A Mãe que Eu Achava que Seria e a Mãe que eu Acho que Sou

Quando me descobri grávida da Nina, logo mergulhei na literatura disponível em livros, blogs e sites da internet sobre o universo materno e comecei a construir um ideal de mãe que gostaria de ser para minha filha.

SAM_2513Foto de Karim Scharf 

Encasquetei e segui determinada a estipular uma rotina rígida de horários para tudo – mamar, brincar, tomar banho, dormir… também me convenci de que qualquer coisa que desse errado no meio do caminho seria por culpa dos pais, que os pais sempre têm o controle da situação, que quando não têm é porque não querem, por falta de esforço, por falta de energia. Também me via tapando os ouvidos e ignorando opiniões alheias que não estivessem de acordo com os meus ideais e a minha forma de conduzir as coisas. Não me encanei muito com questões de amamentação, de conseguir amamentar até tantos meses, de não deixar os outros pegarem a Nina no colo, mas achava que doces e gorduras só depois que ela completasse um ano de idade e em situações muitooooooooooooooooo esporádicas e específicas (tipo duas vezes por ano… kkkkkk). Também me via super paciente com crises de birra e choros intermináveis de uma criança que não quer se render ao sono, porque para mim eu teria que sempre entender as vontades e aflições da minha filha e estar pronta para fazer o possível e o impossível para ajudá-la. Criança se jogando no chão e tendo chiliques? Claro que a culpa é dos pais que não conseguem impor limites. Me via usando a televisão só como último recurso, em poucos momentos do dia, para entreter um pouco.

E tem mais ideais que obviamente não viraram realidade com o passar do tempo (rs) e que eu poderia passar horas discorrendo para vocês.

Mas me limitando a essa lista, a Nina nasceu. E tudo bem que eu não era encanada com amamentação, mas ela tomou o seu primeiro leite na UTI, e fórmula industrializada (oh God!). Fui amamentar ela pela primeira vez só no dia seguinte de seu nascimento. E logo de cara as coisas já começaram a fugir do meu controle. Todas aquelas roupinhas e a malinha que preparei para sua chegada mal foram usadas. Durante três dias ela ficou só de fralda na incubadora. Era amamentada com leite materno durante o dia somado com complemento de leite artificial. Foi para o quarto e mais um dia no hospital para tomar banho de luz. Pouquíssimas visitas a viram no hospital, e eu, que queria muito um parto normal, sofri horrores com os pontos da cesárea e muitos gases doloridos que me faziam chorar de desespero.

Fomos para casa e comecei a praticar tudo que havia idealizado. Logo no primeiro dia já começamos a implementar a rotininha da Nina que não fugia do controle nem aos finais de semana. Se alguma coisa fugia do controle eu já ia correndo pegar os livros para ver o que poderia estar acontecendo. E por muitos meses as coisas foram assim, até que comecei a me ver escrava da tal rotina. Não saía se a Nina não tivesse mamado, feito cocô, dormido… me virava de ponta cabeça para os horários dela serem seguidos à risca e me adaptar a eles. Chegou uma hora que comecei a relaxar e a observar que a rotina era muito boa sim e tornava as coisas muito mais previsíveis, algo que gosto muito, mas que sair dos eixos de vez em quando não fazia mal a ninguém.

Aí fui percebendo que os pais podem sim ter o controle da situação, mas a grande questão é que não temos a menor disposição para estar no controle sempre, e aí as coisas fogem dos eixos diversas vezes e você acaba sim cedendo a alguns caprichos dos filhos. É aquele negócio… não quer tomar banho, então não toma e dorme suja… não quer comer, então coloca logo essa bolacha na boca, mas pelo amor de Deus pára de chorar na minha orelha… não quer se trocar para sair, vai de pijama mesmo que não vai mudar a vida.

Algumas opiniões começam a contar e não é sempre, mas em muitos momentos eu acabo adotando a máxima de: minha mãe fazia isso comigo e estou aqui viva, feliz e saudável.

Aí que sempre me preocupei com a alimentação da Nina e de todos lá em casa, e percebi que radicalismos não funcionam, e que da mesma forma que para mim o equilíbrio é o ideal, para ela é também. Então sim, a Nina já comeu de tudo que é doce, fritura e industrializados, mas não faz parte da rotina e não é algo que agrada seu paladar.

E a paciência com as benditas birras????? Para tudo… sou bem controlada e dificilmente estouro, mas já dei altos gritos e pitis com a Nina, chacoalhões e desabei no choro junto com ela.

Ah, e a televisão. Só vou dizer uma coisa: a Nina é viciada em televisão… sem mais (rsrsrsrsrs). E se em alguns momentos me incomodo (um pouco) com a situação, em outros me sinto aliviada de conseguir preparar um jantar com calma enquanto ela assiste seus desenhos favoritos. É claro que ela não passa o dia inteiro em frente à TV e eu sou uma mãe que incentivo e estimulo ela a praticar diversas atividades diferentes. Mas que tem dias que a TV é um santo remédio, ah isso tem! E detalhe, eu sempre fui viciada em TV, agora que não tenho mais tempo que relaxei, como querer cobrar de minha filha um comportamento que eu não tenho?

