Coluna da Lari: Sobre a Chegada de um Irmãozinho

Olá! Que saudade de escrever para vocês! Nossa coluna ficou um tempinho parada, mas adoro esse espaço e prometo voltar a escrever com frequência! E para a nossa reestreia, nada melhor que abordar um tema que tem tudo a ver com o momento do blog, a chegada de um irmãozinho.

11402721_10203416395525625_3734663119497897586_n

Foto Karim Scharf

Antigamente quando uma mulher que já era mãe engravidava, era comum a expressão “vai cair do galho”, referindo-se ao filho mais novo, como se a chegada de um bebê acontecesse para tirar o lugar do irmão mais velho, que deixaria de ser o caçula e de ter certas regalias. Lembro de ter ouvido muito isso quando minha irmã mais nova estava para chegar (rs), o que gerava pânico ao imaginar o quanto ela estava vindo para tomar o meu lugar e que lugar sobraria pra mim após a chegada dela. Portanto, fica o alerta para os pais que esperam a chegada de mais um filho. Explique ao seu filho, dentro da capacidade de entendimento dele, o que está acontecendo. Ele logo perceberá as mudanças. Porém, sempre deixe claro que o irmãozinho virá para somar, e jamais tirar algo dele.

A chegada de um segundo filho, assim como a do primeiro, muda completamente a rotina da casa e de todos que vivem nela, inclusive do irmão mais velho, que deixa de ter toda a atenção voltada para ele e precisa dividir o papai, a mamãe, a babá e o espaço físico. Ainda que você já tenha mais de um filho, a chegada de um bebê trará muitas mudanças externas e internas para todos os que estão ao redor.

Os primeiros dias que seguem após o nascimento de um bebê são extremamente sensíveis para a mãe, que tem que aprender a conviver com um novo serzinho, com seu novo corpo, com os hormônios e com a sua nova rotina. Essa mãe, ainda que já tenha outros filhos, renasce junto ao nascimento de seu bebê, ela terá que se reinventar para dar conta da nova demanda, do novo ser que gerou, e dos que já dependiam dela antes desse chegar.

Se é difícil para os companheiros e para as pessoas que estão ao redor lidar e entender tudo isso, imagina para uma criança, que é também filha dessa nova mãe que está renascendo. São muitas mudanças ao mesmo tempo, e toda mudança relacionada à mãe mexe de maneira especial com a criança, por isso, é normal que ela se comporte de maneira diferente em um primeiro momento. É importante que os adultos próximos consigam entender e acolher essa criança, afinal, o bebê teoricamente precisa de mais cuidado e atenção, porém, o irmãozinho mais velho estará sensível, e precisará sentir que o bebê veio para tornar a família ainda mais feliz, e não para ocupar o seu espaço. Ele precisa entender que o seu espaço continua o mesmo, ainda que um pouco mais apertadinho, e que nada mudou em relação ao sentimento das outras pessoas por ele. Fazer com que a criança perceba e sinta isso é papel dos adultos que são referência para ela.

Além disso, um irmão é o primeiro rival que convivemos na vida, então é normal que surjam ciúmes. Mais uma vez será papel dos pais mostrar a criança mais velha que aquele sentimento é normal e ajudá-lo a lidar com isso, afinal, aquele é apenas o primeiro rival que a criança conhece. Ao longo de sua vida surgirão outros, e os recursos que ela obteve para lidar com o irmão serão essenciais para que lide de maneira saudável com todos esses outros.

Uma dica prática é permitir que a criança ajude nos cuidados com o bebê, dessa forma ela se sentirá útil e entenderá que o bebê não veio tirar nada dela, e sim trazer momentos diferentes e coisas legais que não aconteciam antes da sua chegada. Incentivar que a criança mais velha brinque com o bebê desde cedo também é importante para fortalecer o vínculo entre os dois. É comum que a criança queira mexer e até mesmo usar os objetos do bebê, como a chupeta que ela já não usava mais. Caso isso aconteça é importante que você tente negociar, mostrar ao seu filho que ele não precisa mais daquele objeto, e que ele possui várias coisas que o bebê ainda não pode usar. Tente não fortalecer os ciúmes afirmando que é do irmão e não dele. Se a negociação não funcionar você pode deixar ele experimentar por um tempo, deixando de ser proibido a criança provavelmente não se interessará por muito tempo.

Outra coisa importante é tentar adaptar a nova rotina sem interferir tanto nos horários do filho mais velho. Ter que deixar de ir a natação ou ao balé porque o irmãozinho nasceu será entendido pela criança como punição, então é bacana tentar se organizar ou pedir ajuda a alguém para que isso não precise acontecer. Tente tirar uns minutinhos do dia para ficar só com o filho mais velho, brincar, conversar, dar uma volta, isso mostrará para ele que ele não terá que dividir sua atenção o tempo todo, e que os momentos só de vocês continuarão existindo.

Aos poucos tudo vai se encaixando. Lembra como foi difícil quando o primeiro chegou? Uma vez ouvi uma frase que nunca saiu da minha cabeça: “a melhor coisa que podemos fazer por um filho é ter outro”. Eu concordo com ela plenamente, apesar de o segundo ainda não ter chegado por aqui. O amor entre irmãos é algo maravilhoso, portanto não se sinta culpada e nem ache que está fazendo menos por um do que por outro, cada filho é único e com certeza em determinamos períodos demandará mais que o outro. Boa sorte!

Beijos!! Lari

Deixe seu comentário