Como Preparamos a Nina para a Chegada do Yuri

Hoje eu ia escrever um post sobre a minha angústia nos últimos dias pela espera do Yuri, mas como amanhã tenho consulta com a GO e vou tomar algumas decisões, vou deixar para falar sobre isso amanhã e falar hoje sobre um tema que há tempos quero escrever e não sei porque ele vai passando – como preparamos a Nina para a chegada do Yuri.

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Foto Karim Scharf

Na verdade acho que não planejamos grandes coisas. Fomos tentando só lidar com a situação da forma que entendemos, aqui em casa, ser a mais adequada. Não queríamos que ela se sentisse desamparada, sofresse com esse processo, mas também não queríamos deixar de curtir o momento com medo de como ela ficaria.

Eu não me lembro exatamente de como foi desde que descobrimos a gravidez, mas o que sei é que tentamos, ao máximo, deixar ela à vontade para demonstrar interesse e seus sentimentos, fossem eles positivos ou não, para então ver como conduziríamos. Não ficamos a todo momento falando para ela beijar a barriga, abraçar, perguntando sobre o irmão. Temos esperado surgir o contexto, ela perguntar algo, pois ela tem perguntado bastante, para ser um processo o mais natural possível, do tipo, é normal as famílias crescerem, os filhos ganharem irmãos, a barriga da mamãe crescer.

A Nina tem se demonstrado muito carinhosa com a barriga, o irmão, as coisas dele. Todos os dias ela beija e abraça a barriga, conversa com o Yuri, se perguntamos se ela quer que ele saia logo da barriga ou que demore para sair, ela sempre diz que quer que ele saia logo, fala sobre coisas que vai ensinar para ele, diz que vai dividir algumas coisas, que outras são dele, outras são dela… enfim, enquanto ele está guardadinho, ela tem lidado muito bem! São poucos os momentos em que percebemos ela incomodada ou com ciúmes.

Vou contar para vocês então, sobre situações e fatos que acredito terem ajudado nesse processo. É um “mix” de coisas que li e achei que faziam sentido para mim, experiências de amigas que achei interessantes, observação do comportamento da Nina, o que não significa que são corretos ou eficientes, mas sim que acho que em casa funcionaram.

1. Acho que a idade da Nina ajudou bastante. Engravidei quando ela estava com 2 anos e 2 meses e depois dos dois anos é impressionante o desenvolvimento da criança! Digo isso por ela e pelas amiguinhas que convivemos e estão na mesma faixa etária. A capacidade de assimilar tudo que falamos e, principalmente, de se expressar, evoluiu muito de lá pra cá. É possível negociar, explicar, fazê-la entender algumas coisas e, quando ela não concorda, fala, argumenta, e consegue demonstrar boa parte de seus sentimentos. Não sei como seria se ela fosse mais novinha. Ela entendeu que não pode pular na minha barriga, que não posso pegá-la no colo de pé, que não pode se pendurar em mim. Eu costumava dizer que se eu fizesse muito esforço, a barriga iria estourar e o Yuri sairia voando… trágico né? rsrsrsrsrsrs. Mas ela entendeu e quando quer colo, por exemplo, já entende que preciso sentar primeiro.

2. Não está sob nosso controle, mas desde que engravidei ela sempre disse que tinha um menino na barriga da mamãe. Acho que isso é um fator que também amenizou as coisas. Quando eu dizia que achava que era uma menina ela ficava muito brava! Dizia que não queria uma menina, que ela era menina, que queria um irmão menino!!!! E quando veio a ultra para confirmar o sexo, era realmente um menino. Não sei se é coisa da minha cabeça ou não, mas essa diferença de sexo talvez ajude. Pelo menos durante a gestação tem ajudado. Eu digo que tenho uma linda e um lindo, uma periquita e um periquito, uma princesa e um príncipe. Vamos ver como será quando o Yuri chegar.

3. Durante um bom tempo contei uma história para ela do João e Maria. Na história a Maria era a irmã mais velha, assim como a Nina, e falava para a mãe que o João era muito chato, porque ele só chorava, mamava e fazia cocô na fralda, que o João não brincava com ela. Aí a mamãe dos dois explicou para a Maria que o João ia começar a crescer e a Maria ensinaria ele a brincar, e aí começava a lista de brincadeiras que ela gosta e ia dizendo (pega pega, corre corre, esconde esconde, bola, pula pula…). No final da história o João cresce, brinca muito com a Maria e ela entende que é muito legal ter um irmão para brincar. Faz um tempinho que não conto essa história, mas ela AMAVA e pedia para contar todos os dias. Quando terminava eu fazia as associações, de que ela é a irmã mais velha como a Maria, o Yuri será o irmão mais novo como o João, e que mesmo que seja chato quando ele nascer, ele vai crescer e eles vão brincar muito juntos, como o João e a Maria. Me deu um negócio de começar contar algo assim, pois ela dizia muito que o Yuri ia nascer e brincar de pule pule com ela. Comecei a ficar receosa de ser a maior frustração ela se dar conta que, na verdade, nasceria um bebê que não daria muita boa para ela…rs. Acho que funcionou, porque ela agora associa e diz que o Yuri vai nascer bebezinho e quando crescer eles vão brincar juntos.