Bom, e aí tudo isso que faço hoje que achava que nunca faria me torna uma mãe ruim? Eu tenho certeza que não. Muito pelo contrário, acho que sou a melhor mãe que poderia ser para a MINHA filha, o que não significa que seria uma boa mãe para a sua filha ou seu filho.

Hoje em dia eu ainda concordo com boa parte do que idealizei enquanto esperava pela Nina, mas tenho certeza que sou muito mais tranquila e curto muito mais a maternidade do que curtia. Hoje eu me cobro menos, relaxo mais, penso muito no que aquilo pode estar trazendo de consequências negativas para sua educação e seu desenvolvimento, e tento observar sempre o comportamento dela. É tudo muito mais baseado na intuição materna do que em teorias, que não posso desprezar, me ajudaram muito como mãe de primeira viagem! Mas eu saber conhecer minha filha e seus comportamentos tem muito mais valor para eu escolher o caminho que vou seguir do que qualquer teoria que exista por aí.

A rotina é excelente e ela existe no nosso dia a dia… mas hoje vejo a rotina muito mais como uma sequência de acontecimentos do que uma regularidade de horários. Não gosto que a Nina fique por muitas horas sem comer, mas hoje não importa mais se ela vai almoçar meio dia, uma ou duas horas da tarde. Depende da hora que ela acordou, do que comemos no café da manhã, se teremos um lanchinho no meio do caminho, das atividades que ela fez. A hora de dormir não tem mais rigor. Se ela não está com sono ela não dorme e é muito estressante lutar contra isso. Ela não passa de limites que acredito serem aceitáveis e depois que dorme, vai durante toda a noite. Já observei que na tentativa de querer que ela durma na hora que EU quero, ela fica muito mais agitada, acorda de madrugada e amanhece irritada. Parece que o estresse da hora de dormir acaba com tudo. Vejo também que por mais que tudo vire de ponta cabeça no final de semana, durante a semana, em que ela vai para a escolinha, tudo entra nos eixos. Acredito muito que a rotina mais rígida foi muito importante, principalmente no seu primeiro ano de vida. Mas hoje vejo que em alguns momentos me estressei com algumas coisas sem necessidade.

Continuo achando que o comportamento dos filhos é em boa parte reflexo do comportamento dos pais. Mas me permito ter meus momentos de “agora não estou a fim de educar… faz aí o que quiser e depois eu penso”. Mas também coloco de castigo e de lá ela não sai enquanto não se acalma e não pede desculpas. Não permito tudo e tem coisas que são inadmissíveis, mas algumas coisas que poderia recriminar, hoje não vejo tanto problema. Afinal, ela é uma criança, está formando sua personalidade (e que personalidade), e não é um robô. As birras vão existir, por mais educada que a criança seja, e tem horas que vou estar disposta e saber lidar e outras que vou dar uma crise de birra maior que a dela porque simplesmente estou esgotada e não quero ter o fardo da responsabilidade da educação naquele momento.

Muito do que vivi com a Nina com certeza me fará uma mãe mais consciente para o Yuri. E não me arrependo de nada, tudo foi aprendizado, e continua sendo, diariamente.

As cenas do próximo capítulo veremos quando o novo baby chegar lá em casa. Só tenho uma certeza, tudo vai dar certo.

Beijos e bom final de semana – Mari

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6 comentários

  1. Tatiana Ferrari comentou:

    Posso compartilhar o texto? Mari, penso exatamente isso! A maternidade é uma dádiva sim, mas tem horas que a gente não dá conta msm, porque somos além de mães, seres humanos e posso lhe contar uma coisa? a maternidade não me trouxe a tal paciência que algumas mães falam… ás vezes me pego tão sem paciência com a manu, que chego a me perguntar se tudo está fugindo do meu controle… sempre gostei de dormir cedo e agora com ela, no auge de seus 2 anos quer dormir ás 23,24 horas e isso me irrita muuuuuuito!!! qto a alimentação, sou super a favor do equilíbrio…. bjokas e bom carnaval para vcs!

    1. Oi Tati. Claro que pode compartilhar :-) Pois é, acho que em muitos casos traz mais falta de paciência do que mais paciência… rsrsrsrsrsrs. Mas com certeza essas coisas chatas são esquecidas e no fim das contas, mesmo com todo o cansaço e desgaste, vale super a pena!! Beijão

  2. Luciana comentou:

    acredito q hj vc leu meu pensamento e minhas emoções e traduziu com suas palavras nesse texto. Chorei. Obrigada. Meu coração está bemmmm mais tranquilo

  3. Marcia Sampaio De Souza comentou:

    Lindo texto Mari..vc é maezona, não tem regras e manual. Aprendemos com o tempo a lidar com eles.