Coluna da Cari: Síndrome do Intestino Irritável (SII) em Bebês e Crianças

Hola mamis!!

Tudo bem??

Hoje eu volto para nossa coluna com um tema bem complexo: a Síndrome do Intestino Irritável (SII) nos bebês e crianças.

Bem, vocês devem estar se perguntando por que eu vim falar logo disso e é simples. Eu mesma nem sabia o que era isso até o nascimento e os meses que se passaram ao nascimento da minha segunda filha Johanna, e acredito que muita gente aí do outro lado possa estar passando por situações parecidas.

Vou começar com um texto do Prof. Dr. Ulysses Fagundes, Gastroenterologista pediátrico, com grande experiência no tema para que vocês entendam como começar a desconfiar dos sintomas de uma possível SII nos recém-nascidos, que foi o que eu, posteriormente, descobri como sendo o quadro da Johanna.

“Nesta faixa etária predominam essencialmente as manifestações de episódios intermitentes de choro intenso e prolongado, sem causa aparente, muito provavelmente devido a cólicas e distensão abdominal. Há também certa dificuldade para a eliminação de gases e fezes; não raramente o paciente pode apresentar tendência à constipação intestinal, as fezes podem se tornar endurecidas e ressecadas. Muito do que se convencionou denominar “cólica noturna” está diretamente relacionado com a SII. Este cortejo sintomático frequentemente gera grande ansiedade e insegurança nos familiares o que acarreta uma grande tensão ambiental que acaba por se transmitir ao recém-nascido criando, assim, um ciclo vicioso de choro intenso e tensão ambiental difícil de ser rompido. Estes episódios costumam se repetir quase que diariamente caso não ocorra uma intervenção do Pediatra tratando de tranquilizar os familiares e explicando de forma didática qual a razão de todo este complexo sintomático. Neste momento torna-se crucial dar aos familiares a segurança de que nada grave está ocorrendo com o recém-nascido e que à medida que as tensões ambientais forem se desanuviando a tendência é de que haja uma regressão das manifestações clínicas. Vale ressaltar que esta sintomatologia pode se estender por tempo prolongado, alguns meses, surgindo através de crises episódicas muito relacionadas com a qualidade emocional do ambiente em que a criança vive. É importante assinalar que apesar da existência de todo este transtorno o recém-nascido se alimenta muito bem e cresce normalmente sem qualquer agravo nutricional, o que atesta a natureza benigna da SII.”

colicas

Se vocês já leram meu relato aqui no blog sobre o Baby Blues após o nascimento da Jojo, vão entender bem o significado da “tensão ambiental” que classifica o Dr. Ulysses. Tudo realmente teve muito mais intensidade devido aos transtornos intestinais dela, desde o início.

Eu sempre achava que eram cólicas como todo bebê recém-nascido tem, mas no caso dela, só fomos descobrir meses mais tarde que não era só isso.

Desde sempre ela teve o intestino mais solto, muitas vezes sujava a fralda diversas vezes ao dia. Dormia pouco, chorava muito, mamava demais. Desconfiamos até de uma possível APLV (Alergia a Proteína do Leite de Vaca), quando eu, por amamenta-la exclusivamente no peito, tive que fazer restrição na dieta. Foram meses evitando vários alimentos e especialmente os que continham lactose. Foram 10 meses de peito exclusivo, sem NUNCA colocar uma mamadeira na boca dela.

Até que um pouco antes disso, aos 9 meses, ela pegou uma gripe. A garganta inflamou e tivemos que dar o primeiro antibiótico. Pronto. Bastou para o que já era ruim ficar destruído. Com o uso do antibiótico e os dias posteriores a isso, ela passou a ter uma diarreia constante. Chegou a ficar com o bumbum todo assado e tive que recorrer a ajuda de uma dermatologista por diversas vezes. Tivemos que passar a usar fraldas de pano por muito tempo para poder deixar o bumbum respirar um pouco mais, mas a cada xixi era uma troca, o que deixava ela ainda mais irritada.

Em tratamento com a pediatra dela achamos que era o antibiótico que tinha causado aquele estrago grande descompondo a flora intestinal, mas na minha ignorância de mãe, não paramos para analisar o passado e ver que tudo vinha se encaixando já há muito tempo.

Resolvi procurar uma gastroenterologista aqui no Paraguai, porém fizemos contínuos tratamentos de recomposição da flora sem sucesso. Ela continuava com a diarreia frequente e nisso ela já tinha feito 1 aninho e abandonado a amamentação exclusiva, o que era um outro agravante ao quadro.