4. Mostrei muitas fotos dela bebê, dela mamando, de troca de fraldas, e tudo que envolveu essa fase de bebezinha dela. E sempre digo que com o Yuri vai ser igual, que tudo que aconteceu com ela vai acontecer com o Yuri. Me lembro que há algumas semanas do chá de bebê do Yuri eu a chamei para ir comprar algumas coisas para a Festa do Yuri. Ela ficou brava e disse: não, não quero festa do Luli!!!!!! Aí eu expliquei que quando estava grávida dela, ela também teve uma festa, que ganhou muitas fraldas, que fui comprar as coisas para a festa e que agora era a vez do Yuri. Que assim como ela havia ganho muitas fraldas, ele ganharia também. Ela entendeu e topou sair para comprarmos as coisas, me ajudou a escolher, colocar tudo no carrinho, pagar, e ainda preparar tudo para o chá. Quando organizamos os presentes e fraldas ela ajudou a guardar tudo, e dizia repetidamente que o Yuri faria muito cocô e xixi naquelas fraldas, igual ela fazia quando ela era bebezinha, mas que agora ela não usava mais fralda porque já é uma menina grande.

5. Deixo ela à vontade para se envolver em tudo que diz respeito à chegada do irmão. Lavar as roupinhas, guardar, preparar lembrancinhas, arrumar o quarto… eu não imponho. Digo o que vou fazer e pergunto se ela quer ajudar. Ela normalmente quer participar e, enquanto arrumamos as coisas, vou dizendo que me lembro de quando ela era bebezinha, de quando arrumei as coisas dela, mostro as roupinhas e pergunto se ela se lembra de quando usava roupas daquele tamanho. Tento fazer ela se sentir importante no processo. Pergunto se ela vai querer me ajudar a cuidar do irmão, já que ela é muito esperta e por ser uma menina grande vai saber ensinar muitas coisas para ele. É nítida a cara de satisfação dela quando acredita que pode ser útil e importante na vida do irmão.

6. Seguindo a dica de uma amiga que tem um casal de filhos com a mesma diferença de idade da Nina e do Luli, conto a história da família da Marina. Ela AMA! A história começa quando uma moça chamada Mariana conheceu um moço chamado Rodrigo, passa pelo namoro, casamento, lua de mel, gestação da Nina, papai levando mamãe para o hospital para a médica tirar a Nina da barriga da mamãe, Nina bebezinha que só fazia cocô na fralda, mamava no peito da mamãe e depois arrotava (ela AMA essa parte), dormia no berço e chorava. Aí a Marina cresce, não mama mais no peito, faz xixi e cocô no vasinho, não chora sem motivo, dorme na cama, quando Mariana e Rodrigo viajam, e a Mariana fica grávida de novo. Tudo se repete com o Yuri, ele cresce, fica um menino grande como ela e a família da Marina vive feliz para sempre. Ela pira nessa história… rsrsrsrsrsrs. E acho ótimo porque ela vai entendendo que tudo que vai acontecer com o irmão, já aconteceu com ela também.

7. Compramos um presente que o Yuri dará para ela quando eles se conhecerem, para o irmão já causar uma boa impressão na sua chegada né? rs. Mostrei no post sobre minha mala de maternidade.

8. Há umas três semanas a Nina está tomando um floral que ajuda na auto estima, segurança, ciúmes, e tenho sentido ela bem mais tranquila e apegada com os assuntos que envolvem o irmão. Falei sobre os florais no post de sexta-feira. Apesar de não demonstrar qualquer comportamento de rejeição com o irmão, ela estava passando por umas semanas muito irritada e fazendo de tudo para chamar atenção, inclusive lambendo o chão!!!!! Depois dos florais ela está outra criança. Eu também estou tomando, então acho que foi um conjunto de fatores.

No geral, o que vejo que a deixa tranquila é ela se sentir compreendida e entender que o que estou vivendo agora, vivi com ela na minha barriga também, que as coisas que vou fazer pelo Yuri, já fiz por ela também, que um dia o Yuri vai crescer e ser uma criança grande como ela, mas que antes disso, ele será um bebezinho, como ela já foi um dia. Acho que ela tem compreendido bem isso.

Vou dizer que uma das coisas que mais me gera ansiedade é o primeiro encontro da Nina com o Luli. A ideia é que ela vá para o hospital depois que eu estiver no quarto com ele e as coisas já tranquilas. Acho que a rotina em casa vai se ajustar com o passar dos dias e não estou planejando grandes coisas. Quero viver um dia de cada vez. Minha mãe estará conosco por, ao menos, duas semanas, a diarista passará a vir um dia a mais na semana em semanas alternadas (atualmente ela vem semanalmente, duas vezes por semana), o papai estará em casa na primeira semana também. Enfim, vamos nos conhecer, nos entender e ajustar a rotina familiar da forma que acharmos melhor para todos.

E enquanto isso, seguimos na espera pelo Luli :-)

Beijos e boa semana pessoal! Mari

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2 comentários

  1. Monica VACCARI comentou:

    Que lindo é emoCionante ler suas palavras E perceber como ser mae É algo divino mesmo, pois somente uma mae dedicada e amorosa como voce pode preparar com tanto carinho a chegada do seu bebezinho fazendo com que a nina sinta-se tao especial…parabens!! Deus abencoe sua famiLia e tenha certeza que com Todo esse amor sera muito linda a nova rotina da familia!!