bebê. Agradecendo a Deus por tudo aquilo e pela perfeição do meu filho. Confesso que mesmo sendo mamãe de terceira viagem, também fico checando toda hora se ele está respirando rsrs e então, quando o dia amanhece e as meninas acordam, ligo para a babá trazer elas ao quarto e todos juntos completamos a nosso primeiro encontro como uma família de 5 : )

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Cari

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2 comentários

  1. carol comentou:

    NOSSA, QUE RELATO INCRÍVEL!PARABÉNS PELA CORAGEM E FORÇA! QUE SEU BEBE E TODA A SUA FAMÍLIA TENHAM SEMPRE MT SAÚDE! MAS FIQUEI COM ALGUMAS DUVIDAS A RESPEITO DESSE TIPO DE PARTO:NÃO É NECESSÁRIO O BEBÊ PASSAR POR UM PEDIATRA ASSIM QUE ELE NASCE?E SE POR ACASO, O BEBÊ OU VC POR QUALQUER MOTIVO QUE SEJA, PRECISASSEM DE UM ATENDIMENTO MÉDICO OU HOSPITALAR LOGO APÓS O PARTO, COMO FARIAM?É CLARO QUE NÓS SEMPRE QUEREMOS E ESPERAMOS QUE O MELHOR QUE ACONTEÇA, MAS ACHO Q TEMOS TAMBÉM QUE PENSAR EM TODAS AS POSSIBILIDADES QUE POSSAM ACONTECER! BJS

  2. Cristina comentou:

    Que lindo! adorei esse post! Um grande beijo!