Foi quando fui para São Paulo com a Gastro que já tinha consultado a Julia anos atrás por outros temas. Coletamos vários, vários exames, várias provas, descartamos APLV e outras coisas similares que tanto se fala hoje em dia. O diagnóstico foi outro, algo totalmente desconhecido para nós: a Síndrome do Intestino Irritável.

Muito comum na população de hoje, corresponde a 20-25% das causas de consultas ambulatoriais em gastroenterologia, segundo vários estudos no tema.

A SII pode se manifestar com constipação, com diarreia ou mista, alterando as duas disfunções. No caso da Jojo é diarreia constante e, em todas, não tem cura, na verdade consiste em vários tratamentos alternativos para aliviar os sintomas e dieta específica para cada caso.

No caso da Jojo, por ainda ser pequena, optamos somente por controlar a alimentação e desde então, finalmente, conseguimos conviver melhor com esse quadro dela, já que realmente agora entendemos o que estava acontecendo. Porém, os problemas não terminaram aí.

Como ela frequentava a escolinha desde os 18 meses, as complicações não pararam. Estando em contato ativamente com vírus e bactérias, a pequena vivia doente e entramos em um ciclo de antibióticos mensais que acabou desregulando ainda mais a flora intestinal dela e descontrolando totalmente seu sistema imunológico. Era antibiótico, diarreia, sarava, voltava para a escola, atacava herpes na garganta, tomava Aciclovir, mais diarreia, sarava, voltava para a escola, etc etc…

Era muito incômodo para ela estar na escola com esse quadro de SII. Eram várias fraldas e roupas sendo trocadas num curto período, além de um ciclo de intermináveis doenças que me fizeram repensar em mantê-la na escolinha. A pediatra então me indicou deixá-la em casa este ano, onde o sistema imunológico dela se fortaleceria mais, daríamos uma pausa no quadro de antibióticos e Aciclovir constantes e com isso haveria, com certeza, uma estabilidade nos sintomas do SII.

Foi fato! Bastaram 2 meses longe da escolinha para o intestino se normalizar. Hoje já são 4 meses sem nenhuma gripe ou resfriado ou qualquer outra coisa (todos, por favor: Amém!). Com isso, somente a alimentação saudável e controlada foi suficiente para estabilizar as diarreias e hoje ela está com o intestino completamente regulado.

Na verdade todos os dias me perguntava se essa era mesmo a melhor escolha a se fazer. Por vezes vi minha filha em casa, sem muito contato com outras crianças a não ser as vizinhas e nas festinhas. Mas hoje vejo que com certeza às vezes temos que abrir mão do que achávamos que era o melhor (e sempre queremos dar o melhor a eles) em prol de uma estabilidade imunológica e sobretudo emocional, tanto nossa quanto dela.

O importante mamães, é não cessar as tentativas e buscar sempre a ajuda de um pediatra ou especialista para tirar todas as dúvidas. Se você está achando que seu bebê chora demais e aparentemente parecem ser cólicas, observe mais os traços das fezes, anote os horários, forma, cheiro e leve tudo para o médico. Às vezes terminamos querendo ser super-mães, tentando solucionar tudo sozinhas e, sendo ou não sendo uma SII, terminamos entrando no famoso ciclo vicioso de tensão ambiental, tão difícil de sair depois #ficaadica.

Espero ter ajudado.

Con cariño,

Cari

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4 comentários

  1. juliana comentou:

    Olá…hoje pesquisando no Google sobre CÓLON irritável e achei seu post.minha FIlha esta com 3anos e meio e depois de muitas idas a PEDIATRAs e gastro,ela teve o diagnóstico do colon irritável.quando ela nasceu acontecia a mesma coisa q aconteceu com a sua jojo.a minha filha hoje esta bem,mas as vezes o intestino da uma deslegulada,as vezes fica muito tempo bom.fico as vezes muito preocupada,triste,mas gostaria de daber como esta sua filha hoje,se o tratamento dela esta com com alimentação ou algum medicamento?me ajude por favor.Sigo a mariana brancate no intAgram .bjos

  2. ESTELA comentou:

    Bom dia, gostei muito desse post, relato igual ao que passei, com diferença que na minha filha era constipação e dor ao fazer coco, a gastro diagnosticou aplv, mais nao deu nenhum exame, só pelos sintomas, e mesmo cortando o leite totalmente nao melhora, estou concluindo que ela possa ter isso, como o gastro descobriu? tem exames especificos? minha gastro esta perdida e eu tbm, se puder me ajudar.

    1. cristina comentou:

      tb gostaria de receber informaçaoes

  3. Adielma de S. Hawerroth Fernandes comentou:

    Olá! Lendo seu post até chorei, pq descreve minha filha 😭. Qria conversar, saber como fizeram o diagnóstico, saber como está sua jojo.