Coluna da Lari: A Perseguição da Culpa

Hoje tem coluna da Lari, nossa parceira e psicóloga. E o tema é a Culpa. Li o texto que a Lari me mandou, em um dia em que tudo que eu precisava era ter a visão de alguém fora da situação que estava vivendo, obviamente, de culpa!!! Me ajudou muito, e posso dizer para vocês que esse texto e mais algumas reflexões me aliviaram, e desde este dia tenho levado as coisas de uma forma bem mais tranquila. Espero que vocês gostem :)

“Se existe um sentimento que nasce junto com o amor materno, esse sentimento é a culpa concordam? Que mãe não se sente culpada por trabalhar fora e não poder se dedicar tanto ao filho, ou por cuidar do filho em tempo integral e se sentir exausta, com vontade de ter um tempo só para ela? Nos sentimos culpadas quando nossos filhos adoecem, quando não querem comer, quando não se adaptam bem à determinada situação, enfim, não importa o motivo, se é por sentir que fez de mais ou de menos, o fato é que a culpa é um sentimento muito presente na vida das mães.

Para tentar entender um pouco esse sentimento, vamos pensar em quando ainda estamos grávidas. Quantas vezes ouvimos algo do tipo “você precisa se alimentar bem, tudo o que você come vai para o bebê” ou “você não pode ficar triste, o bebê sente tudo o que você sente”, como se tudo que você fizesse, ouvisse ou falasse fosse influenciar no desenvolvimento daquele serzinho completamente frágil.

O fato é que nós geramos aquela vida, e somos sim bastante responsáveis por ela. O bebê realmente é muito sensível aos sentimentos e humores da mãe, porém, é um ser que busca individualidade e seu espaço no mundo, para isso é necessário que nós, mães, possamos permitir que ele se encontre, e para isso, um pouco de ausência é fundamental.

A mãe, ou quem desempenha a função materna, é o primeiro objeto que oferece satisfação e hostilidade à criança, e é preciso que a mãe se ausente para que a criança possa alucinar a satisfação. Em outras palavras, é importante para a constituição da criança que ela sinta prazer e desprazer, e no bebê pequeno, onde tudo ainda é muito primitivo, o prazer está ligado a presença da mãe, e o desprazer à ausência. É angustiante a falta da mãe, porém é ainda mais angustiante a mãe que não permite que ele sinta um pouco a sua falta.

Agora que temos uma explicação teórica de que um pouco da nossa ausência é tão importante quanto a presença, vamos pensar em termos práticos. A escolha que você fez, trabalhar fora ou não, com quem deixar a criança, com certeza foi feita pensando no melhor para você e para seu filho, de acordo com o estilo de vida que você leva e quer proporcionar a ela. Tendo isso em mente fica mais fácil lidar com a culpa.

As decisões importantes que precisamos tomar ao longo da vida dos nossos filhos serão baseadas na nossa cultura, na maneira que fomos criadas, não existe certo ou errado, existe o que funciona para você e sua família e, ao invés de se culpar, ensine seu filho desde cedo que nem sempre as coisas podem ser da maneira que gostaríamos.

Você escolheu ser mãe e vai se dedicar a isso, porém, você já existia e fazia outras coisas antes do seu bebê chegar, portanto, ser mãe é uma coisa muito importante para você, mas não é a única coisa importante na sua vida. Além disso, apesar de exercermos uma grande influência sobre o caráter e personalidade dos nossos filhos, eles são seres que funcionam independentes de nós, também fazem as escolhas deles, desde muito cedo.

Portanto, por mais que você se esforce para ser a melhor mãe do mundo, como em tudo na sua vida, você vai errar às vezes. Aceite que não dá pra ser perfeita sempre, e que é impossível criar filhos perfeitos, afinal eles são seres humanos como eu e você, e errar faz parte.

Então, se permita. E permita aos seus filhos, sem culpa!”

Beijos queridas – Mari

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7 comentários

  1. Márcia Sampaio comentou:

    Esse texto me ajudou muito hoje, pois foi o primeiro dia de escolinha da Maria Eduarda e eu estava me sentindo mal e solitária por deixar ela sozinha na escola.

    1. Márcia, que bom que o texto da Lari te ajudou!!!! Eu também passei por isso. Fica tranquila que isso passa. É uma fase e a Maria Eduarda vai adorar as atividades e os amiguinhos. Beijos

    2. Larissa comentou:

      Fico muito feliz em ter te ajudado Márcia! Ainda não passei por isso, mas imagino que o primeiro dia na escolinha seja dificil para as mães, mas logo ela vai se adaptar! E vai fazer muito ben para o desenvolvimento dela! Beijos

  2. Carolina De Bolle comentou:

    Nossaaaaa!!! Não podia chegar em melhor hora… Descobri que a pessoa que cuida da Maria, não cuida tão bem como eu imaginei. É mentirosa e faz tudo do jeito dela!!! Já matriculei a Maria na escola para começar o ano que vêm, porém a escola ainda não têm vaga para periodo integral. Ou seja, ainda vou precisar de uma pessoa para ficar com ela na parte da tarde….Encontrei uma moça que fiz o teste no final de semana e gostei bastante. Ela começa segunda e enquanto isso, vou ter pedir ajuda para minha mãe, sogra e minha faxineira de confianca (que esta comigo a anos), se revezarem ficar com a moça nova e com a Maria. Já coloquei camera na casa toda e assim vai a minha culpa….

    1. Larissa comentou:

      Nossa Carol, que situação! O que importa é que você tomou as medidas cabíveis.. Tomara que essa nova babá seja um anjo, pois acredite, babás anjos existem! Tenho uma aqui em casa.. Fico muito feliz em ter te ajudado! Beijos

  3. Eu passei por isso três vezes e, foi muito conflitante. Quando voltava a trabalhar, logo após a licença maternidade e férias, meu leite materno escorria pela minha roupa e, eu sentia um aperto como se naquele momento fosse a hora de amamentar meu bb. Doía saber que todo aquele leite não seria aproveitado da forma que gostaria. Lembro que ligava muitas vezes para casa, embora a jornada de trabalho fosse intensa. Sinceramente não sei como suportei, mas não podia para de trabalhar para cuidar pessoalmente dos meus filhos. Hoje tenho três filhos lindos e passou, mas ainda me sinto culpada, sempre acho que falta alguma coisa, acredito que é um sentimento natural, que só quem é mãe sente. No entanto, lendo o que à Larissa escreveu, vejo que foi bom deixá-los. Meus filhos são bem independentes e, acredito que a necessidade de trabalhar foi um fator importante para que eles conquistassem o espaço deles.

  4. Larissa, obrigada por nos ajudar a administrar esse sentimento… A CULPA.
    Você está de parabéns! Como você mencionou no texto a família é importante, e mais do que tudo você pode afirmar isto pois, tem uma família maravilhosa. Somos fruto do meio em que vivemos.