Coluna da Lari: Brincadeira é coisa séria – Sobre a Importância que os pais devem dar às Brincadeiras dos Filhos

A infância é uma fase da vida onde a brincadeira acontece de forma mais intensa, porém, muitas vezes nós adultos, não damos a importância necessária às brincadeiras das crianças, costumamos ouvir muito a frase “é só brincadeira de criança”.

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Porém as brincadeiras não são “só brincadeiras”. Vamos pensar nos adultos que por possuírem uma inteligência intelectual mais evoluída e organizada que a das crianças sempre usam “brincadeirinhas” para falarem dos seus medos e de verdades que não devem ser ditas. O mesmo acontece com as crianças, além de uma interação com as pessoas e o meio a sua volta, as brincadeiras expressam sentimentos, medos, e a maneira como se sentem em relação às coisas e pessoas.

O modo como uma criança trata seus brinquedos diz muito sobre a maneira como é tratada pelos seus cuidadores. É através da brincadeira que elas externalizam desejos, sentimentos e conflitos que vivenciam mas ainda não conseguem verbalizar. Elas reproduzem boa parte do que presenciam e a brincadeira é uma realidade transformada, modificada pela criatividade e imaginação.

É também brincando que as crianças desenvolvem suas capacidades criativas. Quanto mais estimulada e respeitada em suas brincadeiras, mais crescerá um adulto criativo, capaz de elaborar, imaginar e criar.

Vou dar um exemplo que aconteceu comigo e minha filha de 1 ano e 10 meses. Eu e o pai dela estávamos planejando o primeiro final de semana que ela passaria na casa dele. Eu expliquei à Alissa o que aconteceria e ela disse que não queria ir. No dia seguinte ela me disse: “mamãe, o piupiu ta chorando” e eu perguntei o motivo do piupiu estar chorando e ela respondeu que era porque ele não queria ir com o papai. Essa foi a maneira que ela encontrou de me mostrar o quanto estava insegura e reciosa com essa nova experiência. Eu entrei na brincadeira e expliquei ao piupiu o quanto era importante ele passar uns dias com o papai, pois o papai o amava muito e sentia sua falta, além disso logo ele voltaria pra perto da mamãe.

O resultado dessa interação lúdica foi que a partir daí Alissa começou a falar para as pessoas que passearia com o papai. Eles passaram 3 dias juntos e Alissa voltou pra casa tão feliz quanto foi. Ela não conseguiria me chamar para conversar e expor seus sentimentos, afinal é uma criança de menos de 2 anos, mas utilizou da forma que lhe era possível e foi entendida. Acredito que se não fosse esse episódio ela vivenciaria os dias com o pai de maneira bem mais dolorosa, ou acabaria nem indo.

Portanto, a brincadeira deve tornar-se uma forma de comunicação entre pais e filhos, um mecanismo que nos aproxima da linguagem da criança, e não apenas nos trás a compreensão do que elas querem nos dizer, como também auxiliam para que elas nos entendam. Volto a dizer que as crianças tem uma capacidade enorme de compreender as coisas, cabe a nós, adultos, conseguir uma interação intensa e afetuosa o suficiente para isso.

Com carinho

Lari

